floquinhos

sábado, 18 de dezembro de 2010

Para entender a alma dos poetas...

A noite silenciosa e fria vai caminhando lentamente para a madrugada. Mergulhada em um livro de poesias fui deixando minha alma vagar pelos sonhos e pela fantasia através de cada frase, de cada linha, de cada sentimento expresso com ternura ou ódio, com amor ou paixão, com desespero ou tristeza, muitas vezes em prantos de saudade ou de desencanto...
E a alma vai vivendo cada momento descrito pelo poeta que tem , hoje, como cúmplice, uma lua em crescente que parece colocada lá no firmamento para provocar almas solitárias e faze-las sonhar, amar, divagar... Uma lua traiçoeira que invade o quarto através da vidraça e que, esgueirando-se pelas cortinas entreabertas, acaba por instalar-se em meu coração...
Ah, mas o que é que eu queria? Abri a guarda... Abri as janelas e o meu coração para os poetas numa noite de solidão e, como dizia o Poetinha, "junta-se a isso uma lua desvairada"...

Como nos versos de Florbela...

..
Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!

(Florbela Espanca)

2 comentários:

Paloma disse...

DULCE,a flor de sua postagem parece
ter vida,dando a impressão que vai
saltar da tela. Que beleza!

Florbela Espanca, quanta sutileza e
sensibilidade.

Beijos

Dulce disse...

Paloma

Obrigada.

Florbela sempre toca o coração, sempre emociona...
Beijos