floquinhos

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Segundo Drummond...


"Se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis."

(Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Um tempo para "deletar"...


Resolvi que hoje gastaria um tempo revendo e limpando arquivos antigos, assim poderia renová-los, ganhando espaço, apagando tudo o que não fizesse mais sentido te-los guardado. Abro um arquivo aqui, outro ali, e vou encontrando lembranças, momentos, saudades... Este me fora enviado por um amigo que o tempo afastou, aquele foi um mimo de uma amiga querida que continua presente em meus dias, aquele outro foi o início de uma amizade desastrosa, enfim, na hora de apagar, o coração reluta um pouco, mas a "ordem" era limpar tudo o que não seria mais necessário, não era? Então... Mesmo porque, para que guardar lembranças que ainda magoam? Fui fazendo a triagem, separando o que guardaria e enviando para novas pastas, descartando o que não valeria a pena guardar... E lá se foram muitas imagens, fotos, cartas, e-mails, páginas, endereços, tudo, para o nada, envoltos em saudades ou em indiferença... 
O coração ficou meio triste, porque jogar lembranças fora sempre magoa, mesmo que não sejam lembranças boas, uma vez que, ao faze-lo, elas voltam com tudo; mal comparando, a alma é como um armário onde, de vez em quando, precisamos abrir espaço para novas roupas, doando as antigas e onde sempre se guarda um vestido ou uma blusa velhos que, mesmo sem servir mais, ficam ali dependurados porque são, e sempre serão, objetos de predileção... Em resumo, o que nos é caro, fica para sempre em nossos corações, ainda que teoricamente excluídos de nossos arquivos (físicos)...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Um poema é...


Não tem porque interpretar um poema. O poema já é uma interpretação.

(Mario Quintana")

domingo, 6 de novembro de 2011

Quase uma "odisséia"...


Quando escrevi a postagem abaixo, na sala de embarque do Aeroporto Internacional de Washington (chic, não? rs...) o voo que íamos tomar estava "on time", tudo certinho. Mas, nunca se sabe, né? A hora do embarque dos passageiros foi chegando e passando e nada do tal embarque. Com tantas idas e vindas, a gente acaba por perceber quando alguma coisa não está "nos conformes" , não é? Pois!... Tripulação da aeronave já embarcada, começa um entra e sai do gate, inusitado. O agente da United começa a querer explicar, a dizer que sairíamos um pouco atrasados, e o tempo foi passando, tripulação desembarcada, piloto, co-piloto, comissários de bordo, todo mundo saindo e se espalhando pela sala... Ai um dos comissários, talvez o único brasileiro do grupo, veio explicar, em bom português, já que a maioria dos passageiros era composta por brasileiros, e para que não houvessem dúvidas, que havia um probleminha numa das válvulas da turbina esquerda do avião e que por isso, o voo atrasaria um pouco mais, por isso e para que os mecânicos fizessem um teste, etc e tal. Vocês precisavam ver as reações... Os mais acostumados a viajar, sabendo que essas coisas acontecem mesmo, apenas sairam para um café, um lanche rápido ali mesmo. Os menos acostumados ou os que, mesmo acostumados, não gostam de voar, começaram a expressar seu medo em comentários até meio sem sentido. Muito interessante obsersar as pessoas e suas diferentes reações diante de um mesmo fato...
Resultado? duas horas depois fomos transferidos para o gate ao lado, já que embarcaríamos em outro avião (o "nosso" foi para reparos).  Sem problemas, melhor assim, tomara que este esteja ok, contanto que não caia - eram expressões ouvidas em volta de mim. Problema resolvido? Sim, mas a "aeronave" como costumam dizer os membros da tripulação, acabara de chegar de Los Angeles e era preciso reabastecer, fazer a higienização e limpeza, transferir as bagagens dos passageiros, essas coisinhas corriqueiras que consomem um "tempinho razoável", o que nos levou a mais uma hora de atraso, mas depois, foi tudo muito bem, viagem tranquila, e um imenso cansaço ao desembarcar em Sampa, passando já da uma hora da tarde, com quase quatro horas além do que era para ser. Cumpridas as etapas de praxe, como retirada da bagagen, passagem pela alfândega, lá estava eu, toda feliz, sendo abraçada por meu filho no portão de desembarque. Caminho de casa, a tarde já indo pela metade, parada num restaurante aqui mesmo da Vila Madalena para o almoço. antes de chegar ao ninho, o que só aconteceu lá pelas três da tarde. 
Meus amigos, eu tinha saído da casa de minha filha as dez da manhã do dia anterior, já que ela precisava ir a uma reunião de trabalho antes de me levar para o aeroporto de Boston, de onde parti. Espera em Boston, voo para Washington, espera em Washington, atraso, stress, cansaço demais. Fiquei, como costumam dizer por aí, "derrubadaça"... rs... Comecei a desfazer as malas, mas qual o que o que, ficaram para hoje. Os netos chegaram para jantar com avó, aí ficou bom!... Depois do jantar eles subiram para ver TV ou brincar com a guitarra e euzinha, que já não sou mais uma menina faz muiiiiiiiito tempo, vencida, quase estafada, resolvi ter um "siricotico" o que levou meu filho a me mandar para a cama, não sem antes me medicar e, claro, me admoestando com um famoso "é stress demais minha mãe. a senhora precisa entender que não tem mais vinte anos, que precisa, de vez em quando, por o pé no freio..." Ficou ali comigo até que tudo voltasse a estar bem, até que meu coraçãozinho rebelde voltasse ao ritmo normal e que eu dormisse. Acordei com ele no quarto agora de manhã segurando meu pulso (Tão bom ser mimada... rs..)  e dizendo que precisava ver uns pacientes no hospital, que as "crianças" estavam dormindo, que eu não me preocupasse com nada que logo mais estaria de volta e reafirmando que tudo estava bem comigo... 
Ufa!!! que Odisséia!... Mas faz parte da vida, acontece muito "quando se é tão jovem quanto eu" (hehehehe)...
O fato é que estou de volta ao ninho, no meu aconchego, entre meus amores de cá - os netos ainda dormem no quarto que lhes pertence nesta casa e que ocupam nos finais de semana que passam com o pai, e que tudo está no seu lugar, exatamente como diz a música, graças a Deus!...
Estou de volta pro meu aconchego, de volta ao ninho, de volta ao Prosa, ao agradável convívio com nossos amigos e leitores... BOM DEMAIS!...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Na sala de embarque...

Ja escrevi postagens em vários lugares diferentes, em hemisférios diferentes, em cidades idem, idem, mas esta é a primeira vez que o faço na sala de embarque de um aeroporto internacional. Pois é, estou em Washington, a cidade mais poderosa do mundo, aguardando hora do meu voo para o Brasil. Gosto de ficar olhando as pessoas que passam pelo corredor entre os gates e ficar imaginando o que fazem, para onde vão, de onde vêm. agora mesmo passa um linda mulher, toda elegante, botas de saltos altos, um casaco de dar inveja, agarrada ao celular, numa conversa que parece looooooooonga... E fico pensando como será que as pessoas conseguiram viver até agora sem esse aparelhinho incherido, que vive incomodando uns e causando a delícia de outros. É!!! Porque a grande maioria das pessoas que passam trazem um celular colado ao ouvido e vão rindo, falando, rindo, falando... Quando não ficam falando alto, ao seu lado, impedindo você de ouvir até seus pensamentos... 
Aqui ao lado, três gaúchos - sotaque inconfundível - discutindo as razões de chegar cedo ao embarque, o porque das revistas nas malas, coisas assim de quem fala sobre tudo e sobre todos em qualquer lugar e às vezes não diz coisa nenhuma... Do lado de lá da sala, uma angustiada mãe tenta conter o choro de um filho inquieto, que talvez nada mais queira do que seu berço quentinho para tirar sua sonequinha. E no balcão do Starbucks, bem em frente, os funcionários conversam alegremente aproveitando a folga do momento, já que tem pouca gente ainda por aqui...
Vejam como uma sala que começa a se encher de gente pode ser um tédio ou uma diversão, dependendo do seu estado de espírito... rs... 
Bom, fico por aqui, queridos amigos e leitores, vou até o balcão ai em frente comprar um café e aguardar meu tempo para viagem. Amanhã volto, diretamente de Sampa.

De volta ao ninho...

Do sossego de Winchester...

Última noite desta temporada por aqui, a casa já em silêncio, o mesmo silêncio que envolve esta linda cidade adormecida... No quarto que me abriga quando aqui estou, as malas prontas, só faltando serem fechadas, a um canto, e um ar de saudade antecipada no ar. Foram mais de quatro meses, mas passaram tão depressa... E nem posso me queixar, já que tivemos até mesmo um pedacinho antecipado do inverno, com neve cobrindo tudo. quando só deveria haver sol sobre as cores do outono.  Portanto, amanhã, pelas asas da United, lá vou eu de novo.

... Para o burburinho de São Paulo.

Volto a estar com vocês, queridos amigos e leitores do Prosa, no sábado, já no aconchego do meu cantinho. Até lá e tenham um ótimo final de semana.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O amor na maturidade...


Canção da Plenitude

Não tenho mais os olhos de menina, nem corpo adolescente, e a pele translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruíns. (Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia).

O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria, busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada.
Posso da-ter muito mais que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor, a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais, a dar-te regaço de amante e colo de amiga e sobretudo força que vem do aprendizado. 
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável cujas mares - mesmo se fogem - retornam, cujas correntes ocultas não levam destroços, mas o sonho interminável das sereias.

(Lya Luft)