floquinhos

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

E lá vou eu por meus caminhos...

A voz de Rod Stewart chegando através dos fones de ouvido, suave, com um que de sensualidade, vai preenchendo todos os cantos de minha alma, trazendo lembranças, saudades de um tempo não vivido, reavivando sonhos perdidos... Ah essa imensa e inexplicável capacidade de minha alma de inventar amores e sentimentos, só para não se sentir sozinha. E é tão perfeita nisso que acabo acreditando neles e sofrendo todas as consequencias, boas ou mas, que tais sentimentos possam proporcionar. E atravesso madrugadas em devaneios, em nostalgias, em encantamentos... E vem o desencanto, a realidade sempre muito mais cruel do que o sonho, a constatação de que nem deveria ter derramado lágrimas por tão pouco, e a indiferença vai se instalando aonde só havia ternura e carinho, o vazio vi se estendendo novamente por todos os cantos de mim. É bem frustrante essa sensação de ter sido enganada por si mesma, esse constatar que foi só mais uma fantasia, mas é preciso seguir em frente, então enxugam-se os olhos, escova-se a alma para retirar a poeira espargida pelas lutas travadas entre a realidade e o sonho, e, ainda com aquele desconforto natural que cada desilusão me proporciona, olhar para frente, tentando recomeçar mais um período de serenidade, voltar a envolver-me com meus afazeres, alguns até postos de lado para que sobrasse mais tempo para o sonho.
A princípio nem é tão fácil assim, os dias ficam sem graça, iguais, as noites tornam-se longas, nostálgicas, vazias, as musicas que encantavam, agora machucam, as poesias que falavam por mim agora alardeiam minha fragilidade, mas pouco a pouco as peças vão se encaixando, as madrugadas insones vão dando lugar a boas horas de sono reparador, e os dias amanhecem sem grandes expectativas, mas também sem grandes frustrações, sem o desgaste que produz sempre, em mim, a espera de alguma coisa que nem sempre acontece.
Claro que por vezes eu tenho recaídas, volto a minha fragilidade, a minha insegurança, ao meu esperar que haja um retorno, mas isso também passa, e lá vou eu aparando minhas próprias arestas, refazendo meus passos, reencontrando minha vida, meus caminhos...E minha tresloucada e sonhadora alma vai comigo, resmungando, é bem verdade, mas pouco apouco se aquietando, se acomodando e, como não poderia deixar de ser, traquinas que é, já rascunhando novos sonhos... E é exatamente ai que está a graça...

Dulce Costa
Winchester, 03 de agosto de 2009

4 comentários:

Pitanga Doce disse...

Dulce, o teu texto lembrou-me as palavras de Francesca (Meryl Streep) no filme As Pontes de Madison( de longe o meu preferido). Quando ela diz que quando terminasse o sonho que ela viveu com o fotógrafo voltaria "a sua vida de detalhes".

E não é assim? Sonhamos e nem sempre conseguimos fazer com que aconteça e depois caímos na mesma vidinha de sempre? "Vida de detalhes" e só.

boa noite Dulce e enquanto sonhamos, vivemos.

Dulce disse...

Pitanga

Ah, esse filme também me diz muito, Mila... E exatamente como você disse, um sonho, a volta a vida de detalhes e a esperança de um novo sonhos...

beijos e boa noite.

Vivian disse...

...querida Dulce,
o que seria de nós
sem os devaneios, sonhos,
lembranças e saudades
de tempos vividos ou ainda
por viver?

eu não me vejo sem...


bju, linda!

Dulce disse...

Vivian

Nada1... absolutamente nada... pelo menos eu, que sou sonhadora inveterada e incorrigivel, que afago doces lembranças e aliso ternas saudades.

bjs.