floquinhos

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Dia das Mães

Às mães amigas e leitoras do Prosa, um grande abraço e sinceros parabéns pelo seu dia.



Lembrando Dona Inês, minha mãe...


Neste domingo, festejamos o Dia das Mães. Portanto, a data é de carinho e, para mim. de muita saudade. Uma saudade doce, serena, como serenos foram seus passos pela vida. E fico aqui me lembrando de tantos aniversários dela, de tantos outros Dias das Mães, desde minha meninice, quando fazíamos lembrancinhas na escola para oferecer as mães, cartões, flores de papel, fosse lá o que fosse, e que ela recebia como se fora um diamante raro. Abria aquele sorriso doce, seus olhos se iluminavam e num abraço cheio de carinho dizia um muito obrigada que vinha da alma, como naquela vez em que, teria eu talvez doze anos, não sei bem, era Dia das Mães, e com a ajuda de minha professora, pintei uma flor num azulejo (ficou horrível!... rs), mas ela adorou e guardou-o por muito tempo, e por muito tempo aquele horror ficou pendurado na parede... Ela dizia que era lindo!... Coisa de mãe!
Depois, já maiorzinha, contava com a ajuda de meu pai para financiar o presente e lá ia eu na lojinha do Seu Chico, lá na Caetano Pinto, comprar uma lembrancinha pra ela, um lenço, uns panos de copa, qualquer coisa de mais bonitinho que ele tivesse. Depois que comecei a trabalhar, ai tirei a forra, e comprava o que ela precisasse, o que gostasse, mas nunca vi diferença na forma de receber os presentes. Sempre deu a impressão de que estava recebendo o melhor presente do mundo.

Minha mãe era uma mulher linda, cabelos negros, olhos verdes, feições finas, modos delicados, sempre serena, contida, e nem a passagem dos anos conseguiu mudar isso. Mesmo no final de sua caminhada, já presa ao leito, com momentos de não reconhecer nada nem ninguém, ainda conservava sua delicadeza, ainda falava baixo, ainda sorria docemente...
E hoje estou aqui, olhando suas fotos em meus arquivos, falando um pouquinho sobre ela e voltando ao passado, em flashes, em momentos... Uma almoço de domingo, quando ela se esmerava na cozinha e nos deliciava com seus pratos variados, sentada a maquina de costura consertando ou costurando alguma roupa, a tarde, sempre com as mãos ocupadas num crochê ou num tricô – fazia meias de lã maravilhosas, sem emendas nem costuras, com cinco agulhas, meias que aqueciam nossos pés nos frios invernos paulistanos, sentada ao lado de meu pai, conversando, ouvindo-o contar seus casos, sempre atenciosa,... Desvelava-se com os netos, amava os sobrinhos, vivia para os filhos. E deixou em nós uma doce saudade, uma amável lembrança.
Saudade que aquece meu coração e que me permite dizer obrigada a Deus, à vida, por terem-me permitido te-la como mãe...

8 comentários:

Agulheta disse...

Boa tarde Dulce! Embora ausente nunca esqueço dos amigos que por aqui tenho.Adorei toda esta mensagem escrita que mais parece uma longa carta.Sim a nossa mãe deixa muitas lembranças e marcas que jamais esquece,estas palavras foram isso.Sabe que gosto bastante de a ler, a minha ausência se deve a problemas nos olhos derivado a alergias e tenho passado mal.Beijinhos/Sorrisos

Dulce disse...

Agulheta

Boa tarde, amiga.
Assim é a vida, Nunca é fácil, mas temos que passar por isso, seguir em frente.
Lamento saber que está com problemas nos olhos. Mas estou certa que vai superar tudo isso logo, logo, e que muito em breve vai poder voltar aos seus momentos por aqui. Tambem ando ausente, desde o tempo em que estive doente. Acabei encontrando tantos novos afazeres que o Prosa ficou meio esquecido. O Prosa, não as amigas. Estas trago-as no coração e sinto saudades de todas.
Estimo suas melhoras.
Beijos.

Graça Pereira disse...

Um lindo retrato de uma mãe que foi doce, amiga e extraordinária.
E são essas lembranças tão queridas que as mantêm sempre ao nosso lado.
Um beijo amigo
Graça

Dulce disse...

Graça Pereira

Boa noite, amiga.
Tem razão, Graça. Ao nosso lado e bem viva em nossos corações.
Beijo.

Elvira Carvalho disse...

Um texto que me emocionou. Quem me dera ter tido uma mãe assim. A minha mãe, talvez por culpa dos maus tratos da vida, sempre se mostrava uma mulher seca e brusca. Acredito que nos amava, sim, e se preocupava connosco, mas nunca demonstrava com um carinho, um beijo. Por isso nós, éramos 3, sempre fomos muito mais ligados ao pai.
A mão dele era mais pesada quando castigava, mas era doce e meiga quando nos acariciava. Não era muito de beijos. Mas uma carícia, um sorriso uma história para nos contar ele tinha por muito cansado que estivesse.
Um abraço e um feliz dia da mãe, que por aqui se festejou no Domingo passado.

Dulce disse...

Maria Elvira Carvalho

Assim é, minha amiga. Há pessoas que não sabem ou não conseguem demonstrar o amor que tem dentro de si... Mas estas pessoas também sofrem por isso. Por vezes tornam-se amargas, amedrontadas diante da vida. Que bom que tiveram um pai que demonstrava seus sentimentos. Claro que não compensava a falta de carinho da mãe, mas sempre seria um aconchego para o coração das crianças.
Obrigada e um abraço.

Paloma disse...

Amiga Dulce, gostaria de poder tecer elogios a minha mãe. Mas, infelizmente ela é uma pessoa isenta de sentimentos e, sendo assim não se liga nas filhas. Ao contrário de meu pai que era amigo, valorizando sempre a família. Por isso, sempre digo: No dia das Mães sinto imensa saudade de meu pai. Abraço.Lourdes

Elvira Carvalho disse...

Passei para deixar um abraço.E desejar uma óptima semana