floquinhos

terça-feira, 19 de maio de 2009

Fernando Pessoa para sua tarde...


EU, EU MESMO


Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. —
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado? Sem dúvida...
Tenho um presente? Sem dúvida...
Terei um futuro? Sem dúvida...
Ainda que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu...

(Alvaro de Campos)

2 comentários:

Daniel Costa disse...

Dulce

A poesia de Pessoa, mesmo a assinada por heterónimos, é inconfundível, é ele mesmo!

Daniel

Dulce disse...

Sim, Daniel,

Mesmo que ele não afirmasse com tanta veemência, saberiamos ser "ele mesmo"