floquinhos

domingo, 25 de abril de 2010

E como Quintana passasse diante do espelho...


O Espelho

E como eu passasse por diante do espelho
Não vi meu quarto com as suas estantes
Nem este meu rosto
Onde escorre o tempo.

Vi primeiro uns retratos na parede:
Janelas onde olham avós hirsutos
E as vovozinhas de saia-balão
Como para-quedistas às avessas que subissem do fundo do tempo.

O relógio marcava a hora
Mas não dizia o dia. O Tempo,
Desconcertado,
Estava parado.

Sim, estava parado
Em cima do telhado...
Como um catavento que perdeu as asas!

(Mario Quintana)

10 comentários:

Pensamentos da Mila disse...

Olá querida Dulce!

Somos duas que temos Mario Quintana como poeta do coração, lindo poema esse dele, como varios outros....

Bjs

Mila

Dulce disse...

Pensamentos de Mila

Ah, mas Quintana é muito amado, mesmo...
Beijos e bom domingo

Agulheta disse...

Querida Dulce. Entro nesses poetas de coração que nos tem dado a partilhar.
Beijinho de amizade Lisa

Pitanga Doce disse...

Sabe Dulce eu queria dizer uma coisa bonita mas ficou gravado o último verso:

"Como um catavento que perdeu as asas"!


É isso.

beijos da Mila

Dulce disse...

Agulheta

Muito obrigada, Lisa
Que seu domingo tenha sido de paz e que a nova semana seja muito feliz.
Beijos e boa noite.

Dulce disse...

Pitanga Doce

Só Quintana faria poesia de um catavento quebrado esquecido sobre o telhado... Não é lindo?

Andei passeando com meu filhote por quase todo o dia e sá agora retorno a casa. Uma massinha deliciosa numa cantina lá dos Jardins, umas voltas pela cidade, uma visita a uma livraria, um lanche ao final da tarde, um olhar sobre iluminadas vitrines de um shopping, coisas simples assim, e esta sua velha amiga acabou pregadinha, só querendo um banho e o aconchego de uma cama... risos...
Uma boa noite, Mila e que a próxima semana seja todinha azul ai pelo seu lindo Rio.
Beijos

Graça Pereira disse...

Que maravilha! "O relógio marcava a hora. Mas não dizia o tempo, Desconcertado, Estava parado"
Quantas vezes gostariamos tambem de ver o tempo parado...
Mário Quintana entendeu bem a alma humana e a sua angústia sobre o tempo e finaliza de um modo brilhante explicando a razão do tempo estar parado...
"Como um catavento que perdeu as asas"
E tu, minha querida Dulce, colocaste a imagem certa para tornar este post inesquecível.
Beijo e boa semana
Graça

Dulce disse...

Graça Pereira

Quintana sabia transmitir como ninguém o lirismo, a pureza d'alma. E em cada verso aparentemente simples, toda a complexidade dos sentimentos, toda a profundidade dos sentidos.
Obrigada, Graça.
Beijos e boa semana para você também.

Pitanga Doce disse...

Bom dia Dulce! Céu de Brigadeiro neste Rio que é lindo. Delícia de domingo o seu! Fui à praia e depois foi esperar, esperar...

Dulce disse...

Pitanga Doce

Bom dia, Mila

Delicia, sim, mas tão cansativo... rs...
Dificil esperar, não amiga??? Mas, na maioria das vezes, vale a pena.

Cá por Sampa, dia igual, todo iluminado.
Beijos e um ótimo dia para você