floquinhos

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Os postais e seus destinatários.


Chove suavemente sobre os campos, parques e jardins de Campinas nesta manhã de sexta-feira, prometendo um final de semana molhado por aqui. O pessoal da casa, cada qual com suas obrigações, sai bem cedo e fico eu por aqui entretida entre jornais e revistas, vira e mexe dando uma voltinha pelo mundo através desta telinha, enfim, ocupando o tempo que me cabe enquanto não volto ao ninho. E como estamos em contagem regressiva para o Natal, creio que minha nora e eu vamos estar bem ocupadas neste final de semana, mas enquanto isso, vou passeando uma certa preguicinha pela casa.
Folheando o jornal de hoje, uma crônica de Carlos Heitor Cony prende (como sempre) a minha atenção. Com ele passeio por Praga, depois de uma viagem  desgastante pelos aeroportos, constatando que, exatamente como ele, também perdi o medo de avião, mas "ganhei pânico dos aeroportos, pelas conexões, gates, esteiras, balcões de check-in". E ao longo da crônica, que encanto, ele acaba contando que escrevera um postal para o Carpeaux e só depois se lembrara que ele estava morto. Mas enviara o postal assim mesmo. E que também, já quase deixando Praga, enviara um postal ao Adolf Bloch, mesmo depois de lembrar-se que ele havia morrido seis anos antes, alegando marotamente que transferia esse problema para os Correios. E ainda que, quando chegasse em Roma,  mandaria em postal para si mesmo em Praga, usando como endereço a rua em que Kafka morava... Que fantástico senso de humor! Ou seria um tremendo apego aos grandes amigos? Não sei ao certo. Só sei que, como sempre, Cony iluminou minha manhã.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Enquanto o Sol passeia...


O sol entra atrevido pelas frestas da janela, como que pedindo para que esta seja aberta de par em par, para que o lindo céu todo azul de primavera inunde os olhos meio atordoados com tanto brilho, ao despertar em plena manhã de terça-feira... A alma, agradecida por tanta vida, vai se espreguiçando e, pouco a pouco, vai despertando para um novo dia. A menina deixa que o corpo se espreguice também, antes de pular da cama, atendendo ao chamado da mãe que avisa o quanto já se faz tarde, dizendo que ela vai acabar por perder a hora do colégio.
Depois de uma rápida chuveirada e de um tempinho diante do espelho tentando compor o "look" do dia, tentando deixar-se ficar quase igual a todas as outras meninas do colégio - repararam como as meninas são quase todas iguais, hoje em dia? mesmo corte e alisamento de cabelo, mesmas roupas, mesma maquiagem, mesmas bijuterias?  -  a jovem desce as escadas correndo, beija a mãe e senta-se à mesa para o café. Só então nota os olhos vermelhos de tanto chorar da irmã mais velha. Sacode a cabecinha e, num gesto de ternura envolve a irmã num abraço, sem uma palavra. A mãe, assustada, pergunta o que está havendo e a jovem Maria Luíza diz que também não sabe, mas se a irmã chora, é porque está sofrendo e, se a irmã sofre, ela sofre também. Comovida, a mãe abraça as filhas pensando no poder de dramaticidade de uma adolescente ao sofrer sua primeira desilusão e em quantas vezes mais a filha choraria e em quantas tantas outras vezes voltaria a sorrir quando um sol de primavera voltasse a aquecer seu coração palpitante por uma nova (e imortal) paixão...
E lá fora, o lindo sol que banha a vida, indiferente aos dramas ou meio-dramas que aquece com seus raios, continua seu passeio pela terra...

sábado, 1 de setembro de 2012

As flores vão voltando...


E lá se foi agosto!... Um mês olhado de soslaio por uns, tido como agourento por outros, mas para mim um mês bem especial, já que foi em agosto que cheguei a este nosso mundo. 
Pois agosto, neste ano, foi bem atípico. Usualmente frio e garoento, cinza, com cara de poucos amigos, o agosto que terminou ontem foi todo lindo, ensolarado, com uma temperatura agradável durante o dia para deixar uma noite friazinha, convidando ao aconchego. Vai dando lugar a um mês sempre muito esperado por trazer consigo a primavera, suas flores, suas cores, suas luzes, seu clima de amor, de renascimento, de esperança. 



Mas aqui no terraço, as flores brotam antes mesmo da chegada da primavera e creio que isso se deva ao agosto que acolheu o sol e as luzes, permitindo que se instalassem antes do tempo, para alegria dos moradores desta casa. Assim temos a alegria de azaléas que se abrem para a vida, de botões de rosa que prometem beleza e perfume, de lírios da paz que já surgem timidamente entre a folhagem do vaso, e atá as orquídeas, que sempre se negaram a florescer por aqui, abrem seus botões para a vida... 




Delicado começo de primavera antecipada que, com muito gosto, divido qom os amigos e leitores do Prosa.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O sol que aquece o dia...

(A sesta - Van Gogh)

Céu azul, de brigadeiro, o sol esparramando-se por sobre a cidade nesta quarta-feira de outono. Mas um friozinho que pede aconchego e alguma roupa um pouco mais quentinha vem nos alertar para o fato de que o inverno, já tão próximo, ao que parece, vai ser rigoroso. Talvez lá por Sampa o dia esteja enfarruscado, cinzento, o que não seria de estranhar, então só posso agradecer por esta cidade ser um pouco menos fria,  o que faz um bem enorme aos meus ossinhos que já andam brigando com uma artritezinha a cada vez que o tempo muda... Coisas da juventude... rs...  

Olhando o sol esparramado lá fora, sol que sugere um momento para lagartear sentada no banco do jardim, deixando que ele aqueça cada pedacinho de mim, acabo por me lembrar de um dos incríveis poemas de Drummond sobre o cotidiano mineiro e, por ser puro Drummond, deixo-o aqui para complementar esta postagem com cara de preguiça.



Sesta

A família mineira
está quentando sol
sentada no chão
calada e feliz.
O filho mais moço
olha para o céu,
para o sol não
para o cacho de bananas.
Corta ele, pai!
O pai corta o cacho
e distribui para todos.
A família mineira
está comendo banana.
A filha mais velha
coça uma pereba
bem acima do joelho.
A saia não esconde
a cocha morena
sólida construída,
mas ninguém repara.
Os olhos se perdem
na linha ondulada
do horizonte próximo
(a cerca da horta).
A família mineira
olha para dentro.
O filho mais velho
canta uma cantiga
nem  triste nem alegre,
uma cantiga apenas
mole que adormece.
Só um mosquito rápido
mostra inquietação.
O filho mais moço
ergue o braço rude
enxota o importuno.
A família mineira
está dormindo ao sol. 

(Carlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A Natureza em fúria...

(foto: http://luiztrigo.blogspot.com)

A tarde, de repente, foi se tornando densa, nuvens escuras, pesadas, envolvendo a cidade... E a natureza resolveu, então, desandar sua força em fúria, sobre os homens... O vento chegou rugindo, furioso, vergastando as árvores, derrubando tudo o que se opusesse em seu caminho, atirando a chuva contra as vidraças, como se estivesse praticando um ato raivoso. Da janela da sala não se enxergava sequer os prédios do outro lado da rua, que pareciam envoltos em uma cortina de água... E os trovões ecoavam pelos ares, pondo medo no coração das pessoas que, terminado seu turno de trabalho e a caminho de suas casas, procuravam abrigo que as protegessem naquele momento. E sabiam bem que, passada a tormenta, chegariam a seus pontos de ônibus, às estações de trem  ou metrô, mas não sabiam a que hora chegariam a seu destino, porque a cidade pára, literalmente, fica quase intransponível em situações come essa...
E confirmando esse temor, vejo agora, chuva passada, o céu azul começando a surgir entre as nuvens, ao mesmo tempo em que já se ouve a sinfonia das businas anunciando nas avenidas o trânsito insuportavelmente difícil, congestionado, dificultando a vida de todo mundo, dessa gente sofrida que só quer chegar em casa, descansar, estar com sua família após um exaustivo dia de trabalho...
Mais um pedacinho do cotidiano desta cidade...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Chuvas prenunciando mudança de estação...


Esta terça-feira amanheceu molhada pelas chuvas da noite, chuvas que só agora diminuem e dão um sinal de que talvez o Sol queira vir visitar a cidade. Sentada aqui, no quarto que ocupo quando de minhas visitas, ouço o distante apito de um trem que vai parando na pequena estação de Winchester, o ronco de um avião que vai cruzando os céus, o tímido chilrear de um pássaro que estava escondido da chuva e agora ensaia sair de seu ninho,  o motor de um carro ao passar defronte a casa, enfim, sons que nem chegam a tirar o sossego do lugar.
As chuvas vêm confirmar os prenúncios da próxima chegada do outono, já anunciada no início de mudança nas cores da paisagem, no esmaecimento das flores dos jardins, nas folhas que o vento já derruba quando passa por entre os galhos das árvores, e no frescor que se faz ao amanhecer. 

Durante toda a Primavera e o verão, os postes do centro da cidade ficam lindamente decorados com vasos de flores...

Com a proximidade do Outono, já não se vêm os lindos e coloridos vasos pela cidade...

Dentro de poucos dias começa a que considero a mais bonita, charmosa e elegante estação do ano e estou muito feliz por poder estar aqui por mais um tempinho, pois Outubro é o mês das cores, um encanto, que sempre me fascina. 
E é quando começam os preparativos para as festas mais tradicionais do país: Halloween, Thanksgiving e Natal, cada qual em um mês. As lojas já começam a ostentar decoração para o Halloween e as gôndolas já se vestem de roxo e laranja, mesclados ao preto, peças e roupas postas a venda para a ocasião. 
Na medida em que as coisas forem acontecendo, o Prosa vai trazendo as novidades para que seus amigos e leitores possam participar (se assim o quiserem) dessas festas tão bonitas. 

domingo, 6 de março de 2011

Na tarde do domingo de Carnaval...


A chuva resolveu dar uma trégua por aqui. O céu tem um ar meio carrancudo, mas o sol consegue passar alguns de seus raios por entre as nuvens, trazendo mais luz a esta tarde de domingo de carnaval.  
Carnaval!... Esta festa nunca me seduziu. Sempre preferi olhar de longe, embora  torcendo para que os foliões tivessem muita diversão. Até acompanho, a distância, através dos jornais ou da TV, os preparativos das escolas para o desfile esperando que transcorram como o planejado, imagino a ansiedade de cada participante, a luta para que tudo dê certo, a expectativa da festa... E torço muito por eles, para que consigam realizar seus sonhos na avenida, no sambódromo. Mas quando os desfiles acontecem não consigo sequer me prender diante da TV para assisti-los. Prefiro um bom filme, um livro, um bate-papo amigo, coisas assim. 
Por isso estou aqui, prazeirosamente acomodada  num sofá muito aconchegante, relendo A J Cronin (A cidadela), deixando minha alma vagar na companhia de Andrew Manson, um recém formado médico, envolto em ideais e sonhos, em pequenas cidades mineiras no País de Gales. Uma história bem interessante, com um tanto de auto-biográfica, que me encanta. Tenho por este livro um carinho muito especial porque foi após le-lo, em sua adolescência, que meu filho começou a pensar em seguir os árduos caminhos da medicina, caminhos que trilha hoje, com dedicação.