floquinhos

domingo, 6 de março de 2011

Na tarde do domingo de Carnaval...


A chuva resolveu dar uma trégua por aqui. O céu tem um ar meio carrancudo, mas o sol consegue passar alguns de seus raios por entre as nuvens, trazendo mais luz a esta tarde de domingo de carnaval.  
Carnaval!... Esta festa nunca me seduziu. Sempre preferi olhar de longe, embora  torcendo para que os foliões tivessem muita diversão. Até acompanho, a distância, através dos jornais ou da TV, os preparativos das escolas para o desfile esperando que transcorram como o planejado, imagino a ansiedade de cada participante, a luta para que tudo dê certo, a expectativa da festa... E torço muito por eles, para que consigam realizar seus sonhos na avenida, no sambódromo. Mas quando os desfiles acontecem não consigo sequer me prender diante da TV para assisti-los. Prefiro um bom filme, um livro, um bate-papo amigo, coisas assim. 
Por isso estou aqui, prazeirosamente acomodada  num sofá muito aconchegante, relendo A J Cronin (A cidadela), deixando minha alma vagar na companhia de Andrew Manson, um recém formado médico, envolto em ideais e sonhos, em pequenas cidades mineiras no País de Gales. Uma história bem interessante, com um tanto de auto-biográfica, que me encanta. Tenho por este livro um carinho muito especial porque foi após le-lo, em sua adolescência, que meu filho começou a pensar em seguir os árduos caminhos da medicina, caminhos que trilha hoje, com dedicação. 

sexta-feira, 4 de março de 2011

Dois dedinhos de prosa...


Chove sem parar... Desde o começo da semana, chove... Chove... Chuvinha insistente, persistente, avisando que pode atrapalhar a viagem  de muita gente  que pretende aproveitar este feriado prolongado de Carnaval, insinuando que vai - literalmente -  jogar água na fervura que consome os foliões, encharcando o sambódromo e tirando a graça das fantasias tão cuidadosamente confeccionadas para os desfiles. Pelo menos aqui em Campinas, Dona Chuva não está dando trégua.
Pois é, São Pedro, vá lá que o Carnaval é uma festa pagã, que as pessoas abusam e cometem lá seus pecaditos, mas este povo anda tão precisado de uma alegria... As coisas por aqui não andam nada fáceis, meu Santo, e o senhor sabe bem disso, não sabe?. Tem acontecido cada coisa nesta nossa terra de Cabral, tantos descalabros, tantas misérias morais, tanta tristeza, que nem sei como este povo ainda não perdeu o sorriso. Até concordo com o senhor que o Carnaval é  o de menos, num cômputo geral, que muito pior são as tragédias e problemas que essa água toda vem causando... Já andam dizendo por aqui que o senhor anda esquecendo de calibrar o fluxo das torneiras ai no céu... Pois é, meu Santo, os homens são assim mesmo. Não cuidam do Planeta, acabam com o equilibrio da Natureza e, quando a coisa começa a desandar, sempre vão buscar um bode expiatório par receber a culpa... Não se zangue com eles... Um dia eles aprendem, viu? Mas, cá pra nós, bem que o senhor poderia reconsiderar e dar uma fechadinha nessas torneirinhas desreguladas que estão aí ao seu lado... Desculpe a minha ousadia, mas é que eu gosto tanto de ver meu povo feliz...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Frutos nascendo no jardim?...


Uma das orquídeas de Dona Conceição

Nas cidades do interior, por mais que cresçam, que se modernizem, sempre acabamos por encontrar um lugar mais bucólico, sem os ares de cidade grande, preservado em seus costumes, onde todo mundo ainda se conhece, onde o Pároco da igreja ainda  conhece seus fiéis pelos nomes, onde a vida corre mais gostosamente. E aqui em Campinas não poderia ser diferente.
Digo isso porque no último domingo, de passagem pela casa de Dona Conceição, mãe de minha nora - que alguns dos amigos do Prosa já conhecem por uma postagem colocada faz um tempinho, mostrando suas lindas orquídeas - deparei-me com um pé de mamão, já carregado de frutos, no centro do pequeno jardim da casa, bem ao lado da jabuticabeira que, todo ano, generosamente oferece seus doces frutos... Ambos cercados de flores, uma lindeza. Mas não é só isso, não... Do lado de fora do portão, junto ao meio-fio, uma pitangueira se exibe toda faceira, enfeitando a rua...  Não resisti, fotografei e trago para os amigos do Prosa um pouco da tranquilidade e da beleza da vida longe do burburinho do centro da cidade.

E a Pitangueira vem especialmente para nossa querida amiga Pitanga Doce, porque ao me deparar com aquela graciosa árvore foi na Mila (do acolhedor blog Pitanga Doce) que pensei.....


 Procê, Pitanguinha!.


A jabuticabeira,,,


O pézinho de mamão que nasceu sem pedir licença...


E, generoso, oferece seus frutos aos moradores da casa.

Quando se respeita...



"Quando se respeita alguém não queremos forçar a sua alma sem o seu consentimento."

(Simone de Beauvoir)

quarta-feira, 2 de março de 2011

Jardim do Seridó - Mais um pedacinho do Brasil



Continuando com o projeto de trazer ao Prosa cidades que tenham nomes que chamem a atenção, por bonitos, curiosos ou diferentes, hoje vamos até o Rio Grande do Norte para conhecer "Jardim do Seridó"
Cidade localizada na região do Seridó, distante 224 Km de Natal, a capital do Estado, possui  clima  muito quente e semi-árido, com uma  população de, aproximadamente, 12.000 habitantes, sendo que  a vegetação predominante no município é a caatinga. 



Suas atividades econômicas caracterizam-se por uma produção incipiente voltada apenas para o mercado interno, exemplo da agropecuária, da pesca, do extrativismo vegetal e à silvicultura. O setor da indústria vem ampliando sua linha de atuação em cerâmicas, oficinas de ferro, fábricas de móveis, fábricas de calçados, fábricas de caixas de papelão e o  comércio vem se modernizando, bem como os serviços públicos, o que acaba por amenizar o problema da mão-de-obra desocupada. 
Pelo fato de a maioria da população não dispor de condições financeiras para a aquisição de jornais e revistas, ou poder acessar a internet, o rádio continua sendo o principal meio de informação da região, havendo somente uma única emissora na cidade, a Rádio Cabugi do Seridó.
Alguém lá do distante Jardim do Seridó passou ontem por aqui. Passou, não se identificou, mas deixou-nos muito contentes com a visita. É sempre um prazer  constatar a presença de pessoas de tão distantes rincões deste meu país, bem como de tantos recantos do mundo... É em momentos assim que o Prosa fica todo prosa...



Um coreto na pracinha... 


A tranquilidade das ruas o interior...


E o açude que abastece de água a cidade.

terça-feira, 1 de março de 2011

Devolver ao remetente?...



"Se eu pudesse, pegava a dor;  colocava a dor dentro de um envelope e devolvia ao remetente."

(Mario Quintana)

Na clareira ao pé do lago...



DE LA MUSIQUE


Ah, pouco a pouco, entre as árvores antigas, 
    A figura dela emerge e eu deixo de pensar... 

    Pouco a pouco, da angústia de mim vou eu mesmo emergindo...
    As duas figuras encontram-se na clareira ao pé do lago....
    ... As duas figuras sonhadas, 
    Porque isto foi só um raio de luar e uma tristeza minha, 
    E uma suposição de outra coisa, 
    E o resultado de existir...
    Verdadeiramente, ter-se-iam encontrado as duas figuras 
    Na clareira ao pé do lago? 
    ( ... Mas se não existem?...) 
    ... Na clareira ao pé do lago?...


(Alvaro de Campos)