floquinhos

domingo, 31 de maio de 2009

Saudade... Quem define?...


(Pablo Neruda)


'' ... Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida ... ''

Só porque hoje é domingo...


Só porque hoje é domingo...

Porque hoje é domingo e o dia está meio enfarruscado...
Porque hoje é domingo e estou aqui muito só em meu cantinho, onde a música que toca ao fundo é linda e envolvente...
Porque meu coração está apertadinho de saudade...
Porque sinto falta de sua presença em meus domingos...
Porque...
Porque...
São tantos os porquês, tantas as desculpas para uma certa nostalgia, para uma vontadinha de me enrodilhar no sofá, fechar os olhos e me deixar levar pela música, pelas saudades, mergulhar no tempo, buscar sua presença, estar com você.
Que bom seria se eu pudesse dividir meus domingos com você. Sairíamos por ai, caminhando, escolheríamos talvez um parque para essa caminhada, mão na mão, olhos nos olhos, ternura no coração, carinho nas palavras, Depois almoçaríamos num pequeno e acolhedor restaurante, gastaríamos a tarde num cinema ou num outro lugar qualquer, porque na verdade o que queríamos mesmo era estarmos juntos, e a tardinha voltaríamos para casa com a alma apascentada, porque o domingo fora todo nosso...
Porque hoje é domingo e eu tenho sonhos loucos e irrealizáveis...
Porque hoje é domingo e você não está comigo...

sábado, 30 de maio de 2009

Os meninos e o jacaré

(clique na imagem para ampliar - e ver a carinha desses meus dois carinhos)

"Hoje acordei com saudades dos meus gringuinhos, Philip e Alexander, por isso esta foto"

(coisas de avó, fazer o que?)

O homem e o tempo


"Eu fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra..."

(Mario Lago)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

ERA UMA VEZ... Você acredita em contos de fadas?


Era uma vez...

Em tempo de contos de fada, começaria este texto com: “Era uma vez”... e ficaria assim:
Era uma vez, uma jovem desengonçada que vivia num casarão encantado e que tinha dentro de si um amor, tão desengonçado quanto ela, porque escondido, secreto, platônico e sem esperanças. Era uma vez um pequeno príncipe encantado que nem se dava conta de um coraçãozinho que saltava à sua simples presença, porque o seu próprio tinha lá outros motivos para saltar. Era uma vez lágrimas, sorrisos, ternura, tudo reprimido no pequeno coração da menina...

E, como nos contos de “Era uma vez”, o tempo também passou, carregando com ele toda a poeira que sempre paira sobre o tempo nos contos de fada. e a menina cresceu, o príncipe também e ambos foram viver suas vidas. Mas no coraçãozinho da menina o príncipe permaneceu encantado.
E décadas se passaram, vidas transcorreram, famílias se formaram, amores surgiram e se foram, e o príncipe continuou encantado.

E como a menina tivesse uma fada madrinha, esta um dia resolveu dar-lhe um presente, uma presença,. e assim, do nada, a um toque de sua varinha de condão, transportou o príncipe de outras plagas para o canto aonde a menina escondia suas saudades, sua juventude, num sereno caminhar pelo outono de sua vida.

E o príncipe não era mais príncipe. Trazia no rosto as marcas do tempo, no olhar antes atrevido, uma dor escondida pelas perdas que a vida lhe impusera. Era agora um monarca que regia seu reino com sabedoria e paz. A paz que ela sentiu ao olhar dentro daqueles olhos tristes. A paz que ela sentiu ao toque de sua mão, no abraço amigo e terno que recebeu...
Era uma vez... uma doce e sábia fada madrinha que venceu o tempo e colocou num coração que permanecia menino a ternura de uma noite de serena convivência e terno partilhar de momentos de lembranças, de afeto, de doce amizade, numa esquina qualquer dos caminhos que a vida percorre..

Era uma vez... Era uma vez...

Dulce Costa
Numa manhã encantada de maio do ano de dois mil e nove.


Como uma noite pode ser agradável!...

Amizade, carinho, bem-querência são coisas que guardamos no coração e, embora achemos que são passados, um dia nos surpreendemos com a força com que voltam a nos envolver numa curva do caminho
Hoje a noite foi especial, de re-encontro, de longas e boas prosas, de matar saudades. Um jantarzinho, nada mais que um espaguete al sugo acompanhado de um bom vinho – a salada ficou intocada – e uma velha receita de família (pudim) como sobremesa. Um cafezinho para encerrar e depois a prosa foi se estendendo até quase a madrugada.
E ainda ficou prosa para uma próxima vez que, certamente, não vai levar outros tantos e tantos anos para acontecer...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

As minhas fases

Ontem a noite, eu, envolta em nostalgia e minha alma teimosa insistindo em se envolver em melancolia... A noite era um vazio, o coração sentia-se vazio, minha alma, ela própria, caminhava meio perdida nesse vazio.

Parafraseando Cecília Meireles, "Tenho fases, como a lua..."
Dias há em que estou feliz comigo mesma, em paz com a vida e com o mundo, em que me pego cantando, sorrindo a toa. Há outros em que caminho serenamente, falando baixinho, sentindo até o ar que passa por minha pele. Outros ainda onde a esperança e o sonho rondam todos os meus movimentos. E há (claro) os de uma certa incandescência, como há os de monotonia e tédio... Então não poderiam faltar os dias vazios, aqueles em que o coração reclama uma presença, a alma pede companhia, a mão espera pelo toque de outra mão, o corpo pede abraço, aconchego, carinho... E como sei que esta é já uma fase encerrada em minha vida, pela própria idade talvez, mas mais que isso, pela inexistência da alma gêmea ou de uma alma afim que pudesse preencher essas minhas carências, porque sei o que as pessoas esperam de outras, como sei que não preencho mais tais requisitos (pode parecer cruel, mas é a verdade que eu conheço bem e encaro com muita naturalidade), então, como sei tudo isso, esses dias de vazio parecem as vezes tão insuportáveis.
Mas eles também passam e a serenidade volta ao meu ser.
Hoje estou serena, caminhando de leve, falando baixinho, sorrindo por tudo e por nada, em paz comigo mesma. A noite foi boa companheira, o travesseiro fiel confidente, as lágrimas lavaram a alma... Estou hoje senhora de mim.


quarta-feira, 27 de maio de 2009

Fernando Pessoa - Um pensamento



"Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades.

Para viver a dois, antes, é necessário ser um."

Clarice Lispector - Um conselho...


"Mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas."

Uma madrugada feita de lembranças...


Na calma da madrugada, aqui estou eu vagando pela casa, conversando com minha alma que hoje, de tão inquieta, não me deixou dormir nem um bocadinho... Olhando pela janela vejo, nos prédios em frente, outras janelas iluminadas e fico me perguntando se em alguma delas haverá alguém lutando contra o desvario de sua alma tentando, como eu, fazê-la calar-se, adormecer. Ou se em outra, talvez, haverá alguém chorando de saudades, lamentando os sonhos perdidos. Ou ainda, se naquela do andar inferior, apenas suavemente iluminada, não haverá alguém sorrindo mansamente para a vida, antevendo o dia que há de amanhecer radioso, trazendo-lhe o ser amado depois de longa ausência... Por tão variados motivos nossa alma se rebela e nos tira o sono...
Minha alma insiste em me conduzir por caminhos de saudade tão distantes que já os considerava perdidos e, aos poucos, vou cedendo e deixando-me conduzir pelo tempo afora, revendo lugares, redescobrindo encantos que ficaram escondidos nas dobras desse mesmo tempo,
E sem que me dê conta, estou de novo no velho casarão, é noite de festa, há luzes, risos, alegria em todos os rostos. Mas se todos estão tão felizes, porque aquela linda jovem traz uma indisfarçável tristeza no olhar, porque prende um sorriso pálido nos lábios? E minha alma sabichona, sussurra ao meu ouvido: - “Não se lembra? ela acaba de perder seu primeiro e encantado sonho. Tantos outros virão e se perderão pelos caminhos, assim como este, mas o primeiro desencanto deixa suas marcas. Não é possível que o tenha esquecido!” Respondi-lhe que não, que não o havia esquecido, mas que me esquecera, sim, de quanto havia sido jovem, de quantos sonhos havia sido palmilhado meu caminhar e que, apesar das marcas, apesar das lágrimas que sempre vinham quando eles se partiam, era exatamente neles que me envolvia para um novo recomeçar.
Sorrindo, minha intrometida alma murmurou: - “Vê?... Velhos sonhos podem sempre reviver, levar a um recomeçar....”
Era tempo de aprisionar minha companheira e voltar para minha madrugada insone, antes que, contra todos os meus argumentos, ela pudesse me convencer de que o momento de recomeçar chegara...

Dulce Costa
Na madrugada de lembranças do dia vinte e sete de maio do ano de dois mil e nove.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Um momento com Clarice Lispetor

ANIVERSARIO

- Amanhã faço dez anos. Vou aproveitar bem este meu último dia de nove anos.

Pausa, tristeza.

- Mamãe, minha alma não tem dez anos.
- Quantos tem?
- Sô tem oito.
- Não faz mal, é assim mesmo.
- Mas eu acho que se devia contar os anos pela alma. A gente dizia: aquele cara morreu com vinte anos de alma. E o cara tinha morrido mas era com setenta anos de corpo.
__________________________

Meus amigos, concordo totalmente com a garotinha... O que conta mesmo é a alma... E se for assim, se for contar minha idade pela alma, ainda não fiz nem trinta anos...
(Pena que meu corpo não saiba disso... rs)

(Dulce)

Num dia sem inspiração...


... só me resta usar inspiração alheia... E fui buscar a de Gonçalves Dias, para seu dia.

"Quem me dera saber quais são teus sonhos,
Aventar teus mais fundos pensamentos.
E ser o gênio bom que tos cumprisse,
Quando fossem de amor teus meigos sonhos!"

domingo, 24 de maio de 2009

MEUS POETAS DO CORAÇAO - Carlos Drummond de Andrade


MÃOS DADAS

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,

a vida presente.

Na manhâ de domingo, Drummond...


"Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz."

(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 23 de maio de 2009

Porque hoje é sábado...

Nesta foto de 1998, meu marido, nos jardins do "Palácio de Cristal - Porto, PT
(clique na imagem para aumentar)


Porque hoje é sábado e o dia está lindo, ensolarado, a alma fica mais leve...
Porque hoje é sábado e a casa está em silêncio, a paz reina na alma.
E porque hoje é sábado, lembro-me de todos os outros sábados que vivemos e a saudade bate sufocante. Nossos primeiros sábados, começando uma longa caminhada que faríamos juntos, o carinho, o aconchego, o amor que nos unia e que nos acalentou ao longo desse mesmo caminho... Ao contrário de muitos outros casais, preferíamos ficar em casa, aos sábados, na companhia um do outro, descobrindo-nos pouco a pouco, conhecendo-nos devagarzinho, em momentos só nossos, de muito amor...
Depois, um a um, foram chegando nossos filhos e desfrutando conosco da paz e do aconchego de nossos sábados. O tempo continuou caminhando, nossas “crianças” cresceram e foram tomando seus próprios rumos, foram viver outros sábados. E ficamos nos dois, novamente, só nós dois nos sábados já agora de companheirismo, de lembranças, mas ainda de muito afeto. Só que o tempo nunca para e a vida vai-nos levando por onde nem sempre queríamos ir, e talvez achando que eu já vivera sábados demais ao seu lado, levou-o de mim...
E porque hoje é sábado, e porque faz mais de seis anos que não o tenho mais em meus sábados, meu coração se enche de saudades, minha alma o recorda com carinho, meu aconchego ficou pela metade, meu sábado ficou para sempre incompleto...
Porque hoje é sábado e o dia está lindo, ensolarado...

Dulce Costa
Num lindo e vazio sábado de maio do ano de dois mil e nove.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Balanço sobre o lago...


Num contraste de luz e sombra, o menino no balanço, paira sobre as águas.


O menino e o mar...

"Que pensamentos estariam dançando na linda cabecinha de Philip diante da imensidão o mar?..."

ESTE É UM BLOG FEMININO

De novo todo prosa, o "Em-prosa-e-verso", recebe um lindo selo, agora gentilmente ofertado pela Júlia, do lindo blog "O Privilégio dos Caminhos". Muitissimo obrigada, Júlia.
Mas, para merece-lo, precisamos cumprir certas regras que são:

1 – Colocá-lo no seu blog
2 – Indicar
10 blogues que adore
3 – Informar os blogs indicados que receberam o selo

4 – Dizer 5 coisas que adorem na vossa vida e porquê

Então, comecemos pelas coisas que adoro:


1 - Meus amores e meus amigos (meus filhos, netos, familiares e, claro, maravilhosos amigos; amo-os a todos)

2 - Um lindo por de sol (Sempre me encanta)

3 - Ler e ouvir música (Alimentam minha alma, meus sonhos)

4- A serenidade do meu cantinho (Sempre um momento de paz)
5 - Namorar a lua (Sou uma apaixonada pela lua, desde criança)


... e conversar sobre tudo isso com quem quero bem.

Aqui as mulheres maravilhosas que fazem de seus blogs agradáveis lugares em que se pode estar e a quem carinhosamente ofereço este lindo selo.


1 - Isa (
Momentos Meus)
2 - Maria Emilia (
Tal Qual Sou)
3 - Maria Valadas (
Ecos das Palavras)
4 - Sil (
Infinito Particular)
5 - Salomé (P
ico Minha Ilha)
6 - Fernanda
(Fernanda & Poemas)
7 - Anine (
Poesia Expressão da Alma)
8 - Bel (
Pedaços)
9 - Mariz
(Sou Pó e Luz)
10 - Lili Laranjo
(Africa em Poesia)

Dez mulheres sensíveis, com blogs bem femininos, então, bem o merecem.


Um pensamento... Uma rosa.


"Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa. "

(Antoine de Saint-Exupéry)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Paixão no outono da vida... (Extrato)


"... a alma amadurece sem envelhecer e o coração, quando inquieto, não percebendo a passagem do tempo, continua ansiando por incontidas emoções que o elevem, num doce sonhar, às alturas de um amor sem fim, que o faça perceber luz entre as trevas, sol em meio à chuva, luar por sobre as águas em noite de tempestade, sons de anjos cantando em meio ao burburinho de uma multidão, paz incontida de uma ternura tão grande que possa transformar este mundo insano e cruel em um delicado jardim florido onde possam ser depositados todos os seus anseios"


(Dulce Costa)

Ainda Mario Quintana...


"Tão bom morrer de amor e continuar vivendo."

Mario Quintana em sua manhã...

Poema da gare de Astapovo

O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
Contra uma parede nua...
Sentou-se ...e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Gloria,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E entao a Morte,
Ao vê-lo tao sozinho aquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali a sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se ate não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O meu refúgio...


Os meus sonhos são refúgios...
É neles que me escondo da solidão, do desamor, do tédio.
Neles o mundo quase alcança a perfeição e meu carinho, que se derrama por todos os lados, retorna a mim em forma de amor correspondido, de ternura infinita, de paixão, até... Neles ainda posso ter o frescor da juventude, a beleza dos meus trinta anos e o encanto de minha maturidade. Por tolo que isso possa parecer, é mergulhando nos meus sonhos que eu me encontro e deles consigo emergir com muito mais forças para enfrentar a pasmaceira da minha realidade... Graças a eles, vivo sozinha, mas não sou solitária, não amargo em mim o desespero da solidão... Graças a eles a esperança ainda faz parte de mim, ainda norteia meus passos.

Ah! A magia dos meus doces sonhos... Ah! O acalento da tua presença constante neles... A ternura do teu amor tão distante e tão próximo de meu coração...
Vivesse eu mil anos e viveria meu coração em sonhos, em busca de tua presença...



terça-feira, 19 de maio de 2009

Do que realmente precisamos?...


"Eu aprendi que tudo o que precisamos é de uma mão para segurar e um coração para nos entender."

(William Shakespeare)

Fernando Pessoa para sua tarde...


EU, EU MESMO


Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. —
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado? Sem dúvida...
Tenho um presente? Sem dúvida...
Terei um futuro? Sem dúvida...
Ainda que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu...

(Alvaro de Campos)

Neruda por Mario Benedetti - Tão lindo!...


Mario Benedetti, um maravilhoso poeta/escritor uruguaio deixou-nos no último domingo.
Conheci-o pela admiração que lhe dedicava um amigo querido lá de Guadalajara, ME, José Antonio Castilho, também um inspirado poeta e pintor, que apresentou-me vários outros poetas latino-americanos que me encantam.
Além de me apresentar a esses maravilhosos poetas da língua espanhola, é a José Antonio que devo a linda capa de meu livro.
Mas falava de Mario Benedetti - é dele um dos mais belos poemas em língua espanhola que conheço e que está colocado na postagem anterior. E é também de Benedetti a mais linda interpretação de um soneto de Neruda. Vejam se não tenho razão quando afirmo isso, clicando no link abaixo.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A Poesia perde Mario Benedetti


(Mario Benedetti)

Quiza fue una hecatombe de esperanzas
Un derrumbe de algun modo previsto
Ah pero mi tristeza tuvo un solo sentido
Todas mis intuiciones se asomaron
Para verme sufrir
Y por certo me vieron
Hasta aqui habia hecho e rehecho
Mis trayectos contigo
Hasta aqui habia apostado
A inventar la verdad
Pero vos encontraste la manera
Una manera tierna
Y a la vez implacable
De desahuciar mi amor
Com un solo pronostico lo quitaste
De los suburbios de tu vida posible
Lo envolviste en nostalgias
Lo cargaste por cuadras e cuadras
Y despacito
Sin que el aire nocturno lo advirtiera
AH! nomas lo dejaste
A sola com su suerte
Que no es mucha
Creo que tienes razon
A culpa es de uno cuando no enamora
Y no de los pretextos
Ni del tiempo
Hace mucho muchisimo
Que no me enfrentaba
Como anoche al espejo
Y fue implacable como vos
Mas no fue tierno
Ahora estoy solo
Francamente
Solo
Siempre cuesta un poquito
Empezar a sentirse desgraciado
Antes de regresar
A mis lobregos cuarteles de invierno
Com los ojos bien secos
Por si acaso

Miro como te vas adentrando en la niebla
Y empiezo a recordarte.

Quando minh'alma sente saudade...

Minha alma portuguesa acordou hoje com saudades...
E quando ela sente saudades, precisa ouvir Amalia.

Se sua alma anda, como a minha, cheia de saudades, sente-se aqui ao meu lado, que vai-se cantar o fado...

Uma lembrança muito doce...


Hoje o dia amanheceu ensolarado, todo azul, num friozinho leve, típico do outono. Mas é segunda-feira e, como os meus antigos costumavam dizer, segunda-feira é dia de preguiça... E nessa sensação de preguicinha gostosa que nos domina em manhãs como esta, levantar da cama foi um pouco mais difícil e fiquei eu um pouco mais entre os lençóis a divagar, a lembrar coisas e pessoas e lá se foi meu pensamento rumo ao outro hemisfério, envolver meus netos que vivem por lá.
Voltei no tempo e vi-me na noite de outra segunda-feira, em Winchester, MA, onde minha filha mora.
Lembrei-me de meu netinho caçula. Alexander nasceu no dia de meu aniversário e isso tem feito de nós duas pessoas mais ligadas. Passo longas temporadas por lá, o que me permite conviver muito com ele. Doce, carinhoso, espontâneo, temperamento latino, ao contrário do irmão mais velho, mais contido, com aparência e temperamento escandinavos, como o pai. Pois esse garotinho é responsável por um dos momentos mais doces de minha vida.
Numa noite, já estava deitada, quase dormindo, quando ouvi a porta de meu quarto se abrir e passinhos leves pelo assoalho. Senti que meu pequeno Alexander chegou junto da minha cama e sussurrou: “boa noite, vovó Dulce”. Respondi “boa noite, meu anjo, durma bem”. Percebi que se afastava, mas parou e voltou correndo e passando seus dedinhos por meus cabelos, debruçou-se e sussurrou carinhosamente ao meu ouvido “Eu te amo, vovó Dulce” e, antes que eu pudesse dizer uma palavra já corria em direção ao seu quarto de dormir, deixando esta vovó com uma enorme sensação de bem querer dentro do peito, uma imensa sensação de paz, de aconchego na alma.
Pode haver lembrança mais doce que esta? E ainda hoje, quase três anos depois, ao lembra-me daquele momento, minha alma se enche de ternura e gratidão. A ele, por fazer de mim uma vovó feliz e à vida por ter-me feito avó do meu pequeno e doce Alexander

Dulce Costa
Na manh˜de um frio outono do ano de 2009

domingo, 17 de maio de 2009

Na noite, saudades...


"Na noite de outono, um tanto fria, vago pela casa em penumbra... Chego à janela, descerro as cortinas, um luar imenso inunda minha alma...
E a noite enche-se de saudades...
"

Outras tardes de domingo...

Tarde de domingo, aqui sentada em meu terraço, um friozinho típico de outono convidando a uma xícara de chá e os pensamentos, as lembranças, rondando, rondando...
Tão doces lembranças de um tempo em que meus domingos eram dias cheios de animação, de alegrias, dias em que nos reuníamos em casa de meus pais, quando minha mãe se esmerava junto ao fogão para que nos deliciássemos depois na mesa farta que era uma constante naquela casa. Já casada, meus filhos ainda pequenos, morávamos no Bairro da Penha e meu pai chegava lá, com meu irmão, sorridente, abraçando meus filhos que corriam para recebê-los, ia logo dizendo que minha mãe estava fazendo este ou aquele prato delicioso e que queria que fôssemos prová-lo... Era ele quem sempre determinava as coisas lá entre eles, minha mãe não fazia nada que ele não quisesse, mas ele sempre dizia que era ela quem mandava, que era ela quem queria, que era ela quem convidava... Era sua maneira de dizer que quem governava a casa era a “patroa”. Passávamos o domingo com eles e só retornávamos para casa à noitinha. Maravilhosos domingos...
Houve tempo, anos depois, em que era eu quem abrigava e recebia meus filhos nos almoços de domingo. Já casados, eles vinham com suas mulheres e seus filhos para o que chamavam de “o almoço da mama” e era uma delícia! Uma algazarra, uma alegria! Sentados em volta da mesa, nós nos lembrávamos com saudade daqueles outros domingos passados em casa de meus pais e era lindo ver meus filhos contando para meus netos como tinham sido aqueles domingos, lembrando que meu pai sempre brincava com eles dizendo “Se vocês comerem tudo, ganham um apito” e que nem seria preciso ganhar nada porque tudo era tão gostoso que o difícil seria não comer... Mas que quando eles terminavam o almoço, corriam para o avô, entre risos, cobrando o apito, que era um assobio emitido sonoramente por meu pai, para depois caírem todos num riso descontraído... E essas lembranças tornavam ainda mais prazerosas nossas tardes de domingo.
Mas a vida nos leva para caminhos nem sempre pavimentados por nossos próprios sonhos e, de repente, estamos no outono, quase inverno da vida, cheios de saudade. “Minhas crianças” (rs), levadas pelas contingências de cada um, tomaram rumos diferentes e distantes. Minha filha foi para outro país, meu filho mais velho mora em outra cidade, meu segundo filho vive assoberbado com seus problemas e seu trabalho, e muito, mas muito raramente consigo reuni-los em torno de mim...
Assim, passo meus domingos entre meus livros, meus CDs, meu computador que me leva pelo mundo, tentando não transformar em triste melancolia o que é, na verdade, doce recordação, doce lembrança... Lembrança de meus pais, de meus irmãos, lembranças de meus doces domingos... De um tempo que deixou saudade...

Dulce Costa
Na ensolarada tarde do domingo, dezessete de maio do ano de dois mil e nove.

VIDA - Quem opina?...


"A vida começa todos os dias.
"

(Érico Veríssimo)

sábado, 16 de maio de 2009

AMOR... Quem define?...


"O amor é o espaço e o tempo tornados sensíveis ao coração."

(Marcel Proust)


Drummond na manhã de sábado...

Alexander passa por sobre a pedra e abre os braços para o mundo...

(clique para ampliar)


"No meio do caminho"

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra


Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra

(Carlos Drummond de Andrade)


Um sonho a perder-me na noite...

Finalmente a casa em silêncio... A noite vai caminhando docemente em meu quarto, em meu canto.
De volta ao ninho, recostada em minha cama, a doce voz do Elvis envolvendo minha alma, vou permitindo que meus pensamentos dancem dentro de mim e vou selecionando lembranças, separando sonhos, para embalar em pétalas de rosas perfumadas, brancas como flocos de neve, vermelhas como paixão... Embalo-os docemente e vou armazenando-os em meu bauzinho de memórias. E na medida em que vou recolhendo um ou outro, abro meu sorriso mais doce ou seco minha lágrima mais sentida...
Afinal, é disso mesmo que é feita a vida. De retalhos de pensamentos, de gotas de saudade, de sonhos que se quedam encolhidos a um canto ou que chegam esfarrapados, sem chance de continuidade...
E sem que me dê conta, num pequeno descuido, um sonho lindo, que vivia há décadas trancafiado lá no fundo da alma ressurge, impondo-se a todos os outros trazendo consigo traços de uma juventude que há muito se esvaiu pelos caminhos da vida. Chega mansamente, como quem pede licença e vai se instalando, tomando conta dos pensamentos que, na voragem da dança esqueceram–se de manter a guarda... E o sonho envolve, ilumina a noite com esperanças que costumavam torna-lo luminoso...
A música faz-se mais doce, a noite é feita de paz...
E eu que pensava ter-se aquele sonho diluído no tempo, sinto-me confusa, completamente perdida, sem saber o que fazer com ele...


Dulce Costa
Na noite de quinze de maio do ano de dois mil e nove.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Mais uma foto para encantar os olhos...

Jardim Botânico de Genebra - O passeio do pavâo (Foto Osvaldo)
(Clique para ampliar)

Aqui está mais uma incrível foto. Desta vez o autor é meu amigo Osvaldo, do blog "Mau Triste e Feio", que não tem absolutamente nada de mau, nem de triste e, muito menos, de feio. Pelo contrário" É um fantástico espaço cultural que nos leva ao mundo mágico dos museus e do jardim botânico de Genebra, Suiça. Osvaldo autoriza a publicação de suas fotos (de paisagens) mas para quem quiser ver as obras que essas instituições encerram, aconselho uma visita ao citado blog. Garanto que vão gostar muito.

Obrigada, Osvaldo.


Um pensamento (5)

"Só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver."

(Dalai Lama)


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Rosas são meu encanto...


Ainda mais as rosas cultivadas em jardins, como esta da foto, linda, que foi fotografada pela amiga Lourdes, de "O Açor".
Plantadas por ela, enfeitam o jardim de sua casa e agora o meu cantinho.
Divido essa beleza com vocês.

Obrigada, Lourdes.

Histórias de uma avó... Meu pequeno Alexander


As crianças, as vezes, são surpreendentes e muito engraçadas.

Há uns quatro anos, estava em casa de minha filha, em Winchester, MA, e o marido dela havia chamado um técnico da companhia de gás para fazer um orçamento e estudar a possibilidade da troca do equipamento de aquecimento, que era a óleo, por outro mais moderno, a gás. Ela e o marido conversavam com o técnico, um homenzarrão, muito alto e forte, mas que ostentava uma respeitável barriguinha e que tinha cabelos louros e longos, presos na nuca, num rabo de cavalo. Em sua camioneta, os dizeres “Halley Davidson é um estilo da vida”, definiam o estilo do próprio homem. Pelo menos o que tenho visto por la, rodando pelas estradas americanas, bate perfeitamente com o que estava ali na minha frente.
Num dado momento, o Alexander, meu netinho de quatro anos, puxou a mão de minha filha, fazendo-a abaixar-se, e perguntou:
- Mamãe, ele é menino ou menina?
Minha filha então respondeu-lhe, em português, pedindo-lhe que falasse em português também, com receio de constranger o homem que, envolvido na conversa, felizmente, não percebera a dúvida do pequeno Alexander. Disse-lhe que era um “menino”, ao que meu neto retrucou:
- Mas ele tem cabelos tão compridos!
Saindo de perto da mãe, deu mais uma ou duas voltas em torno do homenzarrão,, voltou e perguntou, desta vez em português, para alívio de minha filha:
- Mamãe, porque ele tem uma barriga tão grande?
- Eu não sei! Talvez ele goste de uma cervejinha - respondeu minha filha, deixando meu neto com um jeitinho de quem não tinha entendido nada e, saindo para ir novamente olhar de perto aquela portentosa figura e voltar novamente para a mãe e perguntar:
- A mãe dele não ensinou que não se deve desenhar nos braços?
- Aquilo sãos tatuagens, meu filho, respondeu minha filha, já se esforçando para conter o riso.
- Mas a mãe dele devia ter ensinado pra ele que não se deve desenhar tatuagens no braço!
A essa altura da “conversa”, minha filha achou melhor mandar o pequeno curioso brincar do lado de fora da casa, antes que, como acontece sempre, e sem se dar por isso, ele voltasse a falar em inglês e fizesse alguma outra pergunta embaraçosa, e eu fiquei aqui pensando se, quando ele chegar a adolescência, vai se preocupar tanto com os ensinamentos sobre escrever ou não nos braços... Espero que sim!

Dulce Costa

Lindas fotos dos Açores


Hoje, neste cantinho de fotos amigas, uma linda foto da querida Fernandinha do "Fernanda & Poemas", mostra-nos a beleza da Ilha do Faial, nos Açores - PT.
Em seu lindo blog, além de suas incríveis fotografias, belos poemas, cheios de sensibilidade...
Visite esse agradavel cantinho, você vai gostar...

Obrigada Fernandinha.


Para meus amores e meus amigos...


Meu carinho, minha bem-querência ficam distriuídos entre meus amores e meus amigos e sempre que envio uma mensagem "coletiva" é assim que ela começa e quem a recebe sabe bem em que categoria se encontra... Meua amores são filhos, netos, sobrinhos, primos, enfim, parentes queridos, pelo sangue ou por afinidade. Meus amigos são os presentes raros que a vida me deu e que iluminam minha caminhada com sua presença, com sua amizade. Mas é claro que um não anula o outro, já que tenho amores que são muito amigos e amigos que se enquadram bem como meus amores. O mais importante é que todos eles sabem o quanto os quero bem, o quanto sou grata por te-los em minha vida e que para eles guardo em mim um manancial de amor e carinho, que nunca me nego a oferecer. Quem vai chegando em meus caminhos pode até estranhar tudo isso, mas na medida em que me vai conhecendo e vai entendendo que esse é meu jeito de ser, vai se enquadrando nele, aceitando-me como sou, recebendo o afeto que lhes ofereço e o retorno é sempre prazeroso. Não faz mais do que seis meses que tenho este blog e no entanto já me vejo cercada de pessoas lindas, amigas, que me vem enchendo de atenção, carinho, alegrias... Pessoas d'aquem e d'alem mar, que chegam ao meu cantinho sempre com um sorriso nas entrelinhas e uma palavra de incentivo, de amizade.
E a esses amigos e amores que enfeitam e dão razão a minha vida, trago hoje meu abraço e meu muito obrigada por ocuparem um espaço tão doce em meu coração...
A cada um de vocês que visitam meu "Em-prosa-e-verso", que dividem comigo pedaços do meu dia passado aqui, que pacientemente leem meus escritos, sempre me incentivando a continuar, meu carinho e meu muito obrigada pela amizade com que me distinguem...
Quero-os, a todos, muito bem.


quarta-feira, 13 de maio de 2009

Lindas flores da Ilha da Madeira - 3


Hoje volto com as lindas flores da Madeira, da minha amiga Isa, do Momentos Meus.

Muitissimo obrigada, Isa.

MATURIDADE

Nunca se pôde viver tanto tempo e com tão boa qualidade, mas no atual endeusamento da juventude, como se só jovens merecessem amor, vitórias e sucesso, carregamos mais um ônus pesadíssimo e cruel: temos de enganar o tempo, temos que aparentar 15 anos se temos 30, 40 anos se temos 60 e 50 se temos 80 anos de idade. A deusa juventude traz vantagens, mas eu não a quereria para sempre. Talvez nela sejamos mais bonitos, quem sabe mais cheios de planos e possibilidades, mas sabemos discernir as coisas que divisamos, podemos optar com a mínima segurança, conseguimos olhar, analisar, e curtir – ou nos falta o que vem depois: maturidade?

(Um texto de Lya Luft)

Um pensamento...


"Se ao escalar uma montanha na direção de uma estrela, o viajante se deixa absorver demasiado pelos problemas da escalada, arrisca-se a esquecer qual é a estrela que o guia."

[Antoine de Saint-Exupéry]

terça-feira, 12 de maio de 2009

Fotos que me encantam...



(Niterói / Rio - foto Ney - clique para ampliar)

Continuo aqui com este cantinho de fotos que me encantam.
As maravilhosas Flores da Madeira, gentilmente cedidas pela Isa, vão continuar enfeitando meu blog, mas, a partir de agora, intercalo essas lindas fotos com outras igualmente lindas dos vários amigos que tenho e que dominam a arte da fotografia, apresentando-os um a cada dia, para que possam conhece-los ou reve-los...
Hoje começo a mostrar a vocês as belezas das cidades de Niterói e do Rio de Janeiro, captadas pela câmera do meu amigo Ney , a quem agradeço por permitir-me coloca-las aqui.

Florbela Espanca - Poesia ao cair da tarde


Escreve-me...

Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!

Escreve-me! Há tanto,há tanto tempo
Que te não vejo, amor! Meu coração
Morreu já, e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!

"Amo-te!"Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!

Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então...brandas...serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...

Lindas flores da Ilha da Madeira - 2

Com meus agradecimentos a Isa (Momentos Meus)

A arte da fotografia...


A arte da fotografia enfeitando meu cantinho


Sou apaixonada por fotografias. Para mim, uma arte. E, infelizmente para mim, uma arte que não domino. Não domino mas não desisto. Aonde quer que eu vá, minha câmera me acompanha, tenho-a sempre em minha bolsa, prontinha para um clic... E gosto de ir flagrando paisagens e momentos, mesmo de dentro de um carro em movimento, hábito que adquiri e vou desenvolvendo em meus tempos passados em Boston, quando visito minha filha e, maravilhada com o que vejo vou clicando, captando tudo que me encanta. Assim tenho conseguido algumas boas fotos, claro que sem a técnica que gostaria de ter.
Vejo maravilhada aqui nos blogs amigos fotos incríveis, que gostaria de ter tirado... Mas como não o fiz, andei solicitando permissão aos fotógrafos para publicar algumas em meu site, para torna-lo mais agradável, mais bonito. Permissão sendo concedida, vou, a partir de hoje, colocar a cada dia uma foto das que me tem encantado e em cada uma a “assinatura” de seu autor, com meus agradecimentos e a minha admiração.
Ontem coloquei “Flores da Ilha da Madeira”. Uma das várias que encontrei no lindo blog da Isa – “Momentos Meus” e hoje repito a dose, com outra das belíssima fotos que lá encontrei, esperando assim trazer um pouco mais de cor e beleza para este cantinho.

Dulce

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Lindas flores da Ilha da Madeira - 1


Isa, do blog Momentos Meus, recebeu de umas primas lá da Ilha da Madeira, lindas fotos das flores que por lá encantam os olhos de moradores e turistas que frequentam esse lugar maravilhoso, berço de minha familia, por parte de meu pai.
E, gentilmente, permitiu que eu as colocasse aqui no "Em-prosa-e-verso, para encantar os olhos de quem por aqui passar.
Assim, vou colocando uma a cada dia, para que meu blog fique, por alguns dias, alegre, colorido, como a Madeira o é.

Obrigada Isa

Encantem seus olhos, meus amigos...


Interior com ares de Capital


(clicar na imagem para ampliar)

Campinas é uma cidade do interior, com ares de capital. Distante cem quilômetros de São Paulo, moderna, agitada, uma delícia de lugar.
Sempre tive laços a me prenderem por aqui. Foi para cá que meus avós vieram quando imigraram de Portugal, aqui meu pai cresceu e viveu até seus vinte e dois anos. Minha mãe veio para cá aos dezessete e aqui viveu até seu casamento, aos vinte e um anos.
Meus avós maternos tinham um sitio nas cercanias da cidade e era aonde, em criança, vinha passar minhas férias . Já adolescente, mesmo meus avós tendo ido morar em São Paulo, costumávamos passar alguns dias por ano no sitio de uns primos de meu pai, bem perto daqui e esses foram tempos maravilhosos, entre pessoas lindas, acolhedoras, e desse tempo tenho lembranças incríveis..
Lembro-me sempre com muita saudade dos Bosco, dos Gouvêa., primos muito queridos,... Do tempo em que o hoje Bairro do Matão era zona rural e ainda pertencia a Campinas – hoje pertence a cidade de Sumaré e de rural não tem mais nada,,, Região de sítios e granjas, era meu mundo encantado. Uma região que vi ir mudando, passo a passo, ir se transformando, ganhando ares de cidade. Naqueles tempos, a eletricidade ainda nem tinha chegado por lá, a noite era iluminada por lampiões e lamparinas, mas eram noites mágicas,...
Venho sempre a Campinas para estar com meu filho, minha nora e meu neto, que moram aqui há mais de dez anos. Minha nora nasceu aqui e, depois de morarem em São Paulo por muitos anos, ela e meu filho, decidiram aqui morar, buscando uma qualidade de vida melhor,
Assim, com todos esses laços a me prenderem a esta cidade, nem poderia ser diferente. Aqui fiz amigos que sempre que chego me acolhem com alegria e aqui sinto-me em casa...

E é desta acolhedora cidade que vou, durante toda esta semana, falar com vocês, amigos leitores deste blog. E é do condomínio aonde meu filho mora, a foto que ilustra esta postagem de hoje. Muito verde, pássaros cantando, sossego, céu azul, temperatura amena... Melhor do que isso? Impossível...

Campinas, no dia onze de maio do ano de dois mil e dois.

domingo, 10 de maio de 2009

Ainda no Dia da Mães...


Por ser Dia das Mães, hoje vim na companhia de meu filho mais velho, Ubirajara...
Os outros dois só por telefone, minha filha em outro hemisfério e meu filho em outra cidade... Coisas que as mães lamentam, mas entendem, porque o que realmente importa é que eles estejam bem...

Mas de cada um deles recebi um carinho, um afago, muito amor.

sábado, 9 de maio de 2009

Mensagem para as mães...


Minhas amigas

Neste domingo, o dia é nosso e a data muito especial. Então... Celebremos!...
Celebremos com muito amor, com alegria, com toda a festa a que temos direito...


Dulce



sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sonhando diante da imensidão...

(Na foto, meus netos Philip e Alexander, sonhando aventuras diante da imensidão do mar, num dia em que fomos visitar as baleias em seu habitat natural)


"Os sonhos não são desafios, são caminhos, são destino, liberdade e paixão".

(Albert Camus)



Guardo em mim um terraço encantado...

(Orquídeas do Jardim Botânico do Rio. Foto Ney)

Cada um de nós tem um lugarzinho secreto dentro de si para poder abrigar-se dos males da vida quando eles resolvem nos atormentar, ou para nos embalarmos em doçuras e encantos. Um bosque, uma praia, uma casa de campo, um pequeno apartamento numa cidade qualquer,,, Eu tenho um terraço! E esse meu terraço é encantado...

Daqui deste meu terraço costumo vislumbrar mundos e fundos... Costumo parar para pensar na vida, para viver a irrealidade dos meus sonhos, para analisar momentos e pensamentos. Entro no mundo da poesia, da musica, da fantasia. Namoro ao luar ou olhando a chuva cair por sobre a cidade. Sou jovem, sou mulher madura, sou velha, tudo a um só tempo, dependendo muito das circunstâncias, do momento, da virtual companhia... se um amigo querido, se um amigo distante, ou se for eu mesma essa companhia. Aqui abro minha alma, solto confidências, reclamo da vida, canto docemente ou desafino, danço ao som de violinos, choro em silêncio, morro de ciúmes, ando serenamente, pés descalços, coração aberto para o mundo... Aqui vivo minha dualidade, aqui sou eu mesma, sem máscaras, aqui reconheço todos os meus desejos, mesmo os mais escondidos, aqueles que não gostaria de confessar nem a mim mesma e que vêm a tona fazendo de mim uma mulher que ainda sente uma intensa ânsia de amar, de ser amada, de ser envolvida num cálido abraço, viva, total e completamente viva, neste singular outono de minha vida...

Dulce Costa
Na fria madrugada do dia oito de maio do ano de 2009.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Mas houve o sonho...

(Clicar na imagem uma melhor visualização)

Um dia houve um sonho, muita emoção, tanto carinho...
Depois veio a incerteza, o medo, o afastamento, a dor, as lágrimas...
Hoje resta a saudade, imensa, doída, rolando dentro dela, acorrentando sua alma, impedindo seu sorriso...
Fases da vida, momentos vividos, sonhos partidos.... Mais nada!

Mas um dia houve um sonho...

Charles River - Boston

Só para encantar os olhos...