floquinhos

terça-feira, 18 de maio de 2010

A Hora mágica de Drummond menino...

(Casa onde Drummond nasceu - Itabira, MG)

Pés contentes na manhã de março.
Ó vida! Ó quinta-feira inteira!
pisando a areia que canta, o barro que clapeclape,
a poça d`água que rebrilha.
Há de ser sempre assim, não vou crescer,
não vou ser feito os grandes, apressados,
aflitos, de fumo no chapéu,
esporas galopantes.
O dia é todo meu. E este caminho,
estas pedras, estes passarinhos, este sol espalhado
em cima de minhas roupas, de minhas unhas.
Tenho canivete Rodger, geléia, pão de queijo
para comer quando quiser.
Posso devassar o mato grande até Guanhães,
descobrir tesouros, bichos nunca vistos,
quem sabe se um feiticeiro, um ermitão,
a ondina ruiva do Rio do Tanque.
Igual aos índios, igual a mim mesmo, quando sonho.

{Carlos Drummond de Andrade - do livro Boitempo (1), onde o poeta discorre sobre a vida simples de sua família, no campo, sobre os dias de sua infância.}

16 comentários:

Lídia Borges disse...

Um hino à vida em todo o seu esplendor, à alegria de se poder ser criança para sempre.

Maravilhoso!

L.B.

Agulheta disse...

Querida Dulce.Simplesmente belo cada detalhe,neste desabruchar da vida de Drummond de Andrade,de igual modo um poeta que adoro ler.
Beijinho de amizade.Lisa

Maria Teresa disse...

Dulce:
Quanta magia naquele lugar onde pisaram aqueles pés contentes do menino cheio de sonhos e de pães de queijo! E ele ficou menino iluminado por aí, por aqui e no mundo inteiro.
Beijos

Maria Teresa disse...

Dulce:
Quanta magia naquele lugar onde pisaram aqueles pés contentes do menino cheio de sonhos e de pães de queijo! E ele ficou menino iluminado por aí, por aqui e no mundo inteiro.
Beijos

Carlos Albuquerque disse...

Estas palavras encantadas de Drummond fizeram-me destapar o passado, e dele trazer a imagem das minhas brincadeiras de infância...
O clapeclape no barro, sim! O pisar a areia que canta, também, na minha Ilha da Kyanda. E o chapinhar na poça de água deixada pela chuva, e agarrar o abraço do Sol, espalhando-se por sobre mim! E tanto, tanto mais...
Obrigado, Dulce.
Beijos

Dulce disse...

Lidia Borges

Lembranças da infância que todos temos e que tanto nos encantam...
beijos

Dulce disse...

Agulheta

Nosso Drummond fala da infância com tanto encanto que não podemos deixar de nos comover, não é mesmo, Lisa?
Beijos

Dulce disse...

Maria Teresa

Um menino iluminado que ficou nele para sempre e que ilumina a todos nós quando diante de suas palavras, de seus sentimentos...
Beijos

Dulce disse...

Carlos Albuquerque

E penso que, exatamente como em Drummond, esse menino que corria solto na Ilha de Kyanda vive ainda em você, enche ainda sua vida de encantos, por isso os versos enternecem.
Beijos

Pitanga Doce disse...

Ai que coisa mais linda! Também não vou crescer, não. Pra quê? Não vou ser apressada. Preciso ter tempo pra sonhar.

beijos Dulce, há correio.

Beta disse...

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Dulce disse...

Pitanga Doce

Correio lido, correio respondido.

Crescer pra que? Mesmo que o tempo passe, a criança deve permanecer em nós para que possamos viver momentos assim.
Beijos menina Mila...

Vitor Chuva disse...

Olá Dulce!

A felicidade feita de coisas simples, quando se era feliz sem o saber ...

Beijinhos.
Vitor

Dulce disse...

Vitor Chuva

sim, isso mesmo... a felicidade que habita o coração de uma criança e que, muitas vezes, seguimos buscando, sem nos apercebermos que ela está exatamente lá, nas coisas mais simples. Tem razão, Vitor.
Beijos

LOURO disse...

Olá Dulce!
Belo texto/poético de Carlos Drummont,em que nos faz recordar alguns momentos da nossa infância,
como eram bons aqueles tempos!!!

Beijinhos de carinho e amizade,
Lourenço

Dulce disse...

Louro

Doces tempos que ficam eternizados nas nossas lembranças, tempos de sonhos, de esperança... E Drummmond os lembra com ternura e os acorda em nós.
Beijos, obrigada e um bom dia para você.