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domingo, 5 de julho de 2015

Pura insensatez!


Ah, essa alma menina que vive dentro de mim! Rebelde, insensata, aprisionada num corpo desgastado pelo tempo e pela vida... Hoje, desvairada,  acordou como se tivéssemos dezessete anos, querendo dançar sob a luz da lua, cantarolando  ” Blue moon”, cheia de saudades de um sonho que foi apenas sonho... Acalme-se, velha amiga, é tempo de serenidade... tudo o que está sentindo, tudo o que mexe com você, é apenas o resultado de se acordar ouvindo Rod Stewart. Blue moon, Stardust, A kiss tu build a dream, até Manhattan tira você do sério? Acorda, criança. Toma jeito... Come back to reality!

Ah, mas sei como colocar você em seu devido lugar, ah, se sei. Veja, estou acendendo todas as luzes do quarto e me posicionando diante do espelho... Viu? O tempo passou e só lhe resta entender que agora o que tem a fazer é acompanhar-me, muito bem comportadinha,  pelos caminhos da vida, vivendo cada momento com imensa alegria,  essa alegria que vive dentro de mim e que você, por vezes, desrespeita com sua  ânsia incontida...

Finalmente, cada coisa em seu lugar, vamos lá começar o domingo.  Café?

segunda-feira, 12 de maio de 2014


Há dias em que a alma acorda cheinha de saudades... São os dias que sucedem as noites em que você povoa meus sonhos, as noites em que você chega para me visitar, quando, sentados de mãos dadas, conversamos longamente sobre o passar da vida depois de sua partida...
Dificil acordar do sonho sem você a meu lado, sem a sua presença, sem o toque de sua mão, sem o som doce de sua voz dizendo “bom dia, minha flor”... Há dias...

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Dividindo um momento...

Delicadas flores...

Dão lugar a doces frutinhas...

As coisas simples da vida sempre me deixam feliz, O sorriso no rosto de uma pessoa amiga, o abraço de uma criança, a presença daqueles que me querem bem, uma flor nascendo num vaso do terraço... Hoje, depois de muitos meses, foi a vez de umas frutinhas aparentemente despretenciosas iluminarem meu dia. Mas não são quaisquer frutinhas, não! São as primeiras jabuticabas nascidas em meu terraço. Quando a trouxe para casa e ela foi plantada num vaso, fiquei pensando que nunca veria uma frutinha presa a seus galhos, mesmo porque, com a quantidade de pássaros que voam por aqui, dificilmente sobraria uma pobre jabuticabinha para adoçar minha boca. Todos esses meses que andei doente, fiquei praticamente impossibilitada de subir escadas, principalmente as que vão dar no terraço, em caracol, estreitas. Cuidados, na verdade, exagerados de meu filhote. Mas hoje, quando minha escudeira veio toda sorrisos a dizer que havia frutos na árvore, não teve como... Subi aqueles degraus na maior facilidade para sentir a alegria de ver a natureza cumprindo seu ciclo. E, como sempre o fiz, trago aos amigos e leitores do Prosa, as imagens dessa alegria que os bons momentos causam em mim...

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

É manhã de sol...


Lá fora, um lindo sol da primavera... Ca dentro, a calma de uma manhã preguiçosa de segunda-feira... No fundo, mesmo, é só desculpa para exibir meu telefoninho retrô... rs...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Numa segunda-feira iluminada...


A segunda-feira amanheceu tão linda, clara, ensolarada, com um imenso céu de brigadeiro, que até me pergunto se estamos mesmo nesta minha querida e tão sofrida cidade... Passo pela sala e, através dos vidros da porta do terraço, vejo um beija-flor sugando o néctar do bebedouro colocado por sobre os vasos das roseiras e não posso deixar de pensar que, como os homens, os animaizinhos também procuram sempre o melhor caminho, o jeitinho mais fácil de atingirem seus objetivos, de satisfazerem suas necessidades... Porque estou dizendo  isso? Ora, como seu próprio nome indica, os beija-flores alimentam-se do néctar que, com seus longos bicos, extraem das flores, não é? É! Ou pelo menos deveria ser. Mas aqui no meu terraço, com tantas flores lindinhas e coloridas, as coisas são diferentes; eles nem as olham e vão direto para os bebedouros, atraídos pelo rosado e (imagino) delicioso néctar. Tão mais fácil!...
E, enquanto olho deliciada para aquela criaturinha aparentemente tão frágil, me dou conta de que aqueles dois pássaros grandes que, nem sei como, também atravessavam a rede de segurança do terraço para chegar aos bebedouros e sugar um pouco (aliás, um poucão) do néctar dos minúsculos beija-flores, já não aparecem há um bom tempo. Então, os pequeninos acabaram por expulsá-los de seu território? 
Eles tinham bem umas três vezes o tamanho do beija-flor, mas se, quando estivessem lá, chegasse um beija_flor, este os afugentaria rapidinho, voando sobre eles, ameaçando-os com aquele seu biquinho longo e fino que deveria perfurar seus desafetos, ainda que maiores e sempre em dupla. Moral da história? Tamanho não é documento (rs...) Na natureza, como acontece entre os homens, vence quem tem a melhor arma, seja ela física, como o bico de um inocente beija-flor, ou não...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Está pensando que ainda é uma menina, é?...

Meu chapeuzinho roxo, guardadinho no armário, para quando chegar o tempo de "aventuras"... rs...

Pois é, queridos amigos, o tempo vai passando sem nos darmos por isso, vamos envelhecendo, ficando mais frágeis, menos resistentes aos embates da vida, sejam bons ou maus... Por aqui, as festas deste final de ano foram movimentadíssimas e eu fui me empolgando, tentando manter o mesmo ritmo de sempre, compras aqui, preparativos ali, família reunida, alegria, risos, correria, e enquanto estava nessa azáfama nem percebi o quanto estava me desgastando, o quanto estava  pondo a prova meus limites, mas quando tudo acabou, quando a vida voltou ao normal, kids e filha de volta ao ninho, filhos e netos de novo em suas rotinas diárias, a velhinha aqui desabou... rs... na verdadeira expressão da palavra. A "pilha" acabou e eu tive que me render ante os fatos e me recolher "ao estaleiro" para reparos... rs...  Amigos, que loucura!... Fiquei completamente estafada, extenuada, a ponto de ter que guardar o leito por vários dias. Mas pouco a pouco vou voltando ao  meu normal. 
Durante esse tempo, isto é, nesta última semana, fui lendo os comentários deixados por vocês aqui no blog, mas faltava coragem até para responder mensagens tão amigas, e peço desculpas por isso. Obrigada a todos pelo carinho e pela amizade. A partir de agora espero poder voltar à normalidade aqui no Prosa, uma vez que já me sinto (quase) inteira novamente. E, acreditem, aprendi a lição e, na próxima, vez vou ficar mais calminha, vou respeitar meus limites... Senão, quando chegar o tempo de  colocar meu chapéu roxo na cabeça e sair pelo mundo, vai faltar energia... rs...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A luz... As cores...


Um raio de sol atravessa a vidraça e bate na linda peça de cristal que repousa sobre a mesinha  transformando-se em todas as cores do arco-iris... Por um momento esqueço do que estava fazendo e fico ali, olhos deslumbrados pela delicadeza da imagem refletindo a luz. Como uma criança que descobre uma nova faceta da natureza, aproximo minha mão do cristal e fico brincando com as cores. E como que por encanto sinto-me essa criança que, por um átimo de segundo, consegue mergulhar na fantasia dos contos de fadas e princesas, de príncipes encantados que aprisionavam a luz dos olhos da amada para sempre em seus próprios olhos... A beleza, a suavidade das cores, sempre exerceram em mim um estranho encantamento. Acalmam-me, estejam elas no azul de um céu de primavera, no doce verde de um mar calmo, nas flores de um jardim, no vestido de uma menina, no olhar da pessoa amada, no prisma que as liberta do raio de luz...
E o dia que amanheceu todo azul, ganha tons suaves em degradée, colorindo a vida!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Depois das chuvas...


Céu todo cinza, carregado, cidade molhada pela chuva da noite, alma impaciente, como se estivesse a espera de alguém que nunca mais viria, uma certa inquietude  no peito... E uma impaciência de fazer dó! 
Tentei arrumar armários e prateleiras e acabei deixando para depois. Abri meu livro de cabeceira e não consegui mergulhar nele... Liguei o rádio e o som que encheu a sala fez meu coração transbordar de saudade... As lágrimas vieram, muito a contragosto, molhar meu rosto... Definitivamente, hoje é dia de saudade, de ausência, de vazio... Definitivamente, hoje não é dia de se estar só... 

(E antes que meus amigos comecem a se preocuparem comigo: - é só um texto... O sol até já começa a brilhar lá fora, secando a cidade molhada pelas chuvas da noite.)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

E vamos descobrindo novos sabores...


Viver em cidades muito grandes tem lá seus problemas, mas tem também suas vantagens, suas delícias. E em São Paulo não poderia ser diferente. Trânsito caótico, violência, gente apressada e estressada, corre-corre, são uma constante, constante porém compensada - e quase que plenamente - por tudo o que uma cidade moderna pode oferecer, inclusive jantares ao redor do mundo. Se você escolher um bistrô francês, vai certamente se sentir em Paris; já se escolher um restaurante mexicano, uma cantina italiana, um pub inglês, um restaurante chinês ou se preferir ir a um japonês, lá na Liberdade, vai se sentir em cada um desses países ao saborear pratos maravilhosos e muito diferentes, representantes de cada uma dessas culturas. Mas o melhor, o mais instigante, são os lugares pouco conhecidos como um indiano, um marroquino, um tailandês, restaurantes que você não encontra em  cidades pequenas ou até de médio porte. 


Os leitores do Prosa certamente já perceberam, por alguns posts meus, que tenho um filho apaixonado por gastronomia, o que para ele é um refúgio das horas quase sempre difíceis que passa em seu trabalho. E é por isso que, graças a ele e a esse seu hobby, tenho "viajado" por algumas partes desse nosso planeta sem sequer sair de minha cidade. Pois!... Ontem, aproveitando a presença de minha nora Maria Antonieta aqui em Sampa, onde veio para fazer um curso, e com a "desculpa" de que ela não havia ido ainda  a um restaurante marroquino, fomos apreciar um momento em uma "tenda" multicolorida, cheia de luzes e de música tão diferente da nossa, mas tão agradável. 


O norte da África tão perto aqui de casa, na Fradique Coutinho, sensação que vai chegando em nós na medida em que vamos transpondo o corredor, lindo, que nos leva do portão da rua ao salão, transformado numa tenda, daquelas que vocês imaginam feitas para as delícias de um xeique no deserto... 


Você entra no clima e que venham, então, o couscous, o tajine, o cordeiro, entre outras delicias, e as sobremesas, e o chá que encerra uma refeição e um momento num país distante... 


Só uma peninha por não ser noite de sábado, quando a sensação seria bem maior quando as salas (ou tenda) fossem invadidas por lindas mulheres,  em seus sensuais meneios ao som da dança do ventre, deslisando entre as mesas... 

domingo, 19 de agosto de 2012

As árvores, os pássaros...

O beija-flor repousa na rede do terraço antes de voltar a ganhar os ares...

Domingo de sol, temperatura amena, casa em pleno sossego... Subo ao terraço para que o Bill possa se exercitar um pouco, correndo para pegar a bola, incansável. Depois de 5 minutos só quero sentar no banco e abrir o livro, mas o cãozinho só quer mesmo é brincar. Ao ver minha "indiferença", parece resignar-se e vai beber água. Volta e, em nova tentativa, traz a bola, jogando-a a meus pés. Finjo não ver e ele desiste. Fecho o livro e vou regar as duas arvorezinhas que são meu xodó, um pé de romã e uma jabuticabeira.

Meu pé de jabuticbas

Meu pé de romãs...

Mesmo sabendo que dificilmente elas consigam desenvolverem-se em vasos, acho que a tentativa é sempre válida. E vejo, encantada que a romã está dando seus primeiros frutos. Também sei que os pássaros dificilmente deixarão as frutas crescerem, mas alimentar pássaros também é coisa que gosto de fazer. 

... e seus primeiros frutos. Lindo demais!...

No terraço da sala mantenho bebedouros que atraem beija-flores lindos, para enfeitar a vida... E não são só os beija-flores que vem nos visitar. Há um grande número de pássaros nesta cidade que, a primeira vista, parece cinza, fria... Mas esta é uma região muito bem arborizada, com parques, jardins, vasos em quase todas as sacadas ou terraços, que acolhem muitos pássaros, o que nos dá o prazer de acordar na quase madrugada com o chilrear dos passarinhos, com o canto arreliento do bem-te-vi... 
Domingo tranquilo, tempo de leitura, tempo de mergulhar num bom filme, tempo de se estar em paz...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Ecos do domingo...

Agora... é inegável que é um Batman para ninguém botar defeito... rs...

Pois é! O domingo esteve "comme il faut"! Meus netos vieram passá-lo com o pai que se esmerou na cozinha, num cardápio de dar água na boca: suculentos filés acompanhados de ovos sobre ninhos de espinafre ao creme, arrumados sobre deliciosas torradas, cobertos com queijo parmesão ralado e levados ao forno para gratinar, nhoque puxado na manteiga e salada de folhas verdes... Bom demais! Um bom vinho para os adultos, suco de frutas ou refrigerantes  para os mais jovens. Depois do almoço, uma preguicinha própria de quem está de bem com a vida e com o estômago (rs), uma boa conversa nos sofás da sala e no final da tarde uma seção de cinema numa das salas de cinema do Shopping Villa Lobos, que fica bem perto de casa. Para assistir o que?...  O que?...  Dá até para adivinhar. Meu filho e a garotada, todos doidinhos para ver o Batman, Minha nora e eu, em minoria, sem a menor chance de mudar o jogo... (rs...) Mas foi uma sensação muito boa essa de estar ali, lado a lado com três de meus netos, meu filho, minha nora e a filha dela, num convívio maravilhoso, observando o ar de suspense que pairava no cinema; os garotos que nem piscavam...


E fiquei pensando que afinal, Batman nunca fora mesmo um dos meus super-heróis favoritos! Gostava mais do mistério que pairava sobre o Fantasma em seu tosco trono de madeira adornado por cabeças de caveiras, encravado numa caverna  no meio das selvas,  enigmático mascarado cujo noivado com a bela Mirian parecia tão eterno quanto ele; vivendo entre pigmeus, cortando a mata em sua ridícula vestimenta vermelha, sobre seu soberbo cavalo que, se minha memória não está me pregando nenhuma peça, chamava-se Herói e um lobo, o Capeta, seu cãozinho de estimação... E aqueles anéis em forma de caveiras que deixavam sua marca nos rostos do vilões? (rs...) E gostava também do Mandrake, com seu musculoso assistente, o Lothar e a (também eterna) noiva, Narda!... Super-heróis das revistas em quadrinhos que, já no início da adolescência, foram totalmente substituídos, em minha predileção, pelos melosos livros da Biblioteca cor-de-rosa. 
Foi um dia dos pais, dos filhos e... da avó, que curtiu cada momento de alegria de seu filho com alegria igual, agradecendo à Deus e à vida poder te-lo vivido...

sábado, 21 de julho de 2012

Nas manhãs de julho...


Sábado iluminado por um sol que vai entrando pelas janelas, que vai iluminando a casa, alegrando a vida!...
Depois de muitos dias cinzentos, frios demais, molhados e brumosos, julho mostra sua verdadeira cara. Dias frios, mas iluminados, tornando as férias da garotada muito mais alegres. 
Espetáculo marcante até algum tempo atrás, já não há tantas pipas nos céus de julho, mesmo porque esse tornou-se um brinquedo bastante perigoso quando o cerol passou a fazer parte quase integrante dele. No afá de cortar a linha dos outros "papagaios", a garotada anda expondo muita gente ao perigo, principalmente essa legião de motoqueiros que percorre a cidade de manhã à noite em seu estafante trabalho e que, como se não bastasse terem que driblar carros e gente, expondo-se ao perigo de nem chegar ao seu destino (não se passa um dia, nesta cidade, sem que haja muitos acidentes de motos, sem que pelo menos duas ou três pessoas venham a se ferirem gravemente e até mesmo a morrerem), ainda correm o risco de terem seus pescoços cortados pela linha assassina que, envolta em cerol, corta como navalha.
Já notaram que tudo, hoje, envolve perigo? Até as brincadeiras mais lúdicas!... As crianças já não brincam mais nas ruas, já não jogam bola nas esquinas, já não andam de bicicleta, as meninas não sabem mais nem brincar de roda, pular amarelinha, passar o lenço!  Ficam a maior parte do tempo em frente ao aparelho de TV, ao computador. Afinal, há tantos perigos lá fora...
Os tempos são outros, os prazeres infantis também. Tantas mudanças seriam para melhor? Para pior? Sinceramente, não sei. O mundo segue seu caminho, a humanidade busca seu melhor, nem sempre encontrado, mas assim é a vida e temos que caminhar por ela, sem muitas lamentações, entendendo, ou pelo menos procurando entender esse caminhar. E é tão bom poder caminhar pelas claras, alegres, ensolaradas e invernais manhãs de julho!...

segunda-feira, 11 de junho de 2012


Segunda-feira gelada, com chuvas e trovoadas assustando a manhã que já vai ao meio... 
Depois de um fim de semana prologadíssimo, com direito até a teatro para ver um musical alegre e divertido - Fame, a semana começa com uma preguicinha que dá gosto. E ainda vem essa chuva de verão dentro do inverno? Haja livro, cobertor, lareira acesa e música suave para aquecer a alma e o corpo. E haja poetas do coração para adoçar o dia com cara de aziago... 
E como a única coisa que posso dividir com os leitores e amigos do Prosa é a poesia que preenche o livro que tenho nas mãos, escolho ao acaso versos de Fernando Pessoa, que sempre é bem vindo, com sol ou com chuva, em dias gelados ou de sufocante calor...

Sonho

Sonhei esta existência de venturas,
Sonhei que o mundo era só d'amor,
Não pensei que havia amarguras
E que no coração habita a dor.

Sonhei que m'afagavam as ternuras
Da leda vida e que jamais pallôr
Marcou na face humana as desventuras
Que a lei de Deus impôs com seu rigor.

Sonhei tudo azul e cor-de-rosa
E a sorte ostentando-se furiosa
Rasgou o sonho formoso que tive;

Sonhando sempre eu não tinha sonhado
Que n'esta vida sonha-se acordado,
Que n'este mundo a sonhar se vive.

(Fernando Pessoa, do livro Poesias Ocultistas, onde foi mantida a grafia original)

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Segunda-feira chuvosa...

(A vista da janela do quarto é, hoje, molhada...)

Chove... Chove... Chove...  Senhor, como chove nesta manhã de segunda-feira, depois de um domingo meio enfarruscado, mas gentil em permitir que as festas dedicadas às mães pudessem ser realizadas de acordo com os gostos de cada um. Aqui, por exemplo, almoçamos na varanda da casa, em clima fresco, sem o frio que fizera no sábado.  Mas hoje, "São Pedro" resolveu tirar a diferença e despejar água por sobre as terras campineiras. 
Filho e nora já saíram para o trabalho, neto já foi para a universidade e euzinha, acomodada na fofura de um sofá, começo meu passeio pela blogosfera, em visita a amigos, o que não faço já há uns dias, mergulhada em preparativos para a viagem e, aqui chegando, ocupada em matar saudades de meus amores e meus amigos desta antigamente chamada "Cidade das Andorinhas".
No aconchego que pede uma manhã de chuva, antes de me embrenhar pelos caminhos que me levarão aos blogs amigos, deixo para vocês um bilhetinho do poeta todo ternura, para adoçar esta manhã:


Bilhete


Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
Tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...


(Mario Quintana)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O melhor de um domingo cinzento...


E num domingo cinzento como o de ontem, tem coisa melhor para se fazer do que gastar um tempo numa livraria? É bom demais! Por isso, lá pela tardinha, meu filho e minha nora, que tinham passado o dia aqui em casa, tornaram irrecusável o convite para irmos todos até a Livraria Cultura lá no Shopping Villa Lobos.
E nem foi preciso andar muito entre suas imensas dependências para encontrar mais um livro de Drummond, uma nova edição de um livro do Eça, um livro que ainda não tinha do Mário de Andrade, uma biografia re-editada de Graciliano Ramos escrita por seu filho e um romance de um autor português que não conhecia, José Luis Peixoto... Que venham pois as tardes nevoentas de quase inverno; já tenho como enfrentá-las (ou quase);


E do livro de Drummond - As impurezas do branco - escolhi um poema para vocês, queridos amigos e leitores do Prosa:

AMOR E SEU TEMPO


Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.


É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado, 
que, decifrado, nada mais existe


valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.


Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.


(Carlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sempre temos os versos...


Pois é, meus amigos, o Prosa anda cheio de preguiça, com aquela vontadinha de ficar calado, na maior falta de assunto... Ainda outro dia, minha amiga Pitanga Doce me perguntou se eu havia me dado conta do marasmo que anda rondando grande parte dos blogs e eu disse que sim, que já havia notado isso, inclusive com referência aos meus Prosa e Cidades. Podemos até dizer que deve ser uma fase, ou talvez, quem sabe(?), apenas um cansaço passageiro, o que seria contornado com sairmos em busca de novos assuntos... Mas, que assuntos? A vida lá fora anda a cada dia mais difícil e mais sem graça, cheia de incertezas e insegurança, E, mesmo que não possamos ignorar esse fatos, nossos leitores não são obrigados a se entristecerem com os acontecimentos que enfeiam nosso dia a dia. 
Ao mesmo tempo, não teria graça nenhuma ver um blog metido a literário falar de culinária, ou pior ainda, vê-lo transformado num "mexericos da Candinha", mesmo porque, este último pode ser encontrado, por quem goste, nos blogs sobre TV e cinema, prata da casa quando se trata da sétima arte.
Também não consigo ver o Prosa apresentando receitas de crochê - embora o crochê sempre tenha feito parte de meus dias de ócio - ou falando de culinária - mesmo que aqui em casa, os finais de semana sejam consumidos em grande parte na cozinha, ao lado do filhote, que tem na gastronomia seu hobby favorito não  perdendo nem para a música (e devo confidenciar que ele só cozinha com um lindo fundo musical, unindo assim duas de suas três maiores paixões). 
O Prosa é o Prosa, ora!... E só consegue sobreviver entre a prosa e o verso. Verso é fácil, temos tantos poetas maravilhosos em nossa língua portuguesa, não é mesmo? Agora... Prosa?... Bom, prosa vai depender mesmo da inspiração desta velha amiga e, meus amores e meus amigos, essa tal de inspiração continua brigada comigo... rs... 
Por isso, se vocês notarem que o Prosa vai ficando muito mais tempo em versos, sejam pacientes com ele, por favor... A prosa vai se achegar aos poucos, na medida em que a vida  se abra um pouco mais para o belo, na medida em que a inspiração resolva fazer as pazes comigo...

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Para os kids, com carinho...

(Por sobre o ombro da Presidente Dilma, marcado por um cículo verde e amarelo, o sorriso do Alexander)

Pode até parecer curioso, mas é público e notório que quando nos ausentamos de nossa terra, o amor e o orgulho que  sentimos por ela ficam acirrados. E não poderia ser diferente com o pessoal que forma a maior colônia brasileira nos Estados Unidos, lá no Estado de Massachusetts, formada, sim,  por pessoas de todos os níveis sociais, porém, em sua quase maioria por pessoas  simples, que vão buscar um destino melhor, uma melhor qualidade de vida para si e para seus filhos.
Isso é tão verdadeiro que um pessoal, na cidade de Everet resolveu, há  10 anos, abrir uma escola de alfabetização para crianças brasileiras, ou filhas de brasileiros, onde o amor ao Brasil também fosse cultivado com muito carinho. É justamente lá, na "Escola de Português Caminho do Saber", que os meus kids estão estudando e aprendendo coisas sobre um país que também é deles, visto que ambos tem também a cidadania brasileira.

E, como os leitores do Prosa também devem saber, a Presidente Dilma esteve esta semana em missão oficial lá pelas terras de Tio Sam e, depois de cumprir sua agenda em Washington, foi a Boston e depois a Cambridge para pelestras em Harvard e no MIT. E, quando chegou aos jardins do Palácio do Governo em Boston, foi recebida por um coro de crianças das escolas de português de Everet e de Somerville, entoando os hinos nacionais do Brasil e dos Estados Unidos, com aquele clássico "agitar bandeirinhas" dos dois países. E, claro que os kids lá estavam, empolgados, participando de uma cerimôria que os fez sentirem-se mais brasileiros ainda. E fizeram questão de mandar para a vovó a foto onde o Alexander  aparece, todo sorrisos.

E vão ficar muito prosas quando abrirem o blog da vovó, hoje (rs)...   My lovely kids, esta postagem de hoje  é para vocês, ok?



(clicar nas fotos para ampliar)

sábado, 17 de março de 2012

Um sol interior...


Foi bem assim que o sábado amanheceu por aqui, cinzento, com cara de triste, entristecendo quem trabalha a semana toda e sonha com o final de semana ensolarado, alegre, lindo, para seu descanso, seu lazer, seus passeios. 
Mas na medida em que a manhã foi transcorrendo, o sol foi rompendo as nuvens e agora brilha sobre a cidade. Meio amarelado, é verdade, com cara de quem só veio para dizer bom dia e para lembrar que, mesmo escondido, ele está lá, iluminando a vida. 
Assim somos nós. Temos também, cada um de nós, um sol guardado lá num cantinho de nossas almas, sempre pronto para romper as nuvens pesadas que a vida joga às vezes por sobre nossas cabeças. E, por mais que pareça difícil, é preciso que aprendamos a descerrar essas nuvens e a permitir que nosso sol interior brilhe, ilumine nossas almas, traga de volta um sorriso aos nossos rostos, para que assim talvez  consigamos enfrentar com mais serenidade as adversidades que nos esmagam em certos momentos da vida...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Com o sol entrando pela janela...


Finalmente um sol de verão entrando pela casa, atravessando vidraças e pondo um ar dourado sobre as tábuas do assoalho, espargindo vida e calor pela cidade... Depois de um mês inteiro de chuvas, nuvens, alagamentos, parece que a cidade, ou melhor, muitas cidades desta parte do país, voltam a ter dias luminosos, ainda que chuvas de verão venham refrescar a tarde... 
As aulas recomeçaram, as crianças retomam sua rotina, o trânsito fica ainda mais congestionado, a cidade volta ao seu normal... E esse simples pensamento, crianças voltando às aulas, traz-me lembranças da menina que um dia fui, numa tarde azul, com o tempo em preparativos para um entardecer carregado de chuva, sentada nas escadas que levavam ao quintal do casarão, ansiosa para que o dia seguinte chegasse logo, para que ela pudesse retornar à escola, rever amiguinhas, conhecer a nova professora... Olhava o movimento das nuvens movidas pelo vento e ia imaginando nelas figuras, gente, anjos... Ainda acreditava em Papai Noel, na magia das fadas e dos duendes, na sinceridade dos seres... Até hoje, tantas décadas depois, ainda adivinho nas nuvens castelos, leões, principes, bruxas... é que a menina continua em mim, teimosa, travessa, traquinas... Já não pula corda, já não joga amarelinha, mas ainda sonha. E como sonha!... 
É bem verdade que há muito já não acredita no Bom Velhinho e  que, por vezes, fica descrente da sinceridade dos seres, mas ainda não perdeu totalmente a fé na vida, ainda crê no futuro dos homens, ainda tem tanta esperança no porvir!..

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Homens na cozinha?...

(Confesso que estava bom demais...)

Os fins de semana têm sido bem movimentados por aqui e, claro, quando chega a segunda-feira tudo o que eu quero é, como costumava dizer meu pai, "sombra e água fresca"... rs... Mas, cadê que tem?... É preciso por ordem na casa, afinal, filho que gosta de cozinha...
Os homens que me desculpem, vocês são ótimos pilotando um fogão, mas não dá para irem limpando na medida em que vão sujando, como costumam fazer as mulheres na cozinha? Dá não, né?... Ficam aí tâo empolgados com os pratos que estão preparando que nem se lembram disso, não é? E escolhem cada prato trabalhoso! E têm uma infinidade de máquinas e acessórios que põem em  uso, máquinas que a dona de casa comum nem sabe que existem... rs...Tá certo que vale a pena a trabalheira porque come-se divinamente - pelo menos por aqui - e tá certo também que, agora que estou sem auxiliar, a turma se reúne depois do almoço para "limpar" tudo, mas, meus queridos, só na segunda-feira, quando a casa está vazia é que se vê o quanto ficou ainda para limpar... rs...  
Mas, para compensar a trabalheira, o doce que ficou na geladeira é de se comer ajooelhada! E os momentos passados com a família em volta são um alento para qualquer mãe/avó; "não têm dinheiro que pague"...
Ora - vão dizer os leitores e amigos do Prosa - então, tá reclamando do que? 
Então, vamos esclarecer: Não estou reclamando, viram? Só estou constatando uma verdade, ora!...