floquinhos

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A doce poesia de Florbela...


Conto de fadas

Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o ungüento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras duma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é de oiro, a onda que palpita.

Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!
Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A princesa de conto: "Era uma vez..."

Florbela Espanca

4 comentários:

Adolfo Payés disse...

Un poema maravilloso.

Un abrazo
Con mis
Saludos fraternos de siempre...

Dulce disse...

Adolfo Payés

Obrigada.
Um abraço para você também e uma boa tarde.

Isa disse...

Que belo o soneto de Florbela!
Uma Mulher muito à frente do seu tempo!
Beijo.
isa.

Dulce disse...

Isa

Lindo, não? A frente de seu tempo, extremamente sensível, corajosa...
Beijos