Chove suavemente sobre os campos, parques e jardins de Campinas nesta manhã de sexta-feira, prometendo um final de semana molhado por aqui. O pessoal da casa, cada qual com suas obrigações, sai bem cedo e fico eu por aqui entretida entre jornais e revistas, vira e mexe dando uma voltinha pelo mundo através desta telinha, enfim, ocupando o tempo que me cabe enquanto não volto ao ninho. E como estamos em contagem regressiva para o Natal, creio que minha nora e eu vamos estar bem ocupadas neste final de semana, mas enquanto isso, vou passeando uma certa preguicinha pela casa.
Folheando o jornal de hoje, uma crônica de Carlos Heitor Cony prende (como sempre) a minha atenção. Com ele passeio por Praga, depois de uma viagem desgastante pelos aeroportos, constatando que, exatamente como ele, também perdi o medo de avião, mas "ganhei pânico dos aeroportos, pelas conexões, gates, esteiras, balcões de check-in". E ao longo da crônica, que encanto, ele acaba contando que escrevera um postal para o Carpeaux e só depois se lembrara que ele estava morto. Mas enviara o postal assim mesmo. E que também, já quase deixando Praga, enviara um postal ao Adolf Bloch, mesmo depois de lembrar-se que ele havia morrido seis anos antes, alegando marotamente que transferia esse problema para os Correios. E ainda que, quando chegasse em Roma, mandaria em postal para si mesmo em Praga, usando como endereço a rua em que Kafka morava... Que fantástico senso de humor! Ou seria um tremendo apego aos grandes amigos? Não sei ao certo. Só sei que, como sempre, Cony iluminou minha manhã.






