floquinhos

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Sempre pode haver um recomeço (2)


Caminhando em direção ao estacionamento, após mais um dia de trabalho, Marta ia perdida em seus pensamentos, como se fizesse uma retrospectiva de seu caminhar pelos dois últimos anos, um balanço de sua vida. Fazia exatamente dois anos que Jorge se fora, deixando-a completamente arrasada, achando que sua vida estaria terminada, que nunca mais conseguiria ser feliz, que a vida não faria o menor sentido sem ele. Mas surpreendentemente vira-se cercada de amigos que a apoiaram e que, com palavras de ânimo e insentivo, foram fazendo-a perceber que ela, e somente ela, era dona de sua vida, de seu destino, que as rédeas de sua vida estavam firmes em suas mãos e que caberia a ela conduzir seu destino, escolher seu caminho e seguir por ele com esperança e confiança no futuro. Assim,tão cercada pelo carinho dos amigos foi, aos poucos, retomando sua vida. Pôde dedicar-se mais ao trabalho e sua carreira deslanchou. Tendo mais tempo para si mesma voltou a procurar cursos para fazer, ampliando assim suas oportunidades de sucesso profissional, passou a sair mais, ir a teatros, cinemas, jantares com amigos, pequenas viagens, coisas que deixara de fazer para ter mais tempo para o marido, para a casa de ambos. Ficara mais bonita, remoçada, sentia-se agora uma mulher muito mais interessante e, no final, acabara por concluir que o divórcio fora a melhor coisa que poderia ter-lhe acontecido aquela altura de sua vida. E encontrar Rodolfo naquele dia fora, como costumava dizer, pura arte do destino. Havia ido a uma exposição de arte numa das galerias da cidade, apenas para marcar presença e incentivar uma amiga que expunha seus trabalhos pela primeira vez. Caminhava pelas salas, parando diante de uma tela ou outra com mais interesse, quando alguém, postando-se a seu lado, chamou-a pelo nome e ao virar-se viu, encantada, diante de si aquele amigo querido que há muito não via, um dos tantos que de quem se distanciara após o casamento, por insistência de Jorge em mante-la afastada de todos. Abraçaram-se felizes com o reencontro e ao término da visita, sairam juntos para jantar, num bistrô quase ao lado da galeria. Tinham tanto para contar um ao outro, e assim a noite foi se alongando e quando se despediram, já quase madrugada, deixaram combinado um novo jantar, um novo encontro.
E durante os últimos dez meses haviam sido companhia constante um para o outro... Marta recuperava aos poucos o prazer de viver, a alegria das pequenas coisas, a poesia dentro de si. E, sem que se desse conta, voltava a apaixonar-se, coisa que ela jamais pensara pudesse acontecer um dia. E isso a encantava ao mesmo tempo em que a deixava um tanto assustada, pois o medo de que se repetisse tudo o que passara com Jorge, o medo de uma nova decepção, faziam-na sentir-se insegura, sem saber se valeria a pena continuar naquele relacionamento. Mas sabia que, logo mais a noite, quando o encontrasse e ao sentir os negros olhos de Rodolfo perdidos dentro dos seus, quando sentisse a ternura de seu abraço, todas as dúvidas estariam dissipadas e poderia então deixar-se levar pelos doces caminhos do amor... Pelo menos por aquela noite e, ainda que todas as dúvidas voltassem na manhã seguinte, quando estivesse so com seus pensamentos e seus temores, Marta sentia-se recompensada pela vida.

12 comentários:

BEL disse...

muito bonito e um sinal de esperança para muita gente que está só

beijos

bel

Pitanga Doce disse...

Ó minha querida eu nem tenho coragem de ler isto. Tá chegando a hora,

beijos da Mila

Dulce disse...

Bel,

Sempre é preciso ter esperança, porque as vezes o que pensamos ser o pior acaba mostrando ser o que de melhor a vida poderia nos oferecer, um recomeço.
Beijos e boa tarde

Dulce disse...

Pitanga Doce

Mas é temporário, querida amiga, o tempo passa num átimo e logo você vai poder retornar e retomar o lindo sonho que está demonstrando ser uma maravilhosa realidade...
Beijos...

A ilha eu e a poesia disse...

Lindo!!!!!!!!!!!!

Beijinhos amiga

Dulce disse...

A ilha, eu e a poesia

Minha amiga chega em novo nome, mas sempre com a mesma gentileza.
Obrigada, Salomé.
Beijos e boa tarde.

Maria Emília disse...

Para tudo na vida há um recomeço. Está em nós querer mesmo recomeçar e crer que é possível.
Um beijinho e obrigada pela história. Com esses dois à cabeça, quem é que não vai querer ler!
Maria Emília

Dulce disse...

Maria Emilia

E devemos dar-nos sempre a chance para um recomeço.
An, tambem gosto muito desses dois...
Beijos e boa noite

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Se perdemos a coragem (ou a capacidade) de recomeçar, é porque estamos a envelhecer.

Dulce disse...

Carlos...

É bem possivel, meua amigo, bem possível...

Julio Cesar disse...

Oi Dulce...tudo bem?....dando a passadinha basica... e que lindo. Estimula a pegar a caneta e escrever (bem mais romantico que teclar...rs...)
bjs
PS: estimula mesmo a escrever, tal como o espaço Café Literário (pena que eu não tenha tanta capacidade assim de criar romances...sniff)

Dulce disse...

Julio Cesar

Tudo bem... e com você?
Ah, escrever é bom demais, com a caneta ou no teclado, sempre liberta a alma. Romance ou drama, temas sobre psicologia, poesias, seja o que for que se tenha dentro de si, e que vá fluindo através da escrita... tão bom!...
Obrigada, beijos e boa noite