floquinhos

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

E a vida tem que continuar...


Hoje foi uma daquelas manhãs em que a vontade era não sair da cama, do aconchego dos lençóis, do silêncio e da semi-obscuridade do quarto. Sem abrir os olhos, virei para o outro lado, puxei as cobertas por sobre a cabeça, numa tentativa de voltar a dormir, voltar a sonhar. Qual nada!... Sonho partido não volta... Mas tão bom foi o sonho! Claro que você estava lá! E as ruas que costumávamos percorrer de mãos dadas há tanto tempo atrás. E a sua presença ficou além do sonho, ficou em mim, como se bastasse estender a mão para tocar seu corpo... Tão forte impressão que quando dei conta de mim abraçava o vazio, envolvia sua ausência... Quando dei conta de mim, as lágrimas molhavam o travesseiro enquanto meu corpo se enrodilhava sobre si mesmo, como se buscasse proteção contra a tristeza de não te-lo mais comigo.
E foi exatamente na sua lembrança, na sua força, no seu amor, que busquei coragem para sair do torpor que insistia em tomar conta de mim e, já no chuveiro, água lavando o corpo, lágrimas lavando a alma, fui pouco a pouco me recompondo, voltando a mim e à minha realidade. Afinal, era isso que você esperava de mim, não era? Que estes problemas que vão surgindo no dia a dia e que às vezes parecem se avolumarem e ficarem quase fora de controle fossem olhados como obstáculos transponíveis? Não era?... Sabe, meu amor, eu pensei que tivesse aprendido essa lição, mas nem sempre tenho tanta confiança em mim mesma. Há momentos em que tudo o que eu queria era ter seu ombro para apoiar minha cabeça, suas mãos para segurar as minhas, sua calma para orientar meus passos, você... simplesmente você comigo.
Mas, é primavera, a estação da esperança, o sol lá fora tenta rasgar as nuvens, o bem-te-vi enche o ar com seu canto atrevido, e a vida tem que continuar...

10 comentários:

Lídia Borges disse...

Tocante, intenso, cheio de uma fragilidade própria de quem é apenas humano.
Perpassa através da narrativa a imensa saudade e toda a ternura de que foi tomada no momento descrito.
Termina bem o texto. A Dulce sabe que até na primavera, as nuvens às vezes choram.

Um beijo meu

Dulce disse...

Lidia Borges

Sei sim, Lídia. É inevitável...
Obrigada.
Beijos e uma boa noite para você.

Isa disse...

Minha querida,li o título na minha lista de blogues e,mesmo desejosa de me deitar,ñ o faço sem lhe dizer que
vc tem a presença de um grande Amor vivido e partilhado!
Tem a força que ele lhe deixa a cada recordação,a cada pensamento.
E o que espera seu Amor?
Ele sabe que vc é o pilar da Família q construíram!
Tem fragilidades? Claro! É isso que a torna um ser espantoso!
Beijo.
isa.
PS:- Desculpe...sou uma tolinha sentimental!
Emociona-me o Amor!
Durma bem,minha Amiga querida!

Dulce disse...

Isa

Bom dia, minha amiga...
Não!... Não é tola, não... Não há tolice alguma em ser-se sentimental, em emocionar-se diante do amor... Esses sentimentos são próprios de um coração terno, que comanda a alma. São mesmo uma definição da alma de algumas pessoas muito especiais...
Muito obrigada, Isa.
Beijos

Carlos Albuquerque disse...

Só um grande amor vivido, e que persiste no sonho, mesmo que de sonho partido se trate,é capaz de guardar tal memória.
No sonho também é primavera!
Beijinhos, Amiga Dulce.
Bom fim-de-semana

Dulce disse...

Carlos Albuquerque

Pois é, meu amigo... E principalmente no sonho é que a primavera torna-se perene...
Beijos, obrigada e um bom fim de semana para você também.

Pitanga Doce disse...

Meu Deus, Dulce, o que nos deu ontem para o dia começar assim? Logo ontem, minha amiga, em que tudo se acinzentou?

Dulce disse...

Pitanga Doce

Não sei, minha amiga, mas o cinzento vai se diluindo, mansamente...
Já está por aqui, Pitanga?
Que sua noite seja de paz.

Pitanga Doce disse...

Fiz a travessia, mas não estou aqui...

Dulce disse...

Pitanga Doce

Imaginei, mesmo que estivesse se sentindo assim, minha amiga...
Beijos