floquinhos

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Meus Poetas do Coração - Manuel Bandeira


O anel de vidro

Aquele pequenino anel que tu me deste,
– Ai de mim – era vidro e logo se quebrou…
Assim também o eterno amor que prometeste,
- Eterno! era bem pouco e cedo se acabou.

Frágil penhor que foi do amor que me tiveste,
Símbolo da afeição que o tempo aniquilou, –
Aquele pequenino anel que tu me deste,
– Ai de mim – era vidro e logo se quebrou…

Não me turbou, porém, o despeito que investe
Gritando maldições contra aquilo que amou.
De ti conservo no peito a saudade celeste…
Como também guardei o pó que me ficou
Daquele pequenino anel que tu me deste…
___________________________________

Este poema de Bandeira é quase uma cantiga de roda. É como se fora uma ciranda que costumávamos cantar lá naquela rua antiga, em meus verdes anos, nas tardes ou noites de verão. Se fechar meus olhos vou poder ouvir, vindas la do fundo de minha alma alegres vozes infantis ao mesmo tempo em que, em minhas retinas, pouco a pouco vão se formando imagens São meninas de mãos dadas, brincando de roda... Reconheço-as! Lá está a Neyde, a Zizinha, a Zeza, a Tatinha, a Carmela... Estão todas lá... Estou entre elas. Sorriem enquanto cantam e vão rodando, rodando... Sorrio, canto e rodo com elas na ciranda, cirandinha...
E enquanto vou me envolvendo pela magia de um momento que foi meu, sem que sequer me dê conta disso, pego-me cantarolando, acompanhando a ciranda...

"Ciranda, cirandinha,
vamos todos cirandar...
Vamos dar a meia volta,
volta e meia vamos dar...

O anel que tu me destes
era vidro e se quebrou,
o amor que tu me tinhas
era pouco e se acabou..."

Será que, quando menino, Bandeira brincava de roda? Ou será que ficava a um canto, na curva de uma esquina, atrás de um poste, espiando as meninas em seus jogos, em suas brincadeiras, em suas cantigas de roda para, mais tarde, em doces lembranças daqueles tempos, recordando talvez um primeiro e platônico amor, tecer-lhe versos encantados?...
Ah, a alma dos poetas!...


28 comentários:

Osvaldo disse...

Oi Dulce;

O Manuel Bandeira sempre fez, faz e fará parte das brincadeiras de roda nas escolas, parques infantis e lembro mesmo de ainda adolescentes "rodarmos" suas "modinhas" no Liceu. Mais tarde cantei estas modinhas para a minha filha e para meu filho...
Manuel Bandeira, foi, povo e foi pro povo que ele fez seus poemas que deram cantigas de roda...

bjs, Dulce.
Osvaldo

Dulce disse...

Osvaldo, bom dia.

Um poeta que marca a infância, a adolescência, a juventude, a maturidade de todos nós... Em cada uma dessas fases encontramos a poesia certa de Bandeira para definir sentimentos que nem sempre sabemos explicar.
Beijos.

Isa disse...

Sabe que nós sabíamos esta canção e
fazíamos a roda?
Q. bom relembrar,aqui.
Beijo.
isa.

Dulce disse...

Isa

Boa lembranças sempre fazem bem ao coração, não é, amiga?
beijos e bom dia

Pitanga Doce disse...

Também brinquei de roda mas só quando era bem pequena. Quando entrei para escola já as bricadeiras eram de pique esconde ou pique bandeira e eu não gostava nada. Ficava a um canto procurando as joaninhas no jardim da escola. Hoje as meninas nem sabem as músicas de roda e nem existem mais as joaninhas nos jardins. Onde elas foram parar? As joaninhas?


bom dia Dulce (aqui sol, por enquanto)

Carlos Albuquerque disse...

Amiga Dulce,

Quantas recordações...
Puxo as palavras do Osvaldo.
///
Em Prosa e Verso tem referência hoje no meu blog.

Beijos

Carlos Albuquerque disse...

De novo.
Andei pesquisando e encontrei:

http://www.youtube.com/watch?v=rxJRkzqMK_s

Gostou?

Beijos

Dulce disse...

Pitanga Doce

E quem sabe, minha amiga? Quem sabe?... Esconderam-se, talvez, com medo da vida e da maldade dos homens que já não param para admirá-las, para com elas brincarem...
Beijos / Por aqui, sol escancarado.

Dulce disse...

Carlos Albuquerque

As palavras do Osvaldo merecem mesmo serem puxadas pois são perfeitas para o poema de hoje.
Estou chegando lá no seu cantinho para conferir... rs
Beijos e, antecipadamente, obrigada

Dulce disse...

Carlos Albuquerque

Simplesmente adorável!...
Voltei no tempo, com tantas saudades, tantas lembranças... Não deu para segurar as lágrimas, acredite... Muito, mas muito obrigada.
Beijos, meu amigo...

Agulheta disse...

Querida Dulce.Já comentei algumas vezes, que gosto de alguns poetas de eleição,este é mais um,quanto à brincadeiras de roda,porque gostei deste sublinhar da infância,hoje nem isso vejo nas escolas,e como diz a Pitanga nem as joaninhas vejo,tudo acaba deve ser da poluição.
Beijinhos Lisa

Graça disse...

Dulce,

Pode acreditar: Manuel Bandeira vivenciou tudinho o que você desconfia...

Minha amiga!
Amei a tua continuação do Conto Interativo lá no Empório... Ah, Dr. Hernández, obedeça, por favor...rs

Excelente. E me desculpe comentar por aqui, mas lá é só prosseguir,né, e tb quero dizer uma coisinha para ti: Sra. Dulce, por que não posta aqui também contos de sua autoria???
Garanto que seus seguidores amigos irão amar. Pense nisto.
Um forte abraço!

Dulce disse...

Agulheta

E não é uma pena que as crianças de hoje não vivam momentos tão ternos, não experimentem a doçura das coisas simples?
E as joaninhas, tão lindas... que pena!
Beijos e linda tarde para você.

Dulce disse...

Graça

Não tivesse vivenciado e certamente não teria em si tanta poesia.

Quanto ao Dr. Hernandez, và lá e ponha-o na linha... rs...

Não se desculpe, Graça, fique a vontade, aqui é minha casa, de portas e janelas abertas para quem quiser entrar ou olhar... Fique a vontade para os comentários de cá e do Empório.

Quanto aos contos, nunca os escrevi, sou uma cronista (de pé quebrado) que nem se atreveu a tentar chegar a contista. Por isso estou adorando esses contos do Empório, estou aprendendo com vocês a arte de escrever contos.
Muito obrigada, Graça, pelo insentivo, pelo estimulo, enfim, por tudo.
Beijos

Vitor Chuva disse...

Olá Dulce!

Quando recordadas, músicas e cantigas são uma linda forma de nos transportarmos ao passado. Viajando nelas conseguimos revisitar lugares e pessoas, como se o tempo tivesse andado para trás - e às vezes sabe tão bem!

Beijinhos!

Vitor Chuva

Fernanda disse...

Querida amiga Dulce.

Bonito esse poema em forma de canção, muito bem intercalado com a sua prosa. Bons tempos esses.

Agora as crainças só gritam, não brincam agridem-se, quando conversam... sussuram entra elas ou entre eles coisas de adultos, porcarias que viram na TV, sei lá...

Beijos

Lu C. disse...

Dulce, linda,vc me fez lembrar de minha infância. Obrigada por esse momento.

O conto interativo está de arrasar. Tua continuação revirou minha cabeça de tão brilhante,e não resisti postei logo uma continuação.

Está uma loucura. Vai ver.

ultrabeijos cara mia!!

Sandra disse...

Linda postagem amiga. AQuantas e quantas vezes brinquei de ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar...
Lindo.
Sandra.

Tem um lindo selo para vc. na curiosa.
Sandra

Sonhadora disse...

Dulce
Gostei muito...pura magia
Um Beijo
Sonhadora

Dulce disse...

Vitor

Há na vida momentos que ficam guardados para sempre. e a infância de cada um é povoada desses momentos.
Beijos

Dulce disse...



Sempre lamentei que meus netos não vivessem momentos assim, porque perderam a duçura do que é simples.
Beijos

Dulce disse...

Lu

Lindos momentos sempre nos comovem quando os lembramos.

Ah, vou la ver como anda esse conto, sim... rs... tenho certeza que você o encaminhou muito bem.
Beijos

Dulce disse...

Sandra,

Obrigada, vou passar por lá para retira-lo e, como sempre, levar para guarda-lo la no Livro dos Meus Selos
beijos

Dulce disse...

Sonhadora

A magia da infância, dos verdes anos, quando a vida sorri e nós sorrimos junto.
beijos

M. Lourdes disse...

Amiga Dulce
Não sei se Manuel Bandeira brincava de roda, mas eu sim. E ao ler este seu texto cheguei a emocionar-me. Lembrei todas aquelas amiguinhas com quem eu também brincava exactamente com as mesmas brincadeiras.
Lindas recordações.
Vou uns dias de férias e estarei de volta no início de Dezembro.
Até lá um beijinho.

Dulce disse...

Lourdes
Fça uma otima viagem, boas férias, até a volta.
beijos

Dora Regina disse...

Viajei agora....Tive lindas recordações.
Obrigada pela partilha!!!
Abraços...

Dulce disse...

Dora Regina

Tão bom recordar, não?
beijos e boa noite