floquinhos

sábado, 14 de agosto de 2010

O verão prepara-se para partir...


Aqui em Massachusetts, as estações são muito bem definidas e isso nota-se na mudança da paisagem a cada época do ano. O verão já começa a anunciar sua partida, apesar de ainda estarmos a mais de um mês da chegada do outono. O intenso calor já começa a diminuir, pelo menos as noites já estão mais frescas, as aves, em bandos já surgem ciscando pelos gramados num anúncio que se preparam para alçar voo para as regiões mais ao sul, menos frias, as árvores começam a mudar suas cores e a perder suas folhas, dependendo da espécie.

A natureza prepara-se para mostrar sua mais bela face, o lindo e romântico outono, estação cuja beleza atinge seu ápice lá pelo mês de outubro, num espetáculo de cores, luz e sombra, de encantar. E as temperaturas, então, passam a girar entre zero e cinco graus, numa prévia do que se espera para os gelados e brancos meses de inverno.
Em nossa caminhada de ontem, já sentindo o prenúncio dessa mudança, colhi algumas imagens que deixo aqui para vocês.

Em algumas partes do bosque a vegetação rasteira já começa a mudar...

Aqui já podemos notar as folhas secas começando a forrar o chão


As cores vão ficando menos intensas....

As árvores começam a mudar, o amarelo já aparece em suas copas e os gramados das casa começam a perder o lindo verde que ostentaram durante os últimos meses.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Um dia para figas e patuás...

Um trevo de quatro folhas sempre ajuda...

É público e notório que somos um povo supersticioso. É sabido que, apesar da população, em sua maioria, professar o cristianismo, seja pelo catolicísmo ou através da imensa gama de igrejas evangélicas que se espalharam pelo país, por vezes deixa resvalar um pezinho nos terreiros. As tendas de Candomblé estão sempre lotadas, os terreiros de Macumba vão se espalhando pelos recôndidos das cidades, de norte a sul deste nosso Brasil. Os deuses africanos vão reinando, nem sempre as claras; Li faz algum tempo, não me lembro bem aonde (e peço desculpas pela informação truncada), uma citação de Levy Strauss sobre ser o brasileiro um povo estranho que ia a missa pela manhã e a noite tocava atabaques nos terreiros de macumba... Vá lá que não é bem assim, mas que somos um povo supersticioso, lá isso somos. Já repararam que ninguém passa por debaixo de escada? Que ao cruzar com um gato preto fazem logo o sinal da cruz? E quem é que deixa os sapatos com as solas viradas para cima? E o que é que se faz quando se derrama sal a mesa? E etecétera, etecétera, etecétera...
Pois meus amigos, não se esqueçam de colocar suas figas e seus patuás sob a roupa hoje, não se esqueçam de duplicar sua atenção e seus cuidados ao andarem por aí afora porque, caso não tenham ainda olhado no calendário, hoje é "sexta-feira, 13, e estamos no mês de agosto"... Hoje a noite soarão os atabaques, as encruzilhadas receberão seus despachos, os gatos pretos serão execrados, pobrezinhos. Ainda bem que a Baby (a gata aqui da casa, pretinha como um carvão) não está em terras brasileiras. E certamente por lá não sobrarão muitas galinhas pretas depois desta noite.
Não sou supersticiosa, não sou mesmo, mas já dizia minha santa avozinha que "cautela e caldo de galinha (não preta, claro) não fazem mal a ninguém, então vou aqui pondo minha barbinha de molho, porque " no creo em las brujas, pero que las hay, las hay..." (risos)...
Um dia de superstições e mandingas, uma noite de sortilégios... E a lua, como estará Dona Lua?... Cheia?... Ainda por cima noite de lobisomem??? Cruzes!... (rs)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Na solidão da noite...


"Um anjo vem todas as noites: senta-se ao pé de mim, e passa sobre meu coração a asa mansa, como se fosse meu melhor amigo. Esse fantasma que chega e me abraça (asas cobrindo a ferida do flanco) é todo o amor que resta
entre ti e mim, e está comigo."

(Lya Luft)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Gastei uma hora pensando...


Poesia
(Carlos Drummond de Andrade)

Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.


Pois é!... É assim que estou hoje... Tenho um mundo de lembranças, de fatos, de visóes dentro de mim, mas não consigo juntar as palavras para transporta-los para ca. Poderia falar de sonhos desconexos, posto que os tenho, ou falar de esperanças perdidas, posto que as tive também. Ou quem sabe de pequenos momentos que se fizerem perenes em minha alma? Talvez até de acontecimentos banais que, com um pouco de sensibilidade virariam uma história interessante, já que vividos por quase todo mundo... Poderia falar sobre qualquer coisa, afinal fala–se sobre tudo e sobre todos. Poderia, claro... Mas... cadê a palavra certa para começar a primeira frase que se seguiria a tantas outras para compor um texto? Cadê?... Foge-me deslavadamente, já faz uns dias.
Começo a perguntar a minha pobre alma o que foi feito de tanto sentimento que sempre a envolveu? Guardou-o no velho baú das perdas e danos que a vida lhe ofertou, ou apenas deixou-os dormindo por uns tempo, ainda com possibilidades de um sereno despertar? Não consigo atinar com a resposta. Não por enquanto. Então, até que a tal resposta chegue libertando a palavra, fico como nos versos de Drummond, com a poesia de uma boa prosa inundando minh'alma...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Ao anoitecer, Cecilia Meireles


Suavíssima

Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
No céu de outono, anda um langor final de pluma
Que se desfaz por entre os dedos, vagamente . . .

Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
Tudo se apaga, e se evapora, e perde, e esfuma . . .

Fica-se longe, quase morta, como ausente . . .
Sem ter certeza de ninguém . . . de coisa alguma . . .
Tem-se a impressão de estar bem doente, muito doente,

De um mal sem dor, que se não saiba nem resuma . . .
E os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .

Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
A alma das flores, suave e tácita, perfuma
A solitude nebulosa e irreal do ambiente . . .

Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
Tão para lá! . . . No fim da tarde . . . além da bruma . . .

E silenciosos, como alguém que se acostuma
A caminhar sobre penumbras, mansamente,
Meus sonhos surgem, frágeis, leves como espuma . . .

Põem-se a tecer frases de amor, uma por uma . . .
E os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .

(Cecilia Meireles)

domingo, 8 de agosto de 2010

Dá-me a tua mão...


Dá-me a Tua Mão

"Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio."

(Clarice Lispector)

Parabenizando os pais, em seu dia.


Comemora-se hoje, no Brasil, o Dia dos Pais!

Um dia muito especial, que quero festejar com meus filhos, claro, pois são os pais de meus netos, mas que gostaria de festejar também com todos os amigos e leitores do "Em Prosa e Verso",
Parabéns a todos, no Brasil ou não, e que tenham um dia muito feliz, junto aos seus filhos.

FELIZ DIA DOS PAIS!

E para os dois homens que foram um porto seguro em minha vida, meu pai e o pai de meus filhos, minha eterna saudade...