floquinhos

terça-feira, 3 de março de 2009

NUMA QUENTE NOITE DE VERAO...


Sentada no terraço, sentindo uma suave brisa refrescar meu rosto, completamente insone, deixo-me levar pelos acordes da musica que chega suavemente pela porta entreaberta da sala que, em penumbra, guarda um livro lido pela metade, a minha espera, sobre a mesinha ao lado do sofá. Não há luar, as estrelas escondem-se atrás das nuvens, e o barulho dos carros cruzando a cidade da uma certa agitação as ruas. Ainda chegam ruídos de vozes dos apartamentos vizinhos. Esta cidade não dorme!... Só lá pelas três da manhã parece que ela fica meio entorpecida, cala-se, cochila, para em trinta ou quarenta minutos começar tudo de novo, ai então já se preparando para o amanhecer...
Mas para mim, quase sempre esta hora é pura magia, é quando vou me deixando levar por meus sentimentos, quando sinto bailar em mim toda a minha fragilidade, quando consigo abrir meu coração e deixar que ele fale a vontade, que me conte seus anseios, suas esperanças, seus encantos, que chore suas mágoas ou lamente seus desencantos, suas frustrações. Quantas vezes, nessas perdidas horas da madrugada, numa troca de segredos, ele e eu acabamos acertando nossas contas, porque a noite é boa conselheira, porque nela o pranto corre livre, sem testemunhas, desafogando a alma e devolvendo minha serenidade tantas vezes perdida...
Mas hoje a noite é de paz. Há uma certa tristeza no ar, uma pontinha de melancolia na alma, uma ausência sentida no coração, mas ainda assim, a noite inspira paz, porque os rumos estão definidos, as decisões tomadas – mesmo que não tenham sido as mais acertadas, foram tomadas de maneira consciente, então são menos difíceis de serem aceitas, Ou, pelo menos, deveriam ser...
E para que a noite continue sendo de paz, recolho-me agora ao meu quarto, vou mergulhar na leitura do livro que estava a minha espera, até que venha o sono, seja lá a que horas for, porque na medida em que a madrugada avança, vai se fazendo mais difícil cumprir o trato feito e ficar em paz... A noite gosta de confidências e de inconfidências e como tenho um coração tagarela, melhor fecha-lo no fundo do peito, antes que a magia da noite o envolva e ele resolva contar seus segredos tão cuidadosamente guardados...

Dulce Costa
Em São Paulo, na madrugada do dia três de março do ano de 2009

2 comentários:

ney disse...

Um texto com alma, sentimento... ney///

Dulce disse...

Pois é, Ney...
Como meu amigo, que é, e que me conhece relativamente bem, você sabe que, em mim, alma, sentimento, madrugada insone, música do caração, um velho terraço, formam uma mistura explosiva que só pode resultar num desabafo em forma de escrito ou numa grande melancolia... rs... melhor escrever. rs...
Obrigada pela visita, obrigada pelo comentário.
Bjs