floquinhos

domingo, 20 de setembro de 2009

Numa noite de chuva...


Noite de domingo, casa tranquila... Sem querer sentir em mim nostalgias ou recordações, apenas vivendo um momento de recolhimento, um momento de música que vem suavemente envolver minha noite, enrodilho-me na poltrona de meu quarto. Há horas em que preciso estar assim, só. Horas em que me deixo levar suavemente pelo mundo do irreal, quando as notas musicais que preenchem o ambiente vão formando imagens em minha mente, vão inventando histórias, criando fantasias.
E como minha alma é pródiga em fantasias!...
Imaginava que o passar do tempo colocasse um pouco de juízo nessa alma insana, obrigando-a a ficar mais presa a realidade, fazendo-a enxergar que a passagem dos anos tira-nos o "direito" a cometer loucuras, ainda que doces loucuras cometidas apenas em pensamentos, em desvairados sonhos e, fazendo-a então perceber o ridiculo de certas situações, ve-la finalmente portar-se como é devido a uma senhora. Porque, abrigada no corpo de uma mulher que caminha para o final do outono de sua vida, como pode uma alma imaginar-se com direito a sonhos e ilusões de uma adolescente?
Mergulhando dentro de mim mesma, procuro ter com ela uma conversa e, quando tento traze-la a realidade ela sorri tristemente e me confidencia que numa noite de chuva como esta, com o doce barulhinho dos pingos contra a vidraça, sentindo-se frágil, absolutamente desamparada, sozinha, precisa mergulhar nos sonhos para não se perder nas sombras da solidão que anda rondando seus domínios. Então eu me calo e corto as amarras para que ela possa partir em busca de seu momento de paz...

8 comentários:

Vitor Chuva disse...

Olá Dulce!

Achei o texto lindo e não resisti a intrometer-me nos seus pensamentos.
É verdade; a música tem esse extraordinário condão de nos conseguir tranportar para fora de nós mesmos, para um mundo de fantasia procurada, onde tudo nos é permitido, e tudo é possível durante momentos; onde pomos em confronto "o que somos, com o que gostaríamos de ser", "o que temos, com que gostaríamos de ter".

O se pensamento traz-me à mente uma das canções dos Beatles(julgo que não me engano)em que é dito: "We are older but none wiser", e eu tenho que concordar que eles sabiam o que diziam.E consigo já tinha concordado, mesmo antes de ter lido o texto.

Um abraço.

Vitor Chuva

Dulce disse...

Vitor

Muito obrigada. Sempre é um prazer te-lo aqui e contar com seu comentário.
Concordo, e penso que para a maioria das pessoas a música seja mesmo a varinha de condão que as transporta ao mundo do sonho e da fantasia. Além de ter o poder de acalmar a alma, de elevar o espírito. Ou de libertar as angustias, os sentimentos represados, os pequenos demônios que alguns carregam dentro de si...
De qualquer forma, suave ou agressiva, sempre nos envolve e está presente em cada momento de nossas vidas.
Um abraço

Vitor Chuva disse...

Olá Dulce!

Desta vez è só uma adenda ao anterior comentário: Afinal, a expressão pertence à letra de "Those were the days", de Mary Hopkin,e não aos Beatles. Mea culpa; "A César o que é de César"...

Um abraço.

Vitor Chuva.

Dulce disse...

Vitor

Obrigada.
De qualquer forma não a conhecia e vou procurar conhecer.
um abraço

Fernanda disse...

Querida amiga Dulce,

Temos muito mais em comum do que imagina. Sendo eu um bocadinho mais nova, nada invalida o que me deixa em estados de alma em tudo semelhantes ao seu.
Concluindo amiga, sozinha ou acompanhada, a solidão existe sempre, o sentimento de se ser mal amada ou nada amada é algo que atormenta a nossas almas românticas, sempre ávidas de amor.

Ridículas??? não amiga, felizmente muito vivas!!!

Beijinho muito grande,

Dulce disse...



Conheço bem essa solidão a dois, minha amiga. Mas a alma segue sonhadora, pouco se importando com nossas preocupações ou com a passagem do tempo... E quer saber, Ná? Gosto muito de minha alma inquieta; ela me renova, me acalenta, me mantém viva.
E vamos em frente, amiga, as duas, vivendo, sonhando, amando o lado doce de nos mesmas...
Beijos

elvira carvalho disse...

O texto é muito bonito, como de resto já nos habituou. O meu problema é tempo para acompanhar a sua produção.
Um abraço

Dulce disse...

Elvira,

muito obrigada.
É que em madrugadas insones, escrever faz-me bem.. Vou tentar ir mais devagar.
Beijinhos