floquinhos

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Às portas da Semana Santa...



Abro a janela e dou com uma manhã assim meio indecisa, sem saber se vai nos oferecer sol ou chuva, se vai nos brindar com um céu lindo, todinho azul ou se vai nos impor um cinza cobrindo esta sexta-feira que antecede a Semana Santa.
A Semana Santa? Já? Pois é!... O tempo já não passa.... Voa! E nesse voo vai levando nossa vida, nossos usos e costumes, deixando em seus lugares novas formas de viver, novos hábitos, novos conceitos.
Os que estão há mais tempo neste caminhar pela vida hão de se lembrar de outras Quaresmas, cobertas de cinzas, de respeito pelo Criador e de amor por Seu filho, quando nos preparávamos para viver a Semana da Paixão, o Sábado de Aleluia, o Domingo da Ressurreição...  Para os mais religiosos, o jejum e a abstinência nas sextas-feiras, lembram-se? E havia a missa e a procissão de Ramos no domingo que antecedia a Páscoa e era nessa missa que levávamos as palmas para serem bentas, as mesmas palmas que eram colocadas atrás de um quadro do santo protetor da casa, a mesma palma que era queimada nos dias de grandes temporais, para afugentar os raios... Misticismo? Não... Costumes de uma época. Como era costume ir à igreja, cumprir os ritos de cada um dos dias da semana que era considerada santa. Na quinta-feira, à noite, a Cerimônia do Lava Pés, na sesta-feira, a visita ao Senhor Morto e a procissão, à noite, contida, emocionante, com a voz da Verônica linda, clara, ao chorar a morte de Jesus, ao mostrar seu rosto estampado em sangue numa alva toalha, os anjos, a Virgem, as três Marias, os apóstolos, as rezas, as beatas, o povo comum em sua religiosidade, e até a banda que vinha atrás, tocando as músicas que os fiéis cantavam com fervor. Procissão que, de tão importante, trazia cavalarianos vestidos em trajes de gala, montados em garbosos cavalos brancos, abrindo os caminhos...
Mas o tempo, esse algoz impiedoso, levou consigo a religiosidade de um povo, um povo que hoje encara a Páscoa como uma festa onde há a troca de ovos de chocolate, e a Semana Santa como uma oportunidade para ir bronzear seus corpos nas escaldantes areias das praias ou descansá-los na tranqüilidade do campo. Perdeu-se a fé, perderam-se tradições, nessa guinada que a humanidade deu em direção ao progresso, com louvores à tecnologia. Foi melhor? Foi pior? Não sei.. Acho que apenas foi mais um passo da humanidade em direção ao seu destino...

Sei bem que ainda existe muita fé e muita religiosidade entre nosso povo, mas de um modo geral, tais sentimentos andam se perdendo aí pelos novos caminhos do homem.

12 comentários:

Isa disse...

Minha querida Dulce como calou fundo
em mim este seu texto!
Também sinto isso no povo daqui!
Rituais que se perderam,nesta época
materialista!
Mas para mts de nós mantém-se uma quadra de reflexão,oração e,finalmente,alegria!
Beijoo.
isa.

ValCruz disse...

Minha querida! Tem selinho da amizade pra vc lá no novo endereço. Fique à vontade para capturá-lo... risos!


Grande beijo!!

Dulce disse...

Isa

Mudam os tempos, mudam as pessoas, tudo fica um pouco mais difícil, mas temos que seguir em frente, não é mesmo? Ainda bem que conservamos em nós essa quadra de reflexão, oração e alegria.
Beijos

Dulce disse...

ValCruz

Obrigada, minha amiga. Já passei por lá e retirei seu lindo presente. Guardei-o carinhosamente no Livro dos Meus Selos, como símbolo de uma boa amizade.
E, PARABÉNS, Val, por mais um aniversário...
Beijos e tudo de bom para você.

Paloma disse...

DULCE, também noto que o sentido da Páscoa se perdeu pelo caminho.Não há mais aquela religiosidade, a qual nos acustumamos. Tudo ficou mais comercial e festivo.

Beijos

Ana Martins disse...

Boa noite Dulce,
Tem toda a razão, a tradição já não é o que era e a fé também não!

Beijinho e uma Páscoa Feliz.
Ana Martins

diariodumapsi disse...

Ei Dulce!
Hoje em dia já não existem mais rituais ou religiosidades que eram ritos tão importantes para que a sociedade continuasse seguindo suas regras. Hoje já não existem regras, cada um quer fazer a sua, cada um quer ter a sua verdade,o povo se divide, cada um cria um grupo próprio.
A sociedade anda em rumo incerto...
Aumenta a violência, o individualismo, a solidão...
Vivemos em um tempo sem lei, isso é preocupante...
gd beijo

Lourdes disse...

Dulce
Aí como aqui as tradições vão-se perdendo. As tradições religiosas então, são as que têm desaparecido mais rápido. Muitas exigiam sacrifícios e, hoje em dia, já poucos estão na disposição de se sacrificarem.
São os sinais dos tempos que se dizem de progresso...
Beijinhos com votos de uma boa semana.
Lourdes

Dulce disse...

Paloma

Concordo com você e só posso dizer que isso me entristece...
Beijos e boa semana

Dulce disse...

Ana Martins

Que pena, não, amiga? Mas o tempo muda tudo, a cada dia com mais rapidez;;;
Beijos e boa semana para você

Dulce disse...

diariodumapsi

E diante de tudo que você disse, concordando plenamente com o que foi dito, eu me pergunto: para onde caminhamos nós, para onde caminha este mundo incerto e a cada dia mais cruel?...
Beijos e boa semana para você.

Dulce disse...

Lourdes

E confesso à você que sinto falta de tudo isso que o tempo e os homens vão deixando para trás e fico a cada dia mais receosa do que está por vir em cada sociedade.
Beijos e uma boa semana para você.