floquinhos

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ah, as coisas que meus ouvidinhos tem que escutar...


Ai, que os meus ouvidinhos estão tão doloridos!... rs...

Hoje tirei a manhã para cuidar de mim, então marquei hora no cabeleireiro e lá fui eu enfrentando o friozinho e o cinzento do dia, tudo pelo amor aos meus cabelinhos que estavam já precisados de um corte e de um retoquezinho na tintura. Acomodei-me na cadeira e entreguei minhas melenas as mãos habilidosas da funcionária do salão, tentando enganar o tédio que sinto em lugares assim com a leitura (de bordo) especializada em banalidades e fofocas, sempre presentes por lá... mas os assuntos eram de tão pouco interesse que fechei a revista e os olhos e abri meus ouvidos para o que se passava em torno de mim... Ah, que coisa de louco!... As conversas eram tão fúteis quanto as revistas. Discutiam acaloradamente quem deveria ou não sair de uma “fazenda” e aquilo parecia a coisa mais importante de mundo, até que se lembraram do pobre do Michael Jackson e de sua morte prematura e inesperada (segundo elas mesmas). E depois de discutirem a fortuna do astro, cogitarem sobre a possibilidade dele ter morrido pobre (eu, heim?) esforçaram-se por tentar descobrir lá entre elas se ele tivera ou não um filho com a filha do Elvis, e o porque dele ter “querido jogar” um dos filhos pela sacada (imagem exibida fartamente ontem pelos canais de TV), se a casa dele era alugada ou própria - e ai alguém lembrou de uma dívida de milhões de dólares que a tal casa cobriria, enfim, destrincharam o Michael por todos os lados, tadinho, como se já não bastasse a morte ter-lhe chegado numa tarde de verão... E, quando o assunto começou a cansar, e como parecia que o assunto predileto delas era mesmo a desgraça alheia, a dona do salão resolveu lembrar–se “das três jovens muito lindas que haviam morrido numa tentativa de se fazerem mais belas ainda, e o dialogo entre elas transcorreu mais ou menos assim:
- E aquelas três mocinhas que morreram de “limpo”, vocês viram?
Uma das senhoras, espantada, perguntou”
- De que?
E a outra insistiu:
- De limpo.
E como a senhora continuasse sem entender, a auxiliar da proprietária completou:
- Inspiração... Elas morreram de “limpo inspiração”. Já eram tão bonitas. Porque precisavam de uma limpo inspiração?...
Ai meus ouvidinhos se recusaram a ouvir o resto da conversa. Fecharam-se para o mundo e tive que fazer uma força do tamanho do oceano para não explodir numa sonora gargalhada...
Da próxima vez que for ao salão vou levar meu IPod e deixa-lo num volume mais alto que o normal, porque senão meus ouvidinhos vão ficar de mal comigo...

Dulce Costa
Na erudita manhã passada no cabeleireiro do dia vinte e seis de junho do ano de dois mil e nove.

12 comentários:

Maria Emília disse...

É espantosa a frivolidade que grassa por este mundo. Já há muito que aprendi a fechar os ouvidos quando as conversas me incomodam.
Devo a mim própria o direito de não me deixar magoar.
Se conseguissemos transformar em Amor a energia que utilizamos falando da vida alheia, o Mundo decerto seria muito melhor.
Curioso ter-se lembrado de trazer este assunto para aqui. Achei a ideia muito interessante.
Espero que ao menos a tenham penteado bem.
Um abraço,
Maria Emília

Dulce disse...

Maria Emilia

Concordo plenamente com você quando diz que se a meledicIencia fosse transformada em amor, o mundo seria outro. Seria mesmo
O cabelo ficou ótimo. Não fosse pela competência profissional, certamente lá nem iria...

beijos

Isa disse...

Adorei a "estória".
É mesmo o q.se passa em quase todo o mundo,nos cabeleireiros.
Impecável!
Adorei.
Tem selinho no meu espaço:
http://isa-selosemimos.blogspot.com

Beijo.
isa.

Dulce disse...

Pois é, Isa

O ser humano é igual, a história se repete... rs...
Obrigada pelo selinho. Tive visita e não pude ir lá buscá-lo, mas estou indo agora mesmo.
Muitissimo obrigada
beijos

Ana Martins disse...

Penso que a ideia de levar o IPod é genial, pelo menos desfruta de momentos com música a seu gosto, e evita entupir os ouvidos com baboseiras de pessoas que só pensam em condenar os outros e não param para reflectir nos seus próprios defeitos.
E ainda por cima nem sempre sabem o que dizem!!!!!!!!

Beijinhos,
Ana Martins

Dulce disse...

É isso, Ana, disse tudo.
Então, la vou eu de IPod!... rs...

bjs.

Pitanga Doce disse...

Ora muito bem! Mas uma para o clube das que se recusam veementemente quando a funcionária pergunta já com a revista na mão: "quer dar uma olhadinha"? Nããão!

Quanto a morte do Michael Jackson, de fato, perde-se um artista completo: cantor, dançarino e coreógrafo.

Quanto a limpo inspiração, deve ter ocorrido na hora da limpeza do salão em que o aspirador passou perto das meninas e levou-lhes os castores juntos. O Tico e o Teco, coitadinhos.

boa noite Dulce, que "hoje é dia de sofá"

Dulce disse...

Pitanga,

seu comentários são ótimos...
Tico e Teco, é? rs... Tá certo!
Hoje é dia de fazer as malas, por aqui. Amanhã cedo vou para Campinas, para ficar uns dias com meus amores de lá, talvez uma semana, porque no dia 16 embarco para Boston e se não ficar uns dias com eles... xiiii... ficam emburradinhos... Mãe tem mesmo que se dividir... rs...
Mas continuo "in touch" através do meu laptop.
Beijos e bom sofá...

Lourdes disse...

Olá Dulce.
Afinal as conversas de cabeleireiro no Brasil devem ser iguais às de Portugal, assim coo a "literatura". Por aqui passam-se cenas semelhantes.
Não há mesmo pachorra, mas essa do IPod é uma ideia a considerar...
Boa viagem e bom fim de semana.
Beijinhos

Dulce disse...

Lourdes.
Acho mesmo que é o unico jeito de não se ouvir muita tolice... rs... Colocam-se os fones de ouvido e é só música... rs...
beijos, obrigada e bom final de semana para você também.

Pitanga Doce disse...

Viagens, mudanças , sempre nos fazem bem. Divirta-se Dulce.

um beijo

Dulce disse...

Pitanga

Obrigada.
Foi um dia incrível.
Ja estou na casa de meu filho, no cantinho que eles tem sempre prontinho para me receberem.
beijos