floquinhos

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Os tipos inesquecíveis de cada um de nós...


Quando jovem, adolescente, gostava de ler uma revista que até hoje continua sendo impressa e encontrada em todas as bancas de jornal daqui do Brasil e dos Estados Unidos, pelo menos. A “Seleções Reader’s Digest” é impressa há mais de meio século e a edição brasileira era uma exata tradução da americana. Como o próprio nome indica, são artigos resumidos, de fácil leitura e assuntos variados. Faz anos que não leio, não sei como está agora, se continua ou não como antes.
Pois bem, havia uma seção pela qual eu sempre começava minha leitura, que era “Meu tipo inesquecível”, aonde pessoas comuns falavam de outras pessoas que haviam marcado suas vidas. Sempre gostei muito de ler biografias e embora não fossem artigos biográficos, seguiam mais ou menos por essa linha. Havia histórias simplesmente incríveis de pessoas que consideraríamos absolutamente comuns e sem história, o que me levou desde cedo a entender que, por mais simples que possa parecer uma pessoa, ela terá sempre uma lição de vida para nos oferecer, basta que saibamos enxergá-la.
Todos nós temos nossa galeria de tipos inesquecíveis, que marcaram ou ainda marcam sua passagem pelas nossas vidas. Algumas positivamente, com ações e atitudes dignas, outras negativamente, por ações menos nobres, por ter um caráter duvidoso, por atos que nos causaram mágoa. Outras ainda porque nos abriram a alma, nos ensinaram a amar, a sorrir, a chorar, a perdoar e, até a odiar... E porque não? Quem de nós já não provou o amargo gosto do ódio, ainda que por minutos?
Lembro-me da história contada por uma dona-de-casa americana (essa espécie em extinção) que mantivera um jardineiro cuidando do seu jardim por longos anos, uma pessoa extremamente simples, com ar até humilde, de uma docilidade a toda prova e que dizia não ter família, morar sozinho. Num determinado dia foram avisá-la de que o homem havia morrido. Ela lamentou muito e, entristecida, resolveu que deveria ir à cerimônia fúnebre de seu jardineiro que, certamente não teria ninguém para velá-lo. Mas qual não foi sua surpresa quando, ao chegar ao local encontrou-o completamente tomado por pessoas que choravam e trocavam histórias de doce convivência com aquele homem que, em sua simplicidade, deixara um exemplo de amor e de bem viver. Lembrava-se de outros funerais a que comparecera, de pessoas até bem colocadas na vida e em nenhum deles percebera uma partida mais sentida.
E a conclusão da história era de que pelo número de pessoas que chora (sinceramente) uma partida, você pode avaliar o que realmente foi uma pessoa, como viveu sua vida, o que de bom deixou em seus caminhos. Note que não se fala de celebridades, gente famosa que a mídia transforma em ícone e tema para matéria de longas e repetidas reportagens. Fala-se de gente simples, comum, mas muito especial... Mas havia toda uma série de tipos inesquecíveis, que me encantavam a cada edição da revista.
Estou aqui pensando que também tenho meus "tipos inesquecêveis" que bem merecem uma postagem no meu bloguezinho... Estou pensando... Vamos ver.


Dulce Costa
Na manhã do dia dezoito de junho do ano de dois mil e nove.

18 comentários:

Sil disse...

Olá, tudo bem?
Meu nome é Silvana(Sil) e gostaria de lhe dizer PARABÉNS!!!!!!Adoro pessoas inteligentes e bem humoradas.Adorei seu Blog.Lindo...lindo..lindo...Leve, descontraido e com um bom conteudo!
Convido vc a visitar o meu Blog e da minha amiga Deia Também
http://www.depoisdodiva.blogspot.com/
Sou psicologa e vou adorar ler seus comentarios por lá.
Bjs e boa semana!
Sil

Dulce disse...

Silvana

Seja bem vinda ao meu cantinho.
Obrigada pela visita e pelas palavras amigas.
vou, com o maior prazer, conhecer o espaço que você e a Deia criaram.
Boa semana para você duas.
Bjs.

Dulce

elvira carvalho disse...

Sempre li a revista das Selecções.
Durante uns anos até fui assinante, mas depois, para reduzir despesas deixei. Mas também lembro muitas histórias lidas lá.
Um abraço

Dulce disse...

Pois é, Elvira,

houve um tempo em que quase todas as pessoas liam Seleções, depois novas revistas foram surgindo, os hábitos foram mudando, mas o fato é que ela continua até hoje, e são 65 anos desde a primeira edição, sendo lida e considerada...

Um abraço

Daniel Costa disse...

Dulce

Curiosamente, fui leitor assiduo da resvista. A versão portuguesa ainda era impressa no Brasil e saía aqui no mês seguinte, a mesma versão, apenas com um artigo de fundo baseado num facto de Portugal. Também era acescentada publicidade daqui. Depois a versão passou a ser impressa cá, com as mesmas alterações.
No meu primeiro blog, mitalaia, que mantenho no Sol, tenho escrito posts e edito-os baseados em figuras que julgo me terem influenciado, com o título génerico "Figura Inesquecível", baseado no "O Meu Tipo Inesquecível". João Bruno, com quem interagi que, foi chefe das Selecções Portugal distingui.
Já agora, lembro-me de ler um artigo, em que uma emgregada doméstica a tudo respondia por provérbios populares. Os mesmos teriam ido daqui, visto serem tal qual.
As Selecções (aí Seleções), estão diferentes. De vez em quando adquiro, para ver mais por afeição.
Daniel

Pitanga Doce disse...

Então Dulce, nos presenteie com hstórias de gente que vale a pena ser lembrada porque as "celebridades" que hoje se criam...valha-me Deus!

bom dia

Dulce disse...

Pois então, Daniel,

Quase todo mundo lia mesmo Seleções, como todo mundo tem dentro de si uma Galeria de tipos inesquecíveis" que dariam grandes histórias.
Gostaria de ler as suas.

Dulce disse...

Tem razão, Pitanga,

as celebridades de hoje são puro produto da mídia, imagens contruidas, nada mais...
Os meus tipos inesquecíveis são pessoas que fizeram (ou ainda fazem) a diferença, por onde quer que andem ou tenham andado. Imagino que os seus também...

Pitanga Doce disse...

Sim Dulce! Tenho personagens incríveis que passaram pela minha vida. Bem humorados, criativos, delicados, ranzinzas, amorosos. Teve de tudo. E nunca participaram do Big Brother! hehe

Dulce disse...

Ah, minha amiga Pitange,

se tivessem participado do Big Brother certamente não seriam "tipos inesquecíveis"... rs... passariam como um cometa de ínfima grandeza... rs...

beijos

LOURO disse...

Querida amiga Dulce:

linda postagem...Bela a história do jardineiro...simplicidade,amor,carinho e dedicação,uma formula simples de afecto e respeito...

beijinhos de carinho e amizade,

Lourenço

Dulce disse...

Lourenço

a vida está cheinha de histórias como essa, histórias de amor, dedicação, amizade, respeito, enfim, tudo que nos faz bem, mas por vezes elas ficam esquecidas... É preciso, vez por outra, trazê-las à tona.

beijos

Lourdes disse...

Que engraçado, Dulce.
Afinal somos muitos os que liam as "Selecções".
Já há muito que perdi esse hábito, mas o seu post fez-me recordar tantos artigos interessantes.
Beijinhos

Dulce disse...

Lourdes

Durante décadas essa revista fez parte do hábito de leitura de pessoas de vários países.
Interessante, sim.
beijos

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Em casa dos meus pais as Selecções tinham presença obrigatória, mas confesso que nunca fui muito fã. Já bem adulto, tive um pequeno conflito com eles, por causa da publicidade agresiva que faziam.

Dulce disse...

Carlos

Posso entender.
Você, como jornalista, enxerga coisas que os simples leitores não conseguem alcançar...
E talvez mesmo, por essa publicidade agressiva eles tenham perdido tantos leitores.

JúliaML disse...

aqui em Portugal a Reader's tambem é uma referência e lá em casa a minha avó e pais foram assinantes, faziam colecção. De vez em quando lembro e compro, mas com nostalgia..

Dulce disse...

Julia

As gerações mais antigas (como a minha, por ezemplo)foram grandes leitoras da Seleções.
Adolescente que era nos anos 50 tinha sempre um exemplar por perto.
Faz muitos anos que não a leio.