floquinhos

sábado, 7 de agosto de 2010

O presente, o passado, um poema...


O dia amanhece enfarruscado, cinzento, anunciando chuvas. Mais um sábado de um quente verão. Pelas cortinas entreabertas consigo avistar apenas as copas das árvores mais altas contra o cinzento do céu e como ruido de fundo o ronco do motor de mais um avião que segue a caminho do aeroporto. Será do de Boston? Ou este estará precisamente deixando Boston? Uma vez, ainda nos distantes anos de minha adolescência, um momento como este, num amanhecer parecido com este, visto através das portas da pequena sacada de meu quarto, com a diferença que ao invés das copas das árvores eu enxergava apenas os telhados das casas vizinhas, consegui escrever minha primeira crônica. Dela já nem lembro as palavras, mas o títuio ficou na memória: "Um avião que passa ao longe, no horizonte..." Era nada além de uma divagação sobre o destino dos passageiros daquele voo, suas vidas, seu sonhos, sob o prisma de uma adolescente, com toda a sua inexperiência, com todos os seus sonhos, com seu modo de enxergar a vida... Acho que era mais ou menos isso.
Ah, a nossa memória!... Como é que fui me lembrar de um momento tão inexpressivo e tão distante? Aviões cruzam os céus de Winchester em grande número, principalmente pela manhã e ao entardecer... Porque esta lembrança agora? Sei lá. Na verdade, quando abri o blog, esta manhã, vinha com a intenção de aqui deixar mais um poema de Quintana, para adoçar o sábado dos leitores do Prosa, e acabei perdendo-me em recordações a um simples olhar pela janela, ao ouvir o costumeiro ronco de um avião que passa completamente alheio, lá longe, no horizonte... E, para não me perder do primeiro objetivo, ai está nosso doce Quintana... Um poema escolhido agora, porque nos lembra a passagem do tempo. Afinal, ontem foi dia de aniversário e o tempo já se faz sentir, já faz refletir sobre o que poderia ter sido e, simplesmente, não foi...

SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente ...

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

(Mario Quintana)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Estamos aniversariando...

(Alexander adorou seu presente. Legos são seu passatempo predileto)

A casa está em clima de festa. Alexander, meu netinho caçula. completa nove anos hoje. E o que ele está achando de melhor é que a vovó faz aniversário também... "It's a double birthday!" Acordamos com flores, balões, presentes e um lindo bolo cheio de velinhas - juntando as minhas e as do kid, quase não cabiam no bolo... hehehehe. Ele mal começa sua caminhada que, espero, será longa, muito longa, iluminada, plena de sabedoria, muitas alegrias e amor. Eu sigo meus longos caminhos que tem tido momentos lindos, doces, alegres, intercalados com momentos difíceis e doloridos, mas é assim mesmo que são palmilhados os caminhos da vida. E, ao se chegar ao ponto final, a soma destes ou daqueles acaba por determinar uma vida, se bem vivida ou não... Acho que vou levando uma certa vantagem para o lado "bem".
Mas hoje é dia de alegria, alegria que fica maior com a presença dos amigos, com o carinho que venho recebendo desde cedo em forma de e-mails, mensagens, telefonemas... E houve até quem reclamasse porque eu não havia postado nada no Prosa a respeito da data, acreditam? Pois é... Estamos aniversariando em dia de muito calor, de muita algria e de muito amor.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O tempo... Ah, o tempo!...


"O tempo é uma superfície oblíqua e ondulante que só a memória é capaz de fazer mover e aproximar."

(José Saramago)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Uma grande ternura...


Minha grande ternura

Minha grande ternura
Pelos passarinhos mortos;
Pelas pequeninas aranhas.

Minha grande ternura
Pelas mulheres que foram meninas bonitas
E ficaram mulheres feias;
Pelas mulheres que foram desejáveis
E deixaram de o ser.
Pelas mulheres que me amaram
E que eu não pude amar.

Minha grande ternura
Pelos poemas que
Não consegui realizar.

Minha grande ternura
Pelas amadas que
Envelheceram sem maldade.

Minha grande ternura
Pelas gotas de orvalho que
São o único enfeite de um túmulo.

(Manuel Bandeira)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Viver o dia a dia...

Gentis margaridas para meus amigos, sempre tão gentis...

Canção do dia de sempre


Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

Mario Quintana

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Um lugar que criamos...


"O futuro não é um lugar onde estamos indo, mas um lugar que estamos criando. O caminho para ele não é encontrado, mas construído e o ato de fazê-lo muda tanto o realizador quando o destino."

(Antoine de Saint-Exupéry)

domingo, 1 de agosto de 2010

E o tempo nos traz agosto...


Mais um agosto está começando... Agosto, um mês cheio de mistério, de magia e, para mim, cheio de datas significativas. Os antigos, no Brasil, costumavam dizer que agosto era mês de cachorro louco e talvez seja por isso que é em agosto que a vacinação anti-rábica acontece por lá. Esses mesmos antigos temiam a chegada deste mês, dizendo que nele sempre aconteciam "tragédias" políticas (vejam o suicídio do Presidente Vargas e os fatos que o cercaram e a série de crises políticas e econômicas atribuídas as influências maléficas do mês). Diziam também que nenhum dia poderia ser pior, mais azarado, do que uma sexta-feira treze de um mês de agosto; que era um mês soturno... Talvez por ser um frio e garoento més de inverno, sempre cinzento, fosse mesmo um tanto soturno. Mas até isso perdeu-se nas brumas do tempo, já que as mudanças nas estações climáticas que vêm acontecendo nas últimas décadas roubaram essas tais caractísticas de agosto...
Em contrapartida, aqui pelo Hemisfério Norte, sendo alto verão, é tempo de alegria, de férias, passeios, de muita vida solta pelo ar. É um mês sempre bem vindo, sempre esperado, com dias de muito sol, calor, e as mais belas noites de luar. Um tempo de sonhos e romances...
Soturno e cheio de mistérios, ou alegre e cheio de magia, seja lá como for, agosto é para mim um mês especial, carrregado de doces lembranças e com algumas datas muito especiais a serem comemoradas ou relembradas com corinho, portanto, só posso diizer: Seja bem vindo Agosto, que seus dias sejam benfazejos e amenos... Achegue-se com seu lado bom e iluminado, trazendo paz e harmonia para enfeirar seus trinta e um dias a serem vividos com amor...