floquinhos

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Lembranças, doces lembranças...



O dia está lindo, o céu de um azul suave, que encanta, que lembra paz...
Da sacada da casa de meu filho, em Campinas, aonde passo uns dias, perco meus olhos entre esse céu lindo e o verde das árvores e dos jardins do condomínio, buscando exatamente a paz do azul do céu para minha alma... E ela, feliz, agradece e se aquieta.

E como o pensamento viaja no tempo e no espaço, por um motivo qualquer, surge em minha memória a Campinas de antigamente, bucólica, tranquila, tão diferente desta cidade agitada em que está se transformando. E nesse caminhar pelo tempo volto aos meus tempos de menina quando, nas férias escolares costumávamos vir passar uns dias na fazendola de meus avós maternos. Era uma aventura, uma festa, que começava com a viagem de trem que nos trazia de São Paulo até aqui. Viagens que eu adorava, que não trocava por nada no mundo.
O trem saia da Estação da Luz, o que para mim já era uma festa, todo aquele movimento, a expectativa da viagem, os trens chegando e partindo... Se o trem fosse expresso, ou seja, a "litorina", só pararia na cidade de Jundiai, mais ou menos no meio do caminho, antes de chegar ao seu destino, Campinas. Se não, ia parando em várias cidades, onde a plataforma de cada estação era para mim uma alegria, com seus vendedores de doces e salgados, geralmente feitos pelas mulheres de cada região, verdadeiras delícias que meu pai sempre comprava para aplacar a euforia das meninas (minha irmã mais velha e su) que, empolgadas, não tinham sossego e, enquanto se deliciavam com os quitutes ficavam quietas... Eram cocadas, balas, pés -de-moleque, paçocas, amendoim, pastéis, tanta coisa boa que dificil mesmo era escolher.

E a viagem transcorria em alegria e na expectativa da chegada porque lá nos esperava sempre meu avô, que nos conduziria até a fazendola. E essa era a melhor parte da viagem, pelo menos para mim, porque meu avô vinha nos esperar e nos levaria para sua casa num "cabriolet" lindinho, puxado por um cavalo que tinha todo o meu amor (sempre fui apaixonada por cavalos, acho-os lindos, magestosos), o Pachola!...
E enquanto meus pais e meu avô iam conversando, contando coisas, minha irmã prendia-se a beleza da paisagem, eu só tinha olhos para o Pachola, dócil, altivo, crina ao vento, vencendo distâncias, levando-nos aos dias de liberdade e despreocupação tão próprias da infância, que nos esperavam na casa de meus avós.
E lembrando de tudo isso, uma imensa saudade dos meus amores que já não estão comigo, apossou-se de meu coração. As figuras de meu pai e de meu avô, senhores de si e, aparentemente, de seus destinos, de minha mãe e de minha avó, mulheres que cumpriam a risca os papéis que lhes eram impostos pela sociedade e pelos costumes da época, de minha irmã, tão linda, com um sorriso que vinha da alma e se espalhava por seus olhos, e que tão cedo partiu...
Tão doces lembranças... Tão doces saudades...

Dulce Costa
Na ensolarada manhã do primeiro dia de julho do ano de dois mil e nove.

8 comentários:

Agulheta disse...

Querida amiga! Que bom recordar as coisas lindas, eu acabei de chegar e recordei muito nestes dias,adorei a simplicidade das palavras,ao som lindo do Elvis,o cantor da minha geração!.
Beijinho fica bem

Susana disse...

Olá Dulce!

A blogagem da Aldeia da Minha Vida foi um grande sucesso, graças à sua participação e divulgação.

Convido-o(a) a participar na próxima blogagem de Julho “ Férias na Minha Terra”.

É uma oportunidade única para demonstrar a todos que vale a pena passar férias no nosso país, especialmente na nossa querida terra, seja ela aldeia, vila ou cidade.

Inscreva-se e mande o seu texto até 7 de Julho para o seguinte e-mail: aminhaldeia@sapo.pt

Para premiar a sua participação, vamos atribuir ao melhor post um fantástico prémio e ao melhor comentário também.

Muito obrigado pela sua atenção!

Votos de um feliz dia!

Susana Falhas

Dulce disse...

Agulheta

Elvis é um dos cantores do meu coração, na verdade o mais acolhido por ele. Da minha, da sua, de todas as gerações, Lisa. Ele é ímpar, Lisa.

beijinhos

Dulce disse...

Susana

Parabens pelo sucesso da blogagem. Agradeço muito seu convite, estou honrada com ele, muito obrigada.
Só não sei se, sendo brasileira, teria direito a participar da próxima blogagem que me pareceu dirigida a quem ai more.
Será que posso?
beijos e obrigada.

Lourdes disse...

Olá Dulce.
É tão emocionante recordar os momentos bons do passado. Nestas alturas bate sempre a saudade e se por um lado dói pelo outro é com ternura que os recordamos.
Beijinhos

Dulce disse...

Lourdes

é isso mesmo, minha amiga.
E, se temos saudades, isso significa que vivemos momentos felizes, que convivemos com pessoas lindas...
beijos

Pitanga Doce disse...

Ai Dulce! Que linda infância você teve! Minhas lembranças com comboios são bem mais recentes e tão importantes e lindas quanto.

Olha, respondo-te pela Susana. Nós que estamos aqui no Brasil podemos mandar nossos textos (consta lá no regulamento do blog A Minha Aldeia). Eu até já mandei o meu.

beijos em tarde de Sol de Inverno

Dulce disse...

Pitanga

Bom que tenha importantes lembranças, ainda que de um tempo mais recente.

Obrigada por responder pela Susana.
Vou dar uma pensadinha, não gosto de participar de concursos. Prefiro apoiar minhas amigas.
Beijos