floquinhos

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Eu e minha cidade...

(São Paulo - Av. Paulista)

Nesta manhã de segunda-feira, já em contagem regressiva para o Natal, a cidade está cinzenta, agitada... Preciso sair, mas só em pensar que vou ter que perder horas no trânsito, perco o jeito... Meu Deus, o que fizemos com esta cidade? Houve tempo em nos orgulhávamos de ser "o maior centro industrial da América Latina", "a cidade que mais cresce no mundo"! Era tanto ufanismo que esses dísticos vinham escritos nas costas dos bancos, nos bondes dos anos cinquenta. E veja só aonde viemos parar, em que nos transformamos! Um amontoado de problemas, desde habitação até a segurança, da educação aos problemas médico-hospitalares, todos gigantescos. E a cidade que era grande, era acolhedora. Tanto que para cá vieram povos e raças, e vieram brasileiros de todos os cantos do país, todos acolhidos com amor, cada um transformando um pedacinho da paulicéia que já foi desvairada em um lar. E foram mudando a paisagem, transformando-a em cidade agitada, pujante, nervosa. Mas ao mesmo tempo, continuou cultural - com seus centros educacionais, seus teatros, suas casas de espetáculo, sua vida noturna, museus e galerias de arte, seus restaurantes que a transformaram em capital mundial da gastronomia, enfim, todo um centro de conhecimentos, aprendizado, entretenimento. Continuou como polo financeiro e industrial, como centro médico de referência, como centro comércial fervilhante, oferecendo assim um mundo de oportunidades para os que não temem o trabalho e tem força bastante para a luta. E nela vamos vivendo ou sobrevivendo todos, ricos, pobres e miseráveis, cultos ou incultos, refinados ou rudes, em ilhas de prosperidade e luxo - bairros do primeiro mundo, regiões habitadas e frequentadas pela elite, ou em bairros de classe média aonde a vida ainda corre, digamos, em proximidade com o que seria considerado ideal, ou mesmo em bairros mais pobres, onde a vida é mais dificil de ser levada ou ainda em favelas, aonde habitam pessoas que chegaram cheias de sonhos que ainda não conseguiram cumprir. Mas o pior é a enorme população dos sem-teto, dos moradores de rua, gente que chegou ao fundo do poço e que só um milagre da vida os conseguirá reerguer. Um milagre da vida ou a tomada de consciência dos nossos governantes que não conseguem, de forma alguma encontrar o caminho, acertar o rumo desta cidade linda, acolhedora apesar de tudo, carente de cuidados e de afeto...
Não era nada disso que eu me propunha a falar hoje, mas por vezes as idéias se confundem, as palavras tomam vida e se impõe e, quando nos damos conta, enveredamos por outros caminhos do pensamento... Como hoje que, sem me desse conta, acabei traçando um flash desta incompreendida mas muito amada cidade que me viu nascer, crescer, amadurecer... Vi seu crescimento descontrolado, acompanhei suas mudanças, lamentei muitos de seu momentos, sem nunca deixar de amá-la... Sem nenhum bairrismo. Apenas com gratidão.

19 comentários:

Lídia Borges disse...

São problemas próprios das grandes cidades, onde se humaniza a paisagem e ao mesmo tempo se desumanizam as relações humanas. O urbanismo e a desordem social, andam quase sempre de mãos dadas.

Um beijo

Agulheta disse...

Dulce.
Hoje foi a primeira nesta página,de vida e sobre a sua cidade,tudo muda e o desemvolvimento por vezes também deixa as suas marcas,será um pouco como aqui,tudo se modificou em pouco tempo,e vejo por os meus lados.Sabe tive um cunhado meu,marido da minha irmã,que foi aí a S.Paulo ser operado ao coração,era uma situação de risco,veio muito bem,a minha mana adorou sua terra e suas gentes,só que infelizmento o meu cunhado partiu e nada mais podemos fazer por ele.Gostei de ler as suas raíses,também descritas nos dias de hoje.
Beijinho de amizade Lisa

Graça Tristão disse...

AGRADEÇO AMIGA SUA VISITA...FIQUEI FELIZ COM SUA PRESENÇA!
PAZ E LUZ NO SEU CORAÇÃO...
BJ
GRAÇA

Dulce disse...

Lidia

É bem isso. E fica a cada dia mais dificil viver nelas.
Beijos

Dulce disse...

Agulheta

é exatamente isso,minha amiga, centro de referencia médica, cultural, etc e tal. Gente boa, lugares lindos, de vida incrivel, ao mesmo tempo outros lugares de muita pobreza, exatamente isso.
Fico feliz que sua irmã tenha gostado e tenha sido bem acolhida.
Beijos

Dulce disse...

Graça,

sou eu quem agradece. Gosto muito de visitar seu cantinho.
Beijos

o mar e a brisa do prazer de aprender disse...

É Sampa... asisim amada e odiada ao mesmo tempo. Em nossa vida tb temos custo e beneficio. O equilibrio precisa vir de nós para enfrentar com coragem. BJus

Dulce disse...

Pois é, minha Sampa tão amada e tão sofrida...
Beijos e obrigada.

Fernanda disse...

Amiga Dulce,

Não sei se o meu comentário anterior entrou, acho que estou com problemas com o meu computador.

Minha amiga as grandes cidades têm todas este tipo de problemas, infelizmente o crescimento desmedido traz graves problemas sociais, mas isso acontece em todas as grandes cidades do Mundo.

Beijinhos

Dulce disse...

Ná,

Não amiga, este é o primeiro comentário seu que recebo hoje.

Eu sei que esses são problemas de todas as grandes cidades, ainda mais das que cresceram desordenadamente, mas ainda assim, acho uma pena, pois lembrando de umas duas ou tres decadas atrás, da uma dorzinha no coração...
Beijoa e boa noite

AFRICA EM POESIA disse...

DULCE




O meu livro de Natal é para mim ...Magia...Espero que ao lerem um pouco do que vou deixando... sintam o mesmo
eu Gostava de sentir todas as crianças a terem sempre Natal

um beijo

MENSAGEM DE NATAL

Natal
Do menino negro
Que é igual
Ao menino branco
E o menino negro
Ao ser amamentado...
A sua Mãe
Também Negra
Alimenta-o
Dá-lhe o seu leite
Leite de Negra
Que é apenas
Leite Branco!...

LILI LARANJO

Dulce disse...

Lili

Parabens pelo seu livro, que deve ser lindo, minha amiga. E essas poesias que você sempre nos oferece constata isso.
Beijos e boa noite

Dulce disse...

Lili

Parabens pelo seu livro, que deve ser lindo, minha amiga. E essas poesias que você sempre nos oferece constata isso.
Beijos e boa noite

Isa disse...

Dulce, hoje tive os meus Amores pequeninos...
O Sebastião é um docinho,para mim!
Lindo de ver.
A Maria é muito pequenina. Mas será meiguinha tb.
Para bem dela,k ñ seja tanto como eu!
Sofrerá muito e...ñ queria k tal
acontecesse!!
Amanhã é o Dia da Mãe, à moda antiga.
Beijo.
isa.

Dulce disse...

Isa
Mas que maravilha, amiga. Que dia delicioso deve ter sido o seu... Fico muito feliz por você, viu?
Minha amiga, o que ela tera de mais belo, se for como você, será a meiguice. É essa meiguice que a faz tão especial.
Que, então, o Dia da Mãe seja radioso! Beijos

Maria Teresa disse...

Dulce: nossa cidade é mesmo um paradoxo.


Cinzenta.
Apressada.
Tristonha.

Como num quadro cubista,
entrevejo-lhe as facetas
de construções cotidianas
de pessoas cabisbaixas
de trabalhadores anônimos.

Por um instante,
contemplo-a e admiro-a.

O cinza se desfaz
no verde do parque
no colorido das fontes
no perfume das margaridas da avenida.

A correria se abranda
e as feições se alargam
e os olhares se cruzam
e o tempo se dilata.

Contemplo a cidade
berço de contrastes
palco de sonhos.
E admiro-a,
a cidade que exige
a cidade que seduz
a cidade que amo.

Beijos a você.

M. Lourdes disse...

Dulce
Em São Paulo acontece o mesmo que em outras cidades do mundo. Aqui passa-se o mesmo, só que em formato reduzido pos as nossas cidades são bem mais pequenas que a sua S. Paulo.
Beijinhos

Dulce disse...

Lindo, Maria Teresa!...

Lindo demais, muito obrigada. Um complemento para a postagem... Muito obrigada.
Beijos

Dulce disse...

Lourdes,

Infelizmente é o preço que pagamos pelo progresso, amiga. Ganhamos por um lado, perdemos por outro.
Beijos e bom dia