floquinhos

sábado, 24 de janeiro de 2009

SOBRE A PASSAGEM DO TEMPO


Em visita ao blog "Cronicas do Rochedo" de Carlos Barbosa de Oliveira, da cidade de Lisboa, PT, deparei-me com um texto que narra uma história que lhe era contada por seu avô, quando o autor era ainda um menino, a respeito da passagem do tempo, história que nos traz um ensinamento, história que é sabedoria pura, dessas que só a experiência dos anos bem vividos podem nos trazer. História que, com a expressa autorização do autor, coloco aqui para vocês.

Que tempo tem?

(Carlos Barbosa de Oliveira)

Andamos todos obcecados com a falta de tempo. Ninguém tem tempo para nada. Deixámo-nos enredar numa teia de rotinas e vemos o tempo passar por nós sem nos apercebermos. O trabalho ocupa de tal maneira o nosso tempo, que perdemos a possibilidade de fruir as coisas boas da vida. Deixamos que a vida passe por nós sem lhe darmos o devido valor.

Em miúdo, quando manifestava o desejo de atingir rapidamente os 18 anos, o meu avô costumava contar-me a história de um menino que um dia encontrou uma Fada que lhe deu a oportunidade de pedir 3 desejos.
O menino começou por pedir para se ver aos 18 anos, com uma namorada muito bonita ao seu lado . A Fada satisfez-lhe o desejo.
O menino fez então segundo pedido. Queria ser adulto, estar casado, ter filhos, um bom emprego, uma boa casa e muitos carros na garagem.
A Fada satisfez-lhe o pedido... mas na altura o menino já tinha chegado quase aos 50 anos, em escassos segundos.
Foi então que pediu o terceiro desejo:
“Fada, quero voltar a ser criança!”
A Fada olhou-o com ar compungido e respondeu:
“Esse desejo não te posso satisfazer. Tenho todos os poderes, menos um… o de fazer recuar o tempo”.
O menino olhou-a com ar triste e perguntou:
"E agora quanto tempo tenho para viver?"
“Aquele que souberes aproveitar. Não sejas ansioso com o dia de amanhã e vive cada dia na sua plenitude”.

Quando o meu avô me contava esta história, não achava muita piada, mas à medida que fui crescendo, comecei a compreendê-la melhor. Quando fui viver para Macau, trabalhei e convivi muito com chineses. Com eles adquiri uma nova noção de tempo e estabeleci nova escala de prioridades na minha vida. Tornei-me mais calmo e aprendi a saborear o tempo.
Nas últimas semanas, comecei a notar que me escasseava o tempo. Ainda não fui ao cinema este ano, apenas li um livro e até deixei de ter tempo para responder aos vossos comentários com a assiduidade habitual. Pus o trabalho como prioridade, mas não quero que volte a ser esse o lema da minha vida. A calma voltará dentro de momentos.

http://cronicasdorochedo.blogspot.com/

2 comentários:

Lourdes disse...

Essa história contada pora um avô há alguns anos continua actual. Cada vez os jovens querem ser adultos mais cedo e não aproveitam cada etapa da vida na ânsia de chegar à próxima.
No entanto, vai chegar a altura em que se vão arrepender de não ter vivido algumas experiências no tempo próprio. Mas, aí já não haverá retorno e, passarão pela vida sem tirar proveito de muitas das coisas boas que ela lhes poderia proporcionar.

Dulce disse...

E bem verdade, Lourdes
Mesmo porque, qualquer época da vida é preciosa e deve ser vivida da melhor forma possível.As novas gerações quase não tem infância, querem pular a adolescência, tempos tão necessários ao desenvolvimento e ao aprendizado da vida...
bjs