floquinhos

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Tarde de chuva em Winchester...

(O chá da tarde não pode ser tomado no jardim... )

Desde que sai de casa, há quinze dias, estou prometendo aos amigos mais algumas fotos daqui. E vou deixando para depois... Hoje o dia foi de muita chuva e todos sabem que gosto de chuva, gosto muito. Então, a chuva sobre o gramado, molhando as árvores do bosque, embaçando a paisagem, pondo ternura em meu coração, fazendo a saudade doer mais mais docemente... Ah, não deu para resistir. E mesmo através das janelas foi captando momentos que deixo agora aqui para quem estava cobrando esses retalhinhos de vida.

(Clique nas imagens para ampliar e ver melhor.)

(Perco meu olhar numa tarde assim... Perco-me em sonhos...)

(Mesmo com toda aquela água caindo, o funcionário da Verizon continuou seu trabalho, instalando novos cabos.)

(O bosque, todo molhado, toma um ar melancólico. Nem me atrevi a ir até o lago...)

Num dia de sol, numa noite de lua (ontem dona Lua estava soberba), numa manhã de paz, numa tarde de inquietação, sempre vai haver novos momentos a serem captados, e eu vou tentar, prometo... rs... Um passeio de carro - adoro tirar fotos com o carro em movimento - num café no Starbucks, na pracinha tomando sorvete, sei lá... basta a câmera na mão. E a paciência dos amigos, para aguentar o amadorismo desta pseudo fotógrafa. Mas eu ainda aprendo... rs...

Amar... Quem define?... (2)

(Clique na imagem para amplia-la)

"Amar é sorrir por nada e ficar triste sem motivos, é sentir-se só no meio da multidão, é o ciúme sem sentido, é ser feliz de verdade."

(Albert Camus)

- Foto tirada num passeio pelo bosque. O patinho nadava feliz pelo lago... Não resisti e trouxe-o para que o vissem.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

No tempo de ser vovó...

Meus gringuinhos e eu...

Estavamos a mesa de almoço quando meu neto Alexander, de 8 anos, olhando para o irmão, disse: " I love Dulce Camp"... Olhei para ele que continuou em português - " É muito melhor que o outro"... Sem entender o que ele queria dizer, apenas disse - "Explique", porque as vezes, no meio de uma frase em português ele entra com palavras em inglês, sem perceber. Ele apenas olhou para mim e disse - Dulce Camp is much better"...." Ok, mas explique, não entendi..." Então o Philip explicou que os primeiros quinze dias do mês das férias, quando eles ficaram com o pai, na verdade eles ficaram no Meadow Breeze Camp. Iam pela manhã e retornavam a tardinha e agora, no mes de ficarem com minha filha, e porque ela tinha que sair para trabalhar, eles estavam frequentando o Dulce Camp, que era muito melhor... Que era muito melhor ficar com a vovô, porque a comida era quentinha, gostosa, que tinham o cafezinho da tarde sempre com novidades, etc. etc... Então eu olhei séria, para eles e, fingindo zanga, perguntei se o Dulce Camp só era bom porque eles ficavam sem fazer nada e comendo o que gostavam... Olharam espantados para mim e o Alexander correu para me abraçar dizendo: "Não e nada disso, vovó Dulce... Nós gostamos mais porque we love you!..."
E a vovô está até agora tentando recolher o coração que se desmanchou de tanta ternura...

Cecilia Meireles torna doce minha manhã...

Cecilia Meireles traz doçura em forma de poesia. Doçura que, espero, envolva sua manhã...

Serenata

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.

Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.

Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo


terça-feira, 28 de julho de 2009

Sou como você me vê...


"Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar."

(Clarice Lispector)


segunda-feira, 27 de julho de 2009

Numa noite sem estrelas...

(Moça na janela - Salvador Dali)

Na quente noite de verão, sem poder dormir, encaminhou-se para a janela, afastou as cortinas e debruçando-se no parapeito deixou que seus olhos se perdessem na imensidão do céu quase sem estrelas. Pareceu-lhe um céu meio triste, carente da beleza e do brilho das estrelas que tantas vezes tomara por confidente, que tantas vezes a haviam visto chorar ou rir, ou cantar baixinho, usando as canções para extravasar o amor, a dor, o ciúme, a mágoa, para exteriorizar sentimentos em seus momentos mais íntimos, mais profundos... Onde estariam as estrelas, suas doces confidentes? Onde? Até seu brilho o homem conseguira ofuscar,
Com um travo de tristeza a apertar-lhe o coração, deixou a janela e sentou-se na poltrona ao lado, tentando entender porque estava tão inquieta naquela noite. Já acordara assim pela manhã. Bem que tentara ocupar-se durante todo o dia com seus afazeres, seus livros, mas aquela sensação não a deixara por um minuto sequer
E, na tentativa desse entendimento, foi mergulhando em seu íntimo, perguntando-se o que poderia significar aquele turbilhão que parecia viver aprisionado dentro de sua alma, querendo escapar e aproveitando qualquer momento de fragilidade para se mostrar, para dizer que existia e que ela estava longe de ser o lago sereno que pensava ser.
Tantas e tantas vezes desejara abrir as comportas, deixar escapar o que vinha guardando há séculos dentro de si, escondido até de si mesma. Mas deixar escapar o que, se nem mesmo ela sabia o que poderia ser? Não, aquele não era um momento propício para entendimentos... Sua alma estava confusa demais.

E com lágrimas a escorrer-lhe pelo rosto ela se deu conta de que tudo o que sabia naquela noite era que não havia estrelas no céu, nem luar para amenizar seu coração, que não haveria respostas para perguntas imprecisas, e que, definitivamente, não havia paz em seu triste coração,

Começa-se a semana com a poesia de Fernando Pessoa...


Realidade


(Alvaro de Campos)

Sim, passava aqui frequentemente há vinte anos...

Nada está mudado — ou, pelo menos, não dou por isto —
Nesta localidade da cidade ...

Há vinte anos!...
O que eu era então! Ora, era outro...
Há vinte anos, e as casas não sabem de nada...

Vinte anos inúteis (e sei lá se o foram!
Sei eu o que é útil ou inútil?)...
Vinte anos perdidos (mas o que seria ganhá-los?)

Tento reconstruir na minha imaginação
Quem eu era e como era quando por aqui passava
Há vinte anos...
Não me lembro, não me posso lembrar.

O outro que aqui passava, então,
Se existisse hoje, talvez se lembrasse...
Há tanta personagem de romance que conheço melhor por dentro
De que esse eu-mesmo que há vinte anos passava por aqui!

Sim, o mistério do tempo.
Sim, o não se saber nada,
Sim, o termos todos nascido a bordo
Sim, sim, tudo isso, ou outra forma de o dizer...

Daquela janela do segundo andar, ainda idêntica a si mesma,
Debruçava-se então uma rapariga mais velha que eu, mais
lembradamente de azul.

Hoje, se calhar, está o quê?
Podemos imaginar tudo do que nada sabemos.
Estou parado físisca e moralmente: não quero imaginar nada...

Houve um dia em que subi esta rua pensando alegremente no futuro,
Pois Deus dá licença que o que não existe seja fortemente iluminado,
Hoje, descendo esta rua, nem no passado penso alegremente.
Quando muito, nem penso...
Tenho a impressão que as duas figuras se cruzaram na rua, nem então nem agora,
Mas aqui mesmo, sem tempo a perturbar o cruzamento.

Olhamos indiferentemente um para o outro.
E eu o antigo lá subi a rua imaginando um futuro girassol,
E eu o moderno lá desci a rua não imaginando nada.

Talvez isso realmente se desse...
Verdadeiramente se desse...
Sim, carnalmente se desse...

Sim, talvez...


domingo, 26 de julho de 2009

No dia da vovó, uma rosa e meu carinho...


Espero que ainda esteja em tempo para dar um abraço carinhoso em cada uma das avós da blogessfera neste dia dedicado a todas nós, vovós.
Aceitem também esta linda e perfumada rosa que colhi agorinha mesmo no jardim da casa, especialmente para vocês...

PARABENS A TODAS AS VOVOS.

Certamente Ele não teria mudado o mundo se...


Domingo de sol, iluminado, azul, tranquilo... Os kids, em férias com o pai, na Suécia, em visita aos avós, retornam hoje e a paz fica então meio complicada com a agitação que passa a reinar, por aqui Uma agitação plena de alegria que a presença que os pequenos sempre nos traz. Mas enquanto reina a paz vou aproveitando para passear mais um pouco entre os blogs amigos ou para conhecer outros blogs e sempre encontro textos surpreendentes, interessantes, como este que hoje coloco aqui para a apreciacão dos amigos e leitores deste blog, com a autorização da Cristal, do lindo blog "
Sem tom nem som". Espero que gostem.

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NAQUELE TEMPO...

(Humor sobre o sistema educativo...)

Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os, dizendo:

- Em verdade vos digo: Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...
Pedro interrompeu:
- Temos que aprender isso de cor?
André disse:
- Temos que copiá-lo para o papiro?
Simão perguntou:
- Vamos ter teste sobre isso?
Tiago, o Menor queixou-se:
- O Tiago, o Maior está sentado à minha frente, não vejo nada!

Tiago, o Maior gritou:
- Cala-te queixinhas!
Filipe lamentou-se:
- Esqueci-me do papiro-diário.
Bartolomeu quis saber:
- Temos de tirar apontamentos?
João levantou a mão:
- Posso ir à casa de banho?
Judas Iscariotes exclamou(Judas Iscariotes era mesmo malvado, com retenção repetida e vindo de outro Mestre):
- Para que é que serve isto tudo?
Tomé inquietou-se:
- Há fórmulas? Vamos resolver problemas?
Judas Tadeu reclamou:
- Podemos ao menos usar o ábaco?
Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada... ninguém entendeu nada!
Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:
- Onde está a tua planificação? Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didática mediatizada? E a avaliação diagnóstica? E a avaliação institucional? Quais são as tuas expectativas de sucesso? Tens a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão? Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios? Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem? Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo? E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais? Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes? Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?
Caifás, o pior de todos os fariseus, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva!
E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos...

sábado, 25 de julho de 2009

Como dizia Drummond...


"Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade."

Um brinde ao aniversariante,,,


O lindo blog "Mar de Chamas", da querida amiga Lisa (Agulheta), completa dois anos no ar. E para comemorar ela oferece aos amigos este selinho que já tem seu lugar reservado no Livro dos Meus Selos.
Um brinde ao Mar de Chamas... Um brinde a Lisa!
Parabéns e obrigada, Lisa.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Lembranças que a chuva traz...


Chove... Chove... Chove... Meu Deus, como chove!...
Chove tanto que algumas flores do jardim até encolheram, outras despetalaram... Os esquilos que normalmente passeiam por sobre o gramado em busca de algum alimento perdido, preferiram ficar em suas tocas e os pássaros certamente recolheram-se a seus ninhos. Não se ouve ruido algum além do barulho da chuva caindo no telhado. Parece mais uma chuva de primavera, daquelas que chegam para ficar, do que uma chuva de verão. Na verdade, este verão está meio atípico, ainda não faz calor e já caminhamos para o mês de agosto. Aliás, acho que o clima anda meio maluco no mundo todo.

O dia é cinzento, o dia é de paz e aconchego. Estando só na casa e, como diria uma saudosa amiga, ouvindo o silêncio, o pensamento solto entabula histórias, cria fantasias, persegue lembranças. Lembranças de outras chuvas, de outros momentos que ficaram guardados na memória...
Como o de uma noite em que, logo no inîcio de namoro com o homem que mais tarde seria meu marido, dávamos umas voltas em torno do quarteirão, quando fomos surpreendidos por uma chuva inesperada e tivemos que nos abrigar sob a marquise de um prédio. A proximidade de nossos corpos, a chuva espalhando seu ar de cumplicidade... Senti sua mão envolvendo a minha e ergui meus olhos para ele. Havia tanta ternura em seu olhar, ternura que foi me invadindo enquanto meus olhos perdiam-se nos dele... E assim ficamos, olhos no olhos, mão na mão, almas entrelaçadas, magia no ar... Foi um dos momentos mais doces e mais bonitos de minha vida, Não houve sequer um beijo. Apenas a certeza de que haviamos encontrado alguém que ficaria para sempre dentro de nós, alguém que nos completava. E, de mãos dadas, seguimos juntos por mais de quarenta anos e hoje que ele é minha saudade, evoco lembranças que me emocionam, que me embalam neste cinzento dia de chuva...


Dulce Costa
Na chuvosa manhã desta quinta feira, vinte e quatro de julho, de dois mil e nove.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Um Pensamento...


Vida...

Cada um que passa em nossa vida passa sozinho...
Porque cada pessoa é única para nós, e nenhuma substitui a outra...

Cada um que passa em nossa vida passa sozinho, mas não vai só...

Leva um pouco de nós mesmos e deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito, mas não há os que não levam nada.
Há os que deixam muito, mas não há os que não deixam nada.

Esta é a mais bela realidade da vida...
A prova tremenda de que cada um é importante e que ninguém se aproxima do outro por acaso!

(Antoine de Saint Exupery)

Folhas farfalhando ao vento, o feitiço da lua...

Lá fora a escuridão começava a se dissipar e a noite que estivera envolta em silêncio trazia agora o barulho do vento nas ramas da palmeira que crescia junto ao muro dos fundos da casa., um barulho suave, de folhas se entrelaçando. De olhos fechados, a alma sentindo-se livre embrenhou-se pelo tempo, levada pelo próprio vento...
Décadas atrás, Interior de Sergipe! Sim, o lugar era esse e fora por força do trabalho de seu marido, que tivera que se mudar para lá. A cidadezinha acanhada era, naqueles dias, o lar que abrigava a ela e a sua família ainda em formação. A casa em que moravam, era tão acanhada quanto a própria cidade, pelo menos para ela, nascida e crescida numa cidade grande, acostumada aos confortos de São Paulo. Ainda tão jovem, tão inexperiente e de repente (parecia mesmo ter sido de repente, não mais que repente...) via-se responsável pelos cuidados de uma família, dois filhos pequeninos ainda, longe de tudo que entendia como sendo seu chão...
Sentia-se acuada, amedrontada e, naquele momento, tomada por uma angústia, parecia sufocar na escuridão do quarto. O silêncio que só era entrecortado pelo ressonar do marido, que dormia a sono solto, foi quebrado pelo doce farfalhar do vento nas folhas dos coqueiros do quintal da casa vizinha, que chegava como um apelo. Sem se lembrar do que a fizera sair da cama, viu-se abrindo as largas folhas de madeira da janela para mergulhar no encantamento da noite... Um luar imenso esparramava-se por sobre a cidade que dormia sob um céu todinho estrelado. As folhagens dos coqueiros vergadas pelo vento produziam o som da paz. Paz que a foi envolvendo, pouco a pouco, aturdida que estava diante de tanta beleza. Não se lembrava de ter visto um cenário como aquele, e mesmo muitas décadas depois ainda não conseguiria lembrar-se de outro momento tão encantado em sua relação de deslumbramento diante da natureza.
Lágrimas começaram a escorrer por seu rosto num choro manso, Talvez o primeiro dos muitos outros que viriam lavar sua alma tantas vezes, ao longo de sua vida. E por um tempo que lhe pareceu imenso, ficou ali, entre o céu de Sergipe e a terra dos seus temores, da sua insegurança. E assim foi-se deixando ficar até que a alma se sentisse lavada, em paz, serena como nunca estivera antes.
Sô décadas mais tarde entenderia que aquele momento fora como um rito de passagem quando, deixando para trás os sonhos desfeitos de uma quase menina de vinte anos começou a assumir os novos sonhos de uma jovem mulher que parecia finalmente situar-se num novo contexto de vida.

Dulce Costa

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Na tarde chuvosa, a poesia de Florbela Espanca



Alma Perdida

Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma da gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!

Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na Dor, suavemente...
Talvez sejas a alma, a alma doente
Dalguém que quis amar e nunca amou!

Toda a noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!

Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh'alma
Que chorasse perdida em tua voz!...

Não estou entendendo... Cadê os Seguidores???


Desde ontem a noite o "Em Prosa e Verso" anda encafifado... Não é que o quadro dos "Seguidores" simplesmente desapareceu? Lá está o espaço vazio, apenas com o título, mais nada!... Como pode? Lá no painel consta o número de seguidores, no Layout indica que está instalado, mas... cadê ele?

Gastei um tempão pesquisando, procurando a resposta em outros blogs, em foruns, enfim cansei e não achei solução. Só quero que meus amigos lá inscritos saibam que podem não estar aparecendo na página mas estão sempre presentes neste blog e vou continuar procurando o caminho, porque achava uma delicia ve-los por lá. E sem a carinha amiga de vocês, o "Em Prosa e Verso" ficou com um ar mais tristinho...
E se algum de vocês já tiver passado por isso e puder me ajudar, vou agradecer muito.

Meus queridos amigos,

Os amigos Lourenço e Osvaldo, sempre muito atenciosos já me informaram que esse problema só está aqui, na minha página, que o quadro Seguidores continua aparecendo normalmente em todos os blogs amigos.


Obrigada, Lourenço e Osvando, pela atenção e pela gentileza de me informarem.


terça-feira, 21 de julho de 2009

Dois selinhos cheios de arte...



O "Em Prosa e Verso, mais uma vez cheio de prosa, recebe dois lindos selinhos do excelente Blog Wallarte, da talentosa amiga Waléria, que a partir de agora ocupam os lugares que lhes são devidos no "Livro dos Meus Selos"

Muito obrigada, Waléria

Margaridas numa tarde de chuva.


Michael Bublê cantou suas lindas e doces canções, para nós, aqui, por vários dias, então achei que era hora de mudar. Fiquei matutando sobre que música poderia substituir Bublê a altura, e parti para a música francesa, fui la buscar a insubstiuivel Piaf. Montei a lista e achei que estaria bem. Mas quando abri a página... não, alguma coisa não batia. Não combinava... destoava da página, de mim, do momento. Resoluta pensei nuns boleros, daqueles que dançava na adolescência, com o toque moderno de Luis Miguel. Fácil!... Tantos tão lindos. Lista montada, adicionada ao blog, desci para almoçar e na volta fui abrir a página e... não... o dia hoje não pede bolero. Está chovendo, um friozinho gostoso, leve, arrepiando a pele... Bom, resumindo, eu sabia muito bem o que estava faltando, o que a alma estava esperando ouvir a cada vez que abrisse a página... Quando inquieta, a senhora minha alma precisa do Elvis para soltar suas amarras, vagar pelo sonho, dançar suas fantasias... Sempre que se inquieta, precisa de Mr. Presley... Então, ai está ele cantando para nós, para alegria dos que gostam, com as minhas desculpas para os que não gostam - será que há alguém que não goste? Claro que deve haver. Então, para você que não gosta, deixo as lindas margaridas que decoram este post e que foram colhidas hoje, no jardim da casa, como mimo merecido por sua compreensão.

PS - É claro que quem gosta do Elvis também pode levar uma margarida, como prêmio pelo seu bom gosto... (rs)

Um doce despertar

(E no jardim, a rosa perfuma a manhã)

Ah, acordar assim, antes do sol nascer e, antes mesmo de abrir os olhos, sentir que sua alma continua ainda divagando pelos espaços do tempo já percorrido, como se quisesse reencontrar um bem perdido, ou mesmo esquecido numa das esquinas da vida... acordar com a sensação de uma presença a seu lado, estender sua mão e só tocar o vazio, o nada... E lembrar que esse nada tem sido presença constante em sua vida há tanto tempo... E como num passe de mágica, você se dá conta do imenso caldeirão de emoções que sempre trouxe junto de si, de que são tantos os contrastes que formam uma vida, que pavimentam um caminhar... Carregamos dentro de nós um manancial de ternura e as vezes uma torrente de amarguras, um imenso desejo de amar contrapondo o indesejável odiar, uma alegria que ilumina, uma tristeza que dilacera, uma autoconfiança que nos impulsiona e uma timidez que nos trava. Temos em nós a gratidão pelo bem que recebemos e a imensa mágoa que uma traição, que um falso amigo, que um fingido amor cravou lá no fundinho de nossa alma... e são tantas as traições, tantas... Ainda bem que temos a compensação da lealdade, da verdade que tantos trazem em si e que nos oferecem como dádivas, como rosas, lindas e encarnadas rosas que perfumam nosso tempo, nosso espaço, nossa vida... Acordar assim, madrugada ainda, deixar a alma solta, caminhando e caminhando pelas alamedas do tempo e vê-la voltar depois, cansada, quase vergada pelo peso de tantas lembranças, mas feliz por cada momento revivido nessa quase fuga, recebe-la de volta com carinho, permitir que ela reencontre a serenidade e que se dê a chance de continuar sem amarras, apenas com a certeza de que mesmo nos piores momentos, valeu a pena o caminhar, muito mesmo, e que enquanto esse caminhar tiver chão a percorrer que cada passo seja feito em paz, com serenidade e sempre com muito amor, porque na verdade, foi essa imensa ânsia de amar, esse transbordamento de carinho que essa alma trouxe consigo desde sempre, que determinou a rota, o rumo a ser seguido pelas estradas do tempo e da vida.
Assim acordei hoje... Assim, em paz com a vida e com seu caminhar... Já se faz dia, já há canto de pássaros adoçando meu despertar, já é hora de dizer bom dia.

(Dulce Costa)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Um blog de se tirar o chapéu...


E neste dia do amigo, a Sandra, do lindo Blog "Curiosa" presenteia seus amigos e seus seguidores com este lindo selinho, que vou guardar carinhosamente no "Livro dos meus selos"

Obrigada, Sandra, pelo selo e pela amizade.

No Dia Internacional do Amigo...


Nada dá mais alegria e aconchego ao coração do que a presença de um amigo.
E neste dia dedicado a esse ser especial e imprescindível na vida de cada um de nós, poderia oferecer a cada um de meus amigos tão queridos, uma flor, mas ao invés disso, ofereço um delicioso berry, colhido no pé, aqui no quintal da casa.
Para vocês, com carinho e com meu agradecimento por fazerem parte de minha vida, por iluminarem meus caminhos

Feliz Dia Do Amigo!

Dulce

domingo, 19 de julho de 2009

Um pensamento...

Uma rua, em Boston

(clique na imagem para amplia-la)

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."

(Carlos Drummond de Andrade)

Sol, luz, reflexos de cores

Na manhã de um domingo ensolarado, A poesia de Mario Quintana...

PRESENÇA

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu te sentir
como sinto – em mim – a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te!

sábado, 18 de julho de 2009

A casa que me acolhe

Fotos da casa que me acolhe aqui em Winchester, MA - frente e lateral. As flores se ressentem do forte calor
(clique nas imagens para amplia-las)

O dia amanheceu nublado, choveu durante a note (as plantas agradeceram) o clima está ameno.
O silencio só é cortado pelo canto dos pássaros no bosque atrás da casa. Dia de descansar, talvez um cineminha a tarde, um café ao anoitecer no centro da cidade, se bem que nesta época do ano cai melhor um sorvete, mas sempre há a opção de um cafe latte geladinho lá mesmo no Starbucks, enfim, o bom é sair com minha filha, ficar proseando, estar ao "dolce fare niente" de um anoitecer de sábado...
Só uma curiosidade: Aqui as casas ainda permanecem com as janelas abertas e os carros ficam nas ruas, destrancados. Uma delícia dormir de janela aberta, sentindo a aragem fresca da noite refrescando o quarto, andar sem medo pelas ruas... Coisas de cidade pequena... Tanta paz!...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

De novo aqui, amigos...

Flores do Jardim da Angélica (minha filha)

(Clique na imagem para ampliar)


Meus amigos, depois de mais de vinte horas de viagem, contando o tempo gasto nos aeroportos (Cumbica, Washington, até chegar a Boston), da alegria de estar com minha filha (meus netos estão passando uns dias na casa dos avós paternos na Suécia), depois de tanta coisa para falar, tanto caso para contar, finalmente venho para meu cantinho. Por hoje só quero deseja-lhes uma boa noite e reiterar meus agradecimentos pelo carinho e atenção que me dispensaram.
Amanhã volto ao normal (espero... rs...)

Confesso que o cansaço está quase me vencendo... Preciso de uma caminha... rs...

Obrigada por tudo e beijo em cada um de vocês.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Apenas para desejar bom dia.

Entre uma mala que se fecha e outra ainda por completar, tirei um tempinho para vir desejar a meus amigos e leitores um bom dia. Muito sol e muita paz em suas vidas no dia de hoje, e sempre.
Volta a falar-lhes amanhã, já do meu cantinho lá no hemisfério norte, contando as novidades. Até lá e um beijo para cada um de vocês.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Um selo que é um encanto...


A gentil amiga Maria Emilia, do lindo blog "Tal Qual Sou" está muito feliz por ter alcançado a invejável marca de 5000 visitantes e 100 seguidores em apenas seis meses de existência. E para festejar essa marca, gentilmente oferece a seus amigos e leitores o lindo selo que ostentamos nesta postagem e que guardaremos com carinho no "Meu Livro de Selos".
Muito obrigada, Maria Emília e saiba que fico muito feliz com o sucesso do seu lindo blog.

Como um marinheiro de primeira viagem...


É sempre assim! Cada vez que vou viajar á a mesmíssima coisa. Fico tensa, um tanto agitada, com receio de esquecer alguma coisa, de alguma coisa não dar certo... Sinto-me sempre como se fosse "um marinheiro de primeira viagem". E olhe que nestes últimos seis anos essas viagens viraram quase rotina em minha vida. Houve ano de eu viajar quatro vezes para os Estados Unidos, mas a tensão nos aeroportos americanos é sempre grande após o trágico onze de setembro. Nem reclamo da segurança, eles não podem mesmo baixar a guarda, falo da correria, da agitação ou ainda das longas esperas entre um voo e outro, nas conexões, do cansaço de se levar mais de vinte horas entre um destino e outro. sem contar que a minha disposição para essas viagens vai descrescento na medida em que miha idade vai avançando... acho que isso é bem lógico e esperado, não?
O fato é que só relaxo quando chego no aeroporto de Boston e vejo o sorriso de minha filha iluminar minha chegada... Aí eu sinto que vale muito a pena essa correria toda, essa expectativa, esse cansaço...

terça-feira, 14 de julho de 2009

Arrumando as malas...

(Clique na foto para ampliá-la)

Queridos amigos,

Nos próximos dois, três dias, vou estar um pouco auseute do "Em Prosa e Verso", pois estou ultimando os preparativos para minha viagem. Vou visitar minha filha e meus netos e passar os próximos dois meses com eles, curtindo meus amores lá do outro hemisfério.
Sigo para Boston na próxima quinta-feira, pelas asas da United. Mas volto com tudo para suas companias, assim que estiver instalada lá no meu cantinho, um cantinho que minha filha preparou com carinho para me abrigar toda vez que lá chego.
E vou, aos poucos, mostrando para vocês postais de Massachusetts , vou falando dos usos e costumes de lá e, como toda avó que se preza, vou contar historinhas a respeito do meus gringuinhos. Prometo não abusar de sua paciência.

Mas, por enquanto, continuo por aqui, com vocês.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Dois lindos e significativos selos...


A Sandra, o lindo blog Curiosa, está feliz da vida porque seu blog atingiu hoje a marca dos 100 (cem) seguidores. E para comemorar em grande estilo, está dando uma festa e agraciando os amigos com dois lindos selos (acima).
Feliz com o presente, o Em Prosa e Verso" agradece a gentileza.
Vamos guarda-los com carinho no "Meu Album de Selos".
Parabéns, Sandra, e muito obrigada pelos mimos.

MEUS POETAS DO CORAÇAO - Manoel Bandeira

Cartas de meu avô

A tarde cai, por demais
Erma, úmida e silente...
A chuva, em gotas glaciais,
Chora monotonamente.

E enquanto anoitece, vou
Lendo, sossegado e só,
As cartas que meu avô
Escrevia a minha avó.

Enternecido sorrio
Do fervor desses carinhos:
É que os conheci velhinhos,
Quando o fogo era já frio.

Cartas de antes do noivado...
Cartas de amor que começa,
Inquieto, maravilhado,
E sem saber o que peça.

Temendo a cada momento
Ofendê-la, desgostá-la,
Quer ler em seu pensamento
E balbucia, não fala...

A mão pálida tremia
Contando o seu grande bem.
Mas, como o dele, batia
Dela o coração também

A paixão, medrosa dantes,
Cresceu, dominou-o todo.
E as confissões hesitantes
Mudaram logo de modo.

Depois o espinho do ciúme...
A dor... a visão da morte...
Mas, calmado o vento, o lume
Brilhou, mais puro e mais forte.

E eu bendigo, envergonhado,
Esse amor, avô do meu...
Do meu - fruto sem cuidado
Que inda verde apodreceu.

O meu semblante está enxuto.
Mas a alma, em gotas mansas,
Chora, abismada no luto
Das minhas desesperanças...

E a noite vem, por demais
Erma, úmida e silente...
A chuva em pingos glaciais,
Cai melancolicamente.

E enquanto anoitece, vou
Lendo, sossegado e só,
As cartas que, meu avô
Escrevia a minha avó.

domingo, 12 de julho de 2009

Dois lindos mimos...


Obrigada, Lourdes!


Obrigada, Isa!

Domingo de sol, frio, mas azul, lindo. Domingo de receber mimos, de estar feliz por ter amigas especiais.
Recebo duas lindas e perfumadas rosas, com carinho. Uma delas veio do jardim da querida Lourdes, e a outra da sensibilidade da querida Isa. Que privilégio ter amigas assim!
Obrigada a ambas pelas flores e pela amizade.


Postais de minha cidade - Bairro da Liberdade

(clique na foto para amplia-la)

A Liberdade, um bairro da região central de São Paulo, abriga a maior colônia japonesa fora do Japão. Suas ruas, com suas luminárias tipicamente orientais (até mesmo as placas dos estabelecimentos são escritas em japonês) abrigam lojas, restaurantes típicos, mini mercados, onde encontramos produtos e artigos da cultura japonesa, além de uma feira temática que funciona nos finais de semana e fazem a alegria de turistas e moradores da cidade.

Na foto acima, tirada durante o Festival das Estrelas que lá acontece há mais de trinta anos, o Torii, portal de entrada para o bairro japonês.
Uma festa a não se perder, um bairro a ser visitado.


sábado, 11 de julho de 2009

Postais de minha cidade

Igreja Nossa Senhora da Consolação
(clique na imagem para ampliar)

Tradicional igreja de São Paulo, situada logo no início da Rua Consolação


Inicio hoje uma nova série de postagens sobre a cidade que me serviu de berço, que me acolhe, São Paulo.
Aqui nasci, cresci, passei a maior parte de minha vida, só estando fora dela durante os três primeiros anos de meu casamento ou, eventualmente em alguma viagem. As vezes, meu filho e eu saimos para um passeio, um almoço, uma ida a uma livraria e, como sempre carrego comigo minha câmera, vou registrando aqui e ali, lugares, prédios, ruas, jardins, enfim, o que me agradar. E sempre que me agradar muito, vou colocar aqui, para dividir o momento com vocês, queridos amigos e leitores deste blog. Espero que apreciem.
Obrigada e um beijo para cada um de vocês.

Os voos d'alma...


Ah, que esta alma anda inquieta, desassossegada, perdida no mundo dos sonhos, sonhando com o impossível... Por isso trago-a presa, contida, vigiada para que não escape e não se perca em longos vôos através de ares e mares, cruzando hemisférios, sobrevoando lugares onde talvez nem fosse bem vinda.
Mesmo com tanta vigilância, algumas vezes ela me tem escapado para visitas secretas e quando lhe pergunto porque insiste em sonhos perdidos, muito docemente ela afirma que gosta de rever antigos amores, precisa matar saudades... Conta-me que chega de mansinho, espia pela janela entreaberta e, através da vidraça, deita um olhar terno sobre ele, atira-lhe um beijo, só isso. Outras vezes, mais atrevida, se encontra a janela aberta, esgueira-se por entre as cortinas e, pé ante pé vai até a beira da cama onde fica a olha-lo, envolta em ternura. Se o sono está inquieto, canta-lhe docemente uma canção de ninar, correndo-lhe os dedos por entre os cabelos, até que se acalme. Beija-lhe então a fronte e, tão silenciosamente quanto entrou, deixa o quarto e volta para seu refúgio, dentro de mim, trazendo-me a sensação de um sonho lindo, de um momento não vivido mas sempre esperado...
Hoje não pude conte-la. Desde a tarde esta assim, inquieta. Fugiu-me. Recostada em minha cama, aguardo seu regresso. A noite está fria, e no silêncio da madrugada que se inicia, ouço finalmente seus passos leves como os de um anjo e sua doce voz que ainda cantarola trechos de uma canção de ninar... Abro-lhe meu coração e ela se aconchega triste ainda, mas serena, e começa a me contar sobre a cor do lençol que o envolvia, do edredom que o agasalhava, qual o livro que estava em sua cabeceira, e eu vou entrando no sonho dela, vou me aquietando até mergulhar num sono profundo do qual despertarei serena ao amanhecer.
Assim nos entendemos, assim nos completamos, minh'alma inquieta e eu, sonhadora incorrigível...

Dulce Costa
No início da madrugada do dia onze de julho do ano de dois mil e nove.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Chuva na tarde... saudade...


E a tarde vai caindo mansamente, tão mansamente quanto a chuva que cai sobre a cidade e enche de nostalgia meu coração... E esta música... Ah, esta música... Ela é toda e simplesmente você...

Saudade... tanta!...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Clarice Lispector - Um pensamento


"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

Drummond - Para sua manhã de quinta-feira...

Acordar, viver

Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Cecília Meireles ao cair da tarde... Para você.


Murmúrio


Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Um mimo para os amigos

A todos os amigos do "Em Prosa e Verso", com carinho e amizade.

Este selinho foi feito para todos vocês que nos visitam e tornam este espaço mais precioso. Podem levá-lo, por favor, e se acharem que devem, ofertar aos seus amigos.
Que essas delicada flores, chamadas "Brincos de Princeza", possam colorir e enfeitar seu dia.

Frutos e flores num cantinho das lembranças...


Plantada há pouco mais de um ano, cresce viçosa, tão lindinha, na parte traseira da casa de meu filho, uma jabuticabeira (vejam a foto). E vai se transformando, ganhando espaço, prometendo doces e suculentos frutos que serão saboreados ali mesmo, tirados do pé. Dizem que demora para dar jabuticaba, que leva anos, até, mas vale bem a pena a espera.
E olhando para ela vem a minha lembrança que tínhamos um pé começando a dar frutos, em nossa pequena chácara e era um dos meus orgulhos. Mas a chácara foi vendida (com a doença de meu marido já não íamos lá) e a nossa linda arvorezinha foi-se com ela para as mãos, os cuidados, e a alegria dos novos donos... C'est la vie...
Ah, e tínhamos também um pé-de-manacá! Conhecem manacá? uma arvorezinha , na verdade, um arbusto, não muito alta que floresce lindamente em tons de azul e branco, florzinhas das duas cores se mesclando, lindinha e perfumada demais... E tínhamos brincos-de-princesa, roseiras que perfumavam o ar, damas-da-noite que inundavam as noites com seu delicado perfume... Era um cantinho delicioso, pequenino, calmo, que nos acolhia quando queríamos fugir do turbilhão da cidade grande. Um cantinho que virou lembrança...
E que bom que temos essas lembranças!...

Apenas um lembrete...


Lembrete

"Se procurar bem, você acaba encontrando não a explicação (duvidosa) da vida, mas a poesia (inexplicável) da vida.."

(Carlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Idiomas semelhantes, é?... Si, pero no mucho!...


Ontem, durante o almoço de domingo, uma deliciosa feijoadinha feita com carinho por minha nora, lembrávamos fatos e gentes que ficaram no passado e que deixaram saudades e falávamos de meu marido, minha maior saudade, e de amigos lindos que tornaram sua vida melhor e, entre tantos casos que ele costumava contar, veio a baila um acontecido quando ele ainda trabalhava. Havia uma pessoa , o sub-gerente da agencia, que se tornara, mercê sua personalidade e seu jeito de ser, muito bem quisto pelos funcionários e de quem meu marido tornara-se amigo.
Contavam-se casos curiosos e engraçados sobre ele e um dos mais curiosos aconteceu numa manhã em que um vendedor de livros, como costumeiramente fazia, chegou oferecendo um excelente dicionário de Espanhol. Meu marido, amante dos livros e dos estudos, logo comprou um exemplar e foi indicá-lo ao amigo que, surpreendentemente alegou que para espanhol ninguém precisava de dicionário, que as línguas eram quase iguais, etc., e tal... Ao que meu marido contestou, sempre com seu jeito sereno dizendo: “Ah, meu amigo, não é bem assim...” E o amigo: “Claro que é! Quer ver só? Abro o dicionário em qualquer página e, aleatoriamente, aonde meu dedo parar, mostro a palavra e o significado dela...”

E unindo a frase a ação, correu o dedo pela página e quando parou leu em voz alta: “Mientras”. Seu rosto tomou um ar de espanto enquanto repetia: "Mientras!..... Mientras... Bom... Bom... Bom, essa eu não sei!...” E caindo numa gargalhada estridente simplesmente disse. “Você ganhou. Compro o dicionário.”
Era uma pessoa assim, pura, amiga, de bem com a vida, era um igual para meu marido, um grande amigo...

domingo, 5 de julho de 2009

Uma frase... Nada mais.


"O homem tem duas faces: não pode amar ninguém, se não amar a si próprio."

(Albert Camus)

Fernando Pessoa na sua tarde de domingo...


(Alvaro de Campos)


Cruz na porta da tabacaria!
Quem morreu? O próprio Alves? Dou
Ao diabo o bem-estar que trazia.
Desde ontem a cidade mudou.

Quem era? Ora, era quem eu via.
Todos os dias o via. Estou
Agora sem essa monotonia.
Desde ontem a cidade mudou.

Ele era o dono da tabacaria.
Um ponto de referência de quem sou
Eu passava ali de noite e de dia.
Desde ontem a cidade mudou.

Meu coração tem pouca alegria,
E isto diz que é morte aquilo onde estou.
Horror fechado da tabacaria!
Desde ontem a cidade mudou.

Mas ao menos a ele alguém o via,
Ele era fixo, eu, o que vou,
Se morrer, não falto, e ninguém diria.
Desde ontem a cidade mudou.


sábado, 4 de julho de 2009

O tempo e o vento...


"O tempo é como um barco a vela. Nos dias em que o vento sopra pela popa, o tempo anda depressa. Mas quando o tempo navega contra o vento, então as horas parecem semanas e os meses, anos."

(Bibiana, personagem de "O tempo e o Vento")

Érico Veríssimo

sexta-feira, 3 de julho de 2009

E já que hoje é dia de poesia... Mario Quintana

Foto: Calendário do Vaticano - 2009

Se eu fosse um padre

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado

- muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas

ou das suas terríveis maldições...

Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,


Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!


Porque a poesia purifica a alma ...
a um belo poema - ainda que de Deus se aparte
-
um belo poema sempre leva a Deus!

Linda e amável borboletinha...

Em visita ao lindo e bem cuidado blog "Momentos Meus", da delicada amiga Isa e, a um gesto dela, essa linda borboletinha pousou no meu ombro. Minha amiga disse-me então que deveria traze-la comigo, fiquei muito feliz e ai está ela para enfeitar meu dia. Depois vou colocá-la com carinho no "O Livro dos Meus Selos", onde poderei visitá-la sempre que minha alma precisar de um alento, porque cada um dos selinhos que lá estão são alentos para minha alma, porque são gestos de carinho de meus amigos para comigo.

Obrigada, Isa!

Hoje é dia de poesia...


E na poesia de Thiago de Mello...


O animal da floresta

De madeira lilás (ninguém me crê)
se fez meu coração. Espécie escassa
de cedro, pela cor e porque abriga
em seu âmago a morte que o ameaça.
Madeira dói?, pergunta quem me vê
os braços verdes, os olhos cheios de asas.
Por mim responde a luz do amanhecer
que recobre de escamas esmaltadas
as águas densas que me deram raça
e cantam nas raízes do meu ser.
No crepúsculo estou da ribanceira
entre as estrelas e o chão que me abençoa
as nervuras.
Já não faz mal que doa
meu bravo coração de água e madeira.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

João, o jardineiro...


Há pessoas que parecem viver de bem com a vida. Pessoas que teriam tudo para reclamar e que, como exemplo de vida, estão sempre com um sorriso aberto no rosto quando nos falam, tem sempre um ar de paz no olhar.
Geralmente são pessoas simples, considerados muitas vezes pobres de espírito, mas que carregam em si uma enorme riqueza em forma de paz e amor ao próximo...
Daqui da janela da biblioteca de meu filho, posso ver o jardineiro cuidando das plantas, aparando a grama, podando arbustos, enfim cuidando com carinho de cada flor, de cada galhinho. E faz seu trabalho meticulosamente, com esmero, com alegria. Ouve-se o tempo todo seu assobiar canções tão simples como ele. Mora no próprio condomínio, num cantinho que lhe foi cedido, não tem família, ou pelo menos não vive com ela. Mulato, alto, desengonçado, de voz alta e estridente, bem quisto por todos e sempre se sabe quando está por perto porque não perde a oportunidade de uma prosa, ainda que de passagem ou porque há sempre um assobio caminhando pelo ar, marcando sua presença..
O nome dele? João... De que? Ah, acho que ninguém, ou quase ninguém, sabe... Apenas e simplesmente João, o jardineiro...

Manoel Bandeira - Poesia na manhã cinzenta


Vou-me embora pra Pasárgada...


Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada