floquinhos

sábado, 27 de março de 2010

Simplesmente Elza...


Ela foi uma menina linda, olhos brejeiros, cabelos cacheados, sorriso encantador, o encanto de seus pais, tios, avós... Mas tinha alma rebelde, inconformada, muito além de seu tempo, alma que queria partir grilhões, ganhar o mundo, só que os tempos eram outros e as convenções sociais atavam as mulheres (moças ou velhas) a grilhões que lhes prendiam os passos e limitavam os sonhos, e quanto mais audaciosos, mais atados.
Ela cresceu tentando desatar amarras, mas numa decisão errada, movida pela paixão ou, quem sabe?, pela própria ânsia de liberdade, acabou presa a um casamento desastroso que fez dela uma mulher nada feliz. Mas nunca apagou o lindo sorriso, nunca reclamou da triste situação que a envolvia, do desamor em que sua vida ia empalidecendo, nunca deixou de lutar. Uma luta inglória que acabou por minar suas forças e que a levou tão cedo da vida...
Já se passaram mais de três décadas desde a sua partida, mas ainda hoje eu a tenho comigo em conversas que travo com o passado, nas madrugadas vazias. Lembro tão bem daqueles doces momentos que povoaram minha infância, de seu riso alegre, de sua voz afinada, de seus olhos penetrantes, de seu rosto querido, e é como se os tivesse visto ainda ontem. E, fechando os olhos, consigo resgatar a imagem de uma jovenzinha esfuziante que afastava a mesa do centro da sala, puxando a prima para que a acompanhasse nos passos de um tango de Gardel, ou de um bolero de Pedro Vargas, que iam inundando o ambiente, vindos do velho rádio colocado sobre o guarda-louças. E revejo a mulher linda que escondia a tristeza para não entristecer os que a amavam. Ouço ainda sua voz dizendo em tom de confidência, nas vésperas de meu casamento que, se eu quisesse ser feliz, deveria antes de tudo armar-me de muita compreensão, pois a vida parecia sempre tão incompreensível... E a saudade me envolve... Saudade de uma irmã tão amada, de uma mulher tão especial... Saudade de você, Elza...
Por isso, em nome dessa saudade, hoje este espaço está envolvido pelo som de tangos e boleros.

10 comentários:

Anônimo disse...

Tantas Elzas...infelizmente

Linda a musica escolhida.

Filomena

Graça Pereira disse...

História linda ( e triste) de uma mulher mal amada que não teve possibilidade de deixar florir os seus sonhos...Quantas nesse tempo?
Ainda bem que a Elza é lembrada com carinho ao som melodioso de tangos e boleros...
Beijo amigo
Graça

Pitanga Doce disse...

Irmãs...

Dulce disse...

Anonimo

Disse-o bem... Infelizmente.
Obrigada e bom domingo.

Dulce disse...

Bom dia, Graça

Era uma pessoa linda, ilumina com seu sorriso sempre que chegava. Mas teve um caminho de pedras a percorrer...
Ficou a lembrança e uma imensa saudade.
Obrigada, minha amiga e um lindo domingo para você.

Dulce disse...

Pitanga

E que falta elas fazem, Mila!...

Beijos e bom domingo.

Agulheta disse...

Querida Dulce.Quantas vezes irmãos e tão diferentes em tudo,esta mulher queria mais para si,a tal liberdade que era difícel na altura para tantos.Mas a irmã recordou a sua saudade,num bolero ou num tango!Não importa,importa sim o sentimento que temos por alguém que não conseguiu alcançar a estrela no céu.
Beijinho
Lisa

M. Lourdes disse...

Dulce
Quantas Elzas existiram na nossa geração, que apesar de infelizes, para não fazerem sofrer os outros, aparentavam sempre estar de bem com a vida.
Crescemos mesmo numa época que , para as mulheres foi muito castradora ...
Beijinhos
Lourdes

Dulce disse...

Agulheta

Verdade, Lisa... Esse sentimento que o tempo não apaga e que as saudades parecem reforça...
Beijos, obrigada e boa semana para você.

Dulce disse...

Pois é, Lourdes

Quantas delas conhecemos, e quantas de nós não foram um pouco assim também?
Beijos, Obrigada e uma linda semana para você.