
floquinhos
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Mundo mundo, vasto mundo...
Poema das sete faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.(Carlos Drummond de Andrade)
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Um coração de madeira...

De madeira lilás (ninguém me crê)
se fez meu coração. Espécie escassa
de cedro, pela cor e porque abriga
em seu âmago a morte que o ameaça.
Madeira dói?, pergunta quem me vê
os braços verdes, os olhos cheios de asas.
Por mim responde a luz do amanhecer
que recobre de escamas esmaltadas
as águas densas que me deram raça
e cantam nas raízes do meu ser.
No crepúsculo estou da ribanceira
entre as estrelas e o chão que me abençoa
as nervuras.
Já não faz mal que doa
meu bravo coração de água e madeira.
domingo, 2 de janeiro de 2011
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Mais um Réveillon sem você...
Pois é, meu amor, completam-se hoje oito anos de ausência, de uma ausência que se torna a cada dia mais e mais presença em minha vida. Você continua caminhando comigo em cada pensamento, em cada pequeno gesto, em cada palavra, contrariando o dito que afirma que o tempo vai apagando tudo, vai aplacando a dor, vai amainando a saudade...
Você havia prometido que envelheceríamos juntos, que juntos faríamos este difícil caminhar, apoiados um no amor do outro, felizes, lembra-se? Sei que não foi por sua vontade a partida antecipada, meu amor, você amava intensamente a vida, como amava este dia, de todos os dias de festa, o seu favorito... Com que alegria acompanhava os preparativos para a ceia, com que prazer juntava moedinhas a serem distribuídas depois da meia-noite para dar sorte, para que não faltasse dinheiro durante o ano todo, com que emoção estourava o champanhe a meia-noite para o brinde, enquanto os fogos espocavam ruidosamente por toda a cidade!... E em torno de você era só alegria...
Em nosso último Réveillon não houve alegria... Meu coração estava mergulhado na dor. Na dor da perda, na dor da, desde então, sentida ausência, na dor da separação definitiva e irremediável. E, quando os fogos começaram a espocar lá fora, havia lágrimas ao invés de risos, preces ao invés de votos, adeuses em lugar do “feliz ano novo”... Mesmo porque, dentro de mim, nunca mais poderia haver um “ano novo” feliz., posto que viria sem o seu riso, sem a sua voz, sem a sua presença...
Mas hoje a noite vou, no rosto a falsa máscara da alegria, juntar-me a nossa filha e a nossos netos para celebrar mais um Ano Novo, e prometo a você que será uma noite exatamente como você gostava, cheia de luzes, cores, musica, risos, abraços, e que, mantendo a tradição que você trouxe lá das suas Gerais, haverá até mesmo as moedinhas de boa sorte, com direito a contar aos kids de onde veio essa tradição. E assim o Vô Bira estará mais uma vez conosco num Réveillon...
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Shall we dance?

Um Feliz Ano Novo para todos !

