floquinhos

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Apenas um desabafo...


Ontem o Brasil comemorou o “Dia da Pátria” e viajando no tempo como costumo fazer sempre, voltei aos anos 50 quando, adolescentes, estudantes, desfilávamos orgulhosamente nesse dia. Era uma festa. Nós nos sentíamos tão importantes! Lembro-me bem que no último desfile de que participei a festa foi no Pacaembu, e foi a primeira e ultima vez que entrei naquele estádio. Fiquei deslumbrada com o tamanho dele. E foi marcante também porque pela primeira vez não me senti desajeitada, patinho feio entre as meninas da minha classe, todas tão lindinhas, porque havia perdido uns quilinhos que me atormentaram durante os primeiros tempos de minha adolescência. E foi quando, pela primeira vez percebi olhares interessados dos rapazes que desfilavam conosco... Ainda demorei um tempo para ter meu primeiro namoradinho, mas já não me sentia deslocada... Ah tempos bons, aqueles... Tão lúdicos, tão diferentes dos de hoje...

Hoje os alunos já não desfilam, não aprendem a cantar corretamente o Hino Nacional, muito menos o Hino a Bandeira, e nem sei como poderiam pensar em hinos se os pobrezinhos não conseguem nem aprender matemática... Português, então!... Claro que não me refiro as crianças das classes mais favorecidas, essas nem podem ser referência para um pais como o nosso, com tanto interiorzão, sertão, vilas e cidades distantes para serem atendidos.
Mas o 7 de setembro não deveria ser um dia de louvor a Pátria, de orgulho cívico? Então que é que eu tenho que ficar lembrando probleminhas de uma adolescência que se perdeu num passado distante, ou de crianças que não conseguem aprender porque, subnutridas e esquecidas pelas autoridades "competentes' acabam tendo um futuro de cartas marcadas? E porque será que enquanto estou escrevendo fica bailando na minha cabecinha uma imagem triste, vergonhosa, de uma senhora que um dia já foi ídolo de adolescentes, uma cantora que não sabia a letra da musica que cantava e que, para vergonha da nação era o Hino Nacional, uma senhora que deveria responder pelo impensado ato de desrespeitar seu hino e seu país, juntamente com uns tantos assistentes que ao final da triste apresentação ainda ensaiaram um aplauso?... Ah, pobre do meu pais, deste chão que me enternece, desta Pátria que ainda há de ser grande, maior ainda do que já a sinto dentro de mim...

Dulce Costa
Na madrugada do dia oito de setembro do ano de dois mil e nove.

16 comentários:

Isa disse...

Minha querida Amiga!
Como entendi o seu sentimento,como
tinha saudades de "nos visitar"!
Penso (desculpe)que isso de q. fala
passa-se em todo o lado!
As Gerações estão tão "azedas"...
Beijo.
isa.

Dulce disse...

Isa, bom dia / boa tarde

E não é uma pena que assim estejam?
Beijos

heli disse...

Dulce.
Como já comentei no Chega Junto, estamos carentes de um patriotismo autêntico.
Esse passeio que você fez no tempo, me reportou a fatos marcantes que fizeram parte do meu mundo como estudante e como professora.Morei numa cidade no interior de Santa Catarina e lá ainda ocorrem os desfiles em homenagem a Pátria.Dias especias com a participação de toda a comunidade numa cidade com aproximadamente cinco mil habitantes.Tenho muitas fotos dos meus filhos desfilando...
Bons tempos.
Beijos
heli

Pitanga Doce disse...

Dulce, tão desrespeitosa foi a cantora quanto quem a deixou ir até o fim. Mas quem eram eles? Políticos! Quer o quê?

Boa tarde de Sol e vento.

elvira carvalho disse...

Nem sei se lhe diga o que penso... ontem e hoje já escrevi tanta vez a mesma coisa...

De qualquer modo, aí vai
Eu não sei se o povo brasileiro tem razões para festejar a independência...
Independente um povo que morre de fome, de medo, e de violência? Será?
Note que eu não me estou a referir à independência no sentido de eles continuarem a ser uma colónia portuguesa. De jeito maneira sou contra colónias sejam de que país forem... Refiro-me a que eu só entendo um País independente, quando esse País dá pão, educação, casa, emprego aos seus nativos.
Igual a Liberdade. Liberdade de pensamento, de expressão, é muito bom. Nós que estivemos privados disso sabemos bem como é bom tê-la. Mas para mim, não pode ser só isso. Tem que ser liberdade de decidir que vou ter um filho, porque há uma escola, para ele, um emprego para ele, um futuro para ele. Ter a Liberdade de decidir se vamos cuidar dos nossos idosos, ou não, porque sabemos que o País tem excelentes lares com óptimas condições materiais e humanas, onde eles são bem tratados. Entende?
Por isso é que eu penso que a nossa liberdade e a independência do Brasil não merecem grandes festejos...
Se passar pelo Sexta, vai entender o meu cansaço.
Um abraço

Fernanda disse...

Querida amiga Dulce,

Lembrar assim a infância eu acho lindo. Sabe que eu sou mínima, tenho até vergonha de dizer, 1,53, e em criança era magríssima. Como se não chegasse tinha uma cabeleira enorme e uma franja "repa", enorme. Chamavam-me a franjinhas.
Não vou dizer que isso nunca me incomodou, estaria a mentir, mas fui sempre uma criança feliz.
O nosso hino nacional, só aprendi a cantar direito muitos anos depois... tinha para mim, e continua a ter, palavras que as crianças não entendem, por isso não vejo razão para as obrigar a decorar.

Desculpe se estou em contradição pela primeira vez consigo.
Talvez sejam realidades diferentes.

Também comecei a namorar tarde, mas depois nunca mais parei, hahahah!

Beijos doces para a amiga Dulce.

Agulheta disse...

Querida amiga. É sempre bom recordar,mesmo que as recordações por vezes não sejam as melhores.Os anos sessenta foi uma época de grandes privações em muitos sentidos por aqui...portugal,mas sempre havia a fé de um dia ser melhor,hoje muitas coisas melhoraram,outras nem por isso,até nós na nossa vida pessoal temos épocas melhores do que outras,quanto a ser namoradeira,era bastante...eheheh mas só um ficou nocoração até hoje.
Beijinho de amizade
Lisa

Dulce disse...

Heli

Obrigada por vir comentar aqui este post. Você, como professora dedicada deve sentir essa mudança de modo bem agudo.
Acho que cada brasileiro deveria assumir seu papel civico, sem esperar pelos governantes, ou pelos vizinhos.
Talvez assim, "petit a petit" as coisas fossem melhorando.
beijos

Dulce disse...

Pitanga Doce

De pleno acordo, Mila. Também acho.
Aqui abafado, dia enfarruscado, com as temperturas começando a cair.
beijos

Dulce disse...

Elvira

Entendo perfeitamente seu pensamento, minha amiga, porque acho que independência e liberdade são patamares para a formação de um grande povo e devemos sempre lutar por elas, festejá-las ainda que parciais.
Os povos d'aquém e d'além mar merecem bem isso.
beijos

Dulce disse...



Pois então, minha amiga, discordamos num ponto? rs... Pois é, Ná, eu sou de opinião de que as crianças devem aprender sim os hinos de sua pátria e que as mestras ao tempo em que lhes ensinem a letra vá lhes explicando também o significado de cada estrofe, porque criança tem uma capacidade muito maior de entender as coisas do que imaginamos.
Quando eu era menina, os bancos escolares só eram abertos a crianças com sete anos completos. Hoje as crianças aprendem a ler no jardim de infância e vão pelo mundo afora com uma facilidade incrível. Todos os meus netos, daqui e do Brasil, aos quatro, cinco anos de idade já sabiam ler, enquanto que eu só fui aprender aos quase oito.
Novos tempos, novos métodos. O que não se pode é admitir displiscência no ensino. Está na hora, pelo menos no Brasil, de se corrigir essa falha.E nisso você há de concordar comigo... rs...
Nossa... falei demais, me desculpe
beijos

Dulce disse...

Agulheta
Você está certíssima, Lisa.
Anos difíceis (cinquenta ou sessenta) mas de serenidade e alegria.
Ah, minha amiga, mas namorar é bom demais... Quem não gosta? Quem não quer?... rs...
beijinhos

Carlos Albuquerque disse...

Dulce
Estive no "Chega Junto" e me encantei, fiquei seguidor. Chego a "Em prosa e verso" e me reencanto e junto-me a ele, também!
Sobre o tema do post deixei cometário no primeiro.
Viajando por este que, como o outro, não é cantinho, não, mas um grande canto, descubro coincidências, ou convergências, que me dão muito gosto.
1) - Gabriel Garcia Marquez - sempre! Cem anos de solidão continua sendo um dos meus livros de cabeceira. Outros estão ali, numa das estantes (diz-se assim no Brasil?), como Crónica de uma Morte Anunciada, a autobigrafia Viver para contar, a história mágica do nonagenário de Mis Putas Tristes, e mais...
--
Também, claro, José Saramago com o Ensaio sobre a Cegueira, Memorial do Convento, Ensaio Sobre a Lucidez,e, todos dele...
--
2) - Mário Quintana. Tudo dele que encontro. Tem lugar de honra na minha biblioteca.
3) - Cecilia Meireles. Pois é, estamos juntos. Comigo, também, Alice Ruiz e Clarice Lispector.
Obrigado pela visita ao meu blog e se ter juntado a ele. Honra-me.
Um abraço deste lado do mar.

Pitanga Doce disse...

Dulce, se chegasses hoje ias encontrar São Paulo debaixo d'água e os voos atrasados. Parece que teremos uma Primavera quente e de temporais!

Dulce disse...

Carlos Albuquerque

Mas que bom que o temos nos dois blogs e que se agrade dos dois. Muitissimo obrigada.
Já estive no Chega-junto, li seu comentário e respondi, Obrigada, de novo.
Obrigada por suas palavras, seu comentário, sua atenção.
tenha uma linda noite
Um abraço

Dulce disse...

Pitanga

só espero que até sexta pela manhã o tempo tenha melhorado.
beijos e uma boa noite.