floquinhos

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Neste nosso curioso mundo...


"Toujours e partout, la laider a ses accents de beauté. C'est passionant les decouvrir lá, oú personne ne les voit"

(Toulouse Lautrec)

Bem dizem que "a beleza está nos olhos de quem a vê" ou, se preferirem, como dizia o velho e tão decantado ditado, "quem ama o feio, bonito lhe parece"... Lautrec afirmava ser fascinante encontrar a beleza aonde ninguém a via. Já Vinícius, ao que parece, abominava a feiúra e pedia desculpas às feias enquanto afirmava que beleza sempre é fundamental... E tudo isso só pode significar que a beleza é relativa. Vejam, por exemplo, como isso se reflete nas diferenças raciais, como cada cultura cultiva suas próprias belezas.
Na Ásia, desde a infância, algumas mulheres da etnia Kayan envolvem seus pescoços em aros metálicos - numa espiral em forma de colar - promovendo um alongamento de até 25 centímetros, o que as torna conhecidas como mulheres-girafas.
Vendo um documentário, num dias destes, a respeito dessas mulheres, fiquei atônita, sem imaginar como um tal desconforto imposto a essas mulheres perdura até hoje em seus costumes. Vi meninas retirarem o colar e recolocá-lo depois alegando que ficaram feias sem eles...


Procedentes do deserto de Gobi, as ultimas tribos kayan vivem hoje na zona central de Mianmar, entre Loikau e o lago de Inle - famoso por seus pescadores que remam com os pés. Já se conheciam mulheres-girafas na África também, entre as tribos de Gana, mas a origem desse hábito na Ásia tem tido várias e diferentes interpretações que vão desde ter sido esse colar um castigo para suas mulheres adúlteras, até ser o pescoço o centro da alma e, protegendo o pescoço, as mulheres protegeriam a identidade da tribo, ou ainda ser esse colar um símbolo de riqueza.
Respeitando as tradições, os gostos implantados em cada cultura, ainda assim não posso deixar de lamentar ao ver essas mulheres aprisionadas em tão incômodo costume...
Minhas amigas conseguem imaginarem-se adornadas com tais colares?

2 comentários:

Julio Cesar disse...

Dulce..Dulce..querida Dulce. Como lhe disse no coment do 'Renoir', Lautrec divide minha prateleira junto com Gogh e Renoir, ainda que haja Cezane...Dali...Boticceli...
Não desmistificando a Vinicius (Nossa!..quem sou eu...), mas de fato a beleza é subjetiva e abstrata ainda que seja atribuída ao concreto, observável. Não há dúvida de que o prisma de quem vê é que confere tal propriedade. Também não há duvida de que a 'massa' absorve a beleza instituída. (o que dizer das 'gordinhas' pintadas em tantos quadros impressionistas e retratistas frente as 'tabuas' de hoje). Lautrec explora de forma magnanima a 'beleza', ele um nobre a pintar mulheres de cabaré. Em seus traços tortuosos e cores em contrastes incomuns, expressa a beleza que seus olhos captam. Um Gênio da Arte, sem dúvida.
Dentro dessa 'cultura de massa', para ser aceito no grupo é preciso partilhar das instituições formuladas e apregoadas por esses. eu já cheguei a ver pescoços mais longos que estes, no 'Fantástico'..rs...há tempos atrás). Para as mulheres 'girafas', incomodo maior é a exclusão do grupo, do social em que vivem, por discriminação(no caso da mulher adultera, o inverso). A exclusão do grupo lhe causa a 'morte prematura'.

Incrível post. Obrigado por ele, Dulce. bjs
Julio Cesar

Dulce disse...

JCesar

Mas sou eu quem agradece...
Maravilhoso comentário, meu amigo, complementando de forma linda a postagem de hoje. Muitíssimo obrigada. MESMO!
Beijos e boa tarde