
Juliana acordou com leves batidas na porta de seu quarto e, ainda sem despertar totalmente, mandou que entrassem e ao abrir o olhos deu com uma braçada de lindas rosas vermelhas que lhe era entregue por Alcinda com um sorriso no rosto e um amável "bom dia, dona Juliana. Acabaram de chegar para a senhora". Surpresa, sentou-se na cama e procurou um cartão entre as flores, mas antes mesmo de encontrá-lo sabia quem as enviara.
Pediu à criada que colocasse as rosas num vaso e que o pusesse sobre a cômoda e ficou ali, ainda envolta pelos lençóis, ainda achando que era um sonho...
Encontrara-o na tarde anterior, quando saia do banco, aonde fora conversar com o gerente sobre um pequeno investimento. Olharam-se com espanto, como se não acreditassem que, após quatro anos estavam ali novamente, frente a frente, como na primeira vez em que se viram... Naquele primeiro dia houve um esbarrão, papéis esparramados pelo chão, pedidos de desculpas, olhos nos olhos, uma troca de palavras amáveis, que acabaram na troca de telefones e um jantar uma semana mais tarde naquele bistrô. Mas ele estava sendo transferido para a matriz da firma aonde trabalhava e ao deixar o país deixou também um imenso vazio na vida de Juliana que os e-mails e telefonemas diários não poderiam preencher. E-mails e telefonemas que o tempo foi se encarregando de rarear até finalmente deixarem de acontecer, mas ela não passaria um único dia sem se lembrar dele, de sua voz, de seu olhar, de seu sorriso, de seu abraço carinhoso...
Por isso, ao encontrá-lo na tarde anterior, tinha sentido o chão fugir-lhe sob os pés, o coração disparado, como se quisesse saltar pela boca, um desamparo sem fim... E no abraço... Ah, aquele abraço compensara todas as horas de solidão e tristeza que seu coração lhe impusera. E durante horas, naquele café, falaram de suas vidas, de suas saudades...
E agora, ali, olhando para aquelas rosas, Juliana sentia a vida recomeçar. Havia uma sensação de paz em seu coração, uma sensação de caminho finalmente encontrado bailando em sua alma...

