floquinhos

domingo, 17 de maio de 2009

Outras tardes de domingo...

Tarde de domingo, aqui sentada em meu terraço, um friozinho típico de outono convidando a uma xícara de chá e os pensamentos, as lembranças, rondando, rondando...
Tão doces lembranças de um tempo em que meus domingos eram dias cheios de animação, de alegrias, dias em que nos reuníamos em casa de meus pais, quando minha mãe se esmerava junto ao fogão para que nos deliciássemos depois na mesa farta que era uma constante naquela casa. Já casada, meus filhos ainda pequenos, morávamos no Bairro da Penha e meu pai chegava lá, com meu irmão, sorridente, abraçando meus filhos que corriam para recebê-los, ia logo dizendo que minha mãe estava fazendo este ou aquele prato delicioso e que queria que fôssemos prová-lo... Era ele quem sempre determinava as coisas lá entre eles, minha mãe não fazia nada que ele não quisesse, mas ele sempre dizia que era ela quem mandava, que era ela quem queria, que era ela quem convidava... Era sua maneira de dizer que quem governava a casa era a “patroa”. Passávamos o domingo com eles e só retornávamos para casa à noitinha. Maravilhosos domingos...
Houve tempo, anos depois, em que era eu quem abrigava e recebia meus filhos nos almoços de domingo. Já casados, eles vinham com suas mulheres e seus filhos para o que chamavam de “o almoço da mama” e era uma delícia! Uma algazarra, uma alegria! Sentados em volta da mesa, nós nos lembrávamos com saudade daqueles outros domingos passados em casa de meus pais e era lindo ver meus filhos contando para meus netos como tinham sido aqueles domingos, lembrando que meu pai sempre brincava com eles dizendo “Se vocês comerem tudo, ganham um apito” e que nem seria preciso ganhar nada porque tudo era tão gostoso que o difícil seria não comer... Mas que quando eles terminavam o almoço, corriam para o avô, entre risos, cobrando o apito, que era um assobio emitido sonoramente por meu pai, para depois caírem todos num riso descontraído... E essas lembranças tornavam ainda mais prazerosas nossas tardes de domingo.
Mas a vida nos leva para caminhos nem sempre pavimentados por nossos próprios sonhos e, de repente, estamos no outono, quase inverno da vida, cheios de saudade. “Minhas crianças” (rs), levadas pelas contingências de cada um, tomaram rumos diferentes e distantes. Minha filha foi para outro país, meu filho mais velho mora em outra cidade, meu segundo filho vive assoberbado com seus problemas e seu trabalho, e muito, mas muito raramente consigo reuni-los em torno de mim...
Assim, passo meus domingos entre meus livros, meus CDs, meu computador que me leva pelo mundo, tentando não transformar em triste melancolia o que é, na verdade, doce recordação, doce lembrança... Lembrança de meus pais, de meus irmãos, lembranças de meus doces domingos... De um tempo que deixou saudade...

Dulce Costa
Na ensolarada tarde do domingo, dezessete de maio do ano de dois mil e nove.

2 comentários:

FERNANDA & POEMAS disse...

QUERIDA DULCE, ESTAR CONTIGO NESTA TARDE DE DOMINGO É UMA BENÇÃO AMIGA... DESEJO-TE UMA NOITE FELIZ!!!
ABRAÇOS DE AMIZADE,
FERNANDINHA

Dulce disse...

Fernandinha,

Muito obrigada, amiga.
Uma benção é ter amigas como você.

beijos e uma boa noite.