floquinhos

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Fotos... Madrugada... Tantas lembranças...

(E o dia amanhece em Sampa)

Ontem, vencida pelo cansaço de um final de semana de “avó em tempo integral”, acabei indo mais cedo do que de costume para a cama e, como é natural em mim, a madrugada me pegou já acordada, vagando pela casa ao som do violino de Joshua Bell encantando minha alma...
Um tanto nostálgica, resolvi abrir uma caixa aonde guardo fotos (muito) antigas, minha caixa visual de recordações, não só para vê-las, mas também para tentar organizá-las de forma a colocá-las, todas, em arquivos no computador. Mas se o projeto era trabalhar com elas, à medida que foram sendo retiradas, uma a uma, da caixa, as lembranças que vinham com essas fotos foram se juntando em volta de mim, em bons e maus momentos, em saudades imensas, em carinho, em presenças muito queridas que foram ficando pelas paragens dos caminhos, em presenças que a vida colocou longe de mim, em presenças que se fazem ainda presentes em meus dias...

Ah, nesta minha mãe era ainda tão jovem e linda, com seus encantadores olhos verdes e seu ar de serenidade... Nesta outra meu pai todo garboso em sua farda... Vejo aqui meus tios reunidos num almoço de família - tão grande nossa família, tão alegre... Oh!... Meu irmão tão pequenino ainda... Sinto tanto a sua falta... Como era linda minha irmã, olhar altivo, parecia que nada no mundo poderia atingi-la, e, no entanto... Ah, como a vida pareceu ser-lhe cruel! Aqui a amiga inseparável de minha infância... Por onde andará? Esta outra amiga partiu tão cedo... Tenho tão boas lembranças dela, e na medida em que vou envelhecendo, sua ausência se faz mais sentida...
Aliás, todas as minhas ausências vão se fazendo mais sentidas na medida em que avanço por meus caminhos.
Antes, ocupada com a criação da família, preocupada com o bem estar deles, ou com meu trabalho, meu tempo todo distribuído entre mil ocupações, parecia que as ausências iam sendo absorvidas pelo tempo. Agora, tranquilamente percorrendo o outono de minha vida, com tempo maior para pensar, sonhar, recordar, quando resolvo voltar assim ao passado, num doce momento de rever velhas fotografias, é que percebo o quanto cada um deles ainda vive em mim, o quanto suas presenças foram importantes em cada um dos meus dias.
E entre lindas e amareladas fotos que mostram sorrisos, lágrimas contidas, alegria ou tristeza, descontração ou preocupação em fazer pose para uma imagem que se perpetuaria no papel - nem se davam conta disso, só queriam parecer bonitos - minha madrugada de lembranças foi mergulhando no dia que vai aos poucos surgindo lá fora.

Não montei arquivo nenhum, mas em compensação tive longas conversas com meus antigos, passeei no parque com minha irmã, dancei com meu pai, senti-me abrigada no colo de minha mãe, embalei meu irmão no meu colo, ouvi encantada meu tio cantar um tango de Gardel, tirei fotos com minhas amigas lá na rua antiga, visitei parentes queridos em outra cidade, e revi até meu primeiro e platônico amor de adolescente.

Foi uma linda madrugada!... Valeu cada minuto de sono perdido.

Dulce Costa

No amanhecer do dia quatro de maio do ano de dois mil e nove.

4 comentários:

BEL disse...

Olá Dulce
Continuo a gostar das fotos em papel, gosto de me sentar no chão com as caixas e albuns à minha volta para perder-me nos pensamentos, alegrias e tristezas do que vivemos antes, sonhar com quem já partiu ou está longe, chorar até de nostalgia de vez em quando faz bem voltar atrás.

Beijos
Bel

Dulce disse...

Bel

Exatamente como eu... Passo horas entre minha fotos antigas, e se em brano e preto, ainda gosto mais.
Volto no tempo, viajo a lugares já percorridos, renovo minhas emoçõe.

Beijos

Lourdes disse...

Olá Dulce,
Também eu adoro rever as minhas fotografias, recordar os amigos e familiares, alguns deles já falecidos e regressar àquele passado em cima do qual se construiu o nosso presente. Muitas das vezes, é um misto de emoções: o riso e as lágrimas confundem-se entre cada fotografia, consoante os momentos que elas representam.
Mas é muito bom.
Beijinhos

Dulce disse...

Lourdes,

mas é mesmo um momento ímpar, quando se voltar no tempo por alguns instantes, pelo menos por aquele instante que ficou preso na foto, e rever pessoas tão queridas...

beijinhos