floquinhos

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Ainda e sempre...


Com a cidade envolta em brumas ou com a cidade intensamente banhada pelo sol, ainda e sempre Cecília...

A MULHER E A TARDE


O denso lago e a terra de ouro:
até hoje penso nessa luz vermelha
envolvendo a tarde de um lado e de outro


E nas verdes ramas, com chuvas guardadas,
e em nuvens beijando os azuis e os roxos.


Até hoje penso nas rosas de areia, 
nos ventos de vidro, nos ventos de prata,
cheios de um perfume quase doloroso.


Perguntava a sombra: "Que há pelo teu rosto?"
"Que há pelos teus olhos?" - a água perguntava.


E eu pisando a estrada, e eu pisando a estrada,
vendo o lago denso, vendo a terra de ouro
com pingos de chuva numa luz vermelha,,,


E eu não respondendo nada.


Sonho muito, falo pouco.
Tudo são risos de louco
e estrelas da madrugada...


(Cecília Meireles)

2 comentários:

Graça Pereira disse...

" Sonho muito,falo pouco"...um poema com o perfume de rosas.
Beijo amigo
Graça

Dulce disse...

Graça Pereira

Bom dia, minha amiga.
O que é bem comum nos versos de Cecília.

Beijos e bom final de semana