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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Tempo de saudade...



O dia de Finados se aproxima e a saudade vai se fazendo presente em nossa alma. Tantas partidas, tantas ausências, tantas lembranças... Em seu blog, Bira Jr., meu filho mais velho, deixou uma linda e tocante homenagem ao pai, cujo link deixo aqui para que os leitores e amigos do Prosa possam, caso queiram, ler também, fazendo dessa maneira, minha homenagem à minha eterna saudade.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Está tão difícil...


Por várias vezes, ontem, abri e fechei a caixa de postagens do Prosa sem nada escrever. Escrever  o que? Nem tenho nada a dizer... Quer dizer... Ter eu tenho, mas o tempo é de paz e o Espírito do Natal aconselha a calar, pelo menos à moderação... Mas muitas vezes, no silêncio do noite, eu me sento em minha poltrona favorita, fecho meus olhos e abro meu coração numa conversa  com Ele. O que a humanidade faz de si mesma, Senhor? Porque toda essa miséria humana, porque toda essa iniquidade, porque toda essa maldade, esse desrespeito para com os outros e até para consigo mesmo? Como chegamos a isso? Ou devo aceitar como verdade o que muitos dizem quando afirmam que o ser humano é mau, é cruel por nascimento e, salvo raras exceções, só se contém por medo das consequências, ou de Deus e de Sua incontestável justiça? E como a sociedade anda meio desleixada de suas funções e de seus deveres, e como a crença Nele anda meio esquecida, ou posta num segundo plano, vamos afundando neste mar de irracionalidades e de lágrimas amargas onde pais choram a perda de seus filhos, onde filhos ficam sem seus pais para guiá-los pelos caminhos da vida, onde o vício e a ganância, onde a impunidade e a prepotência vão dando as cartas, vão abrindo vielas de desespero no coração dos homens que ainda creem na humanidade, apesar de tudo... 

E os leitores do Prosa devem estar perguntando " a que veio esta conversa toda, tão negativa, em plena época natalina, quando o tempo deve ser de amor e de paz?"... Pois veio de um olhar mais atento ao cotidiano, às manchetes dos jornais, ao se estar mais conectada com o que acontece em torno de nós... Veio de todas a lágrimas que marcaram o rosto de tanta gente atingida pelo sofrimento da perda de seus entes mais queridos, veio da perda mesma de tantas vidas inocentes podadas pela insanidade, pela raiva, pela irracionalidade... Veio da opressão que causa em mim esta forma de viver e de encarar a vida que parece ter-se, definitivamente, instalado entre os homens...  

Pois é... Talvez fosse melhor que o Prosa continuasse em ressesso por mais uns dias... 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Num dia de muita saudade....

Um retrato em branco e preto.

Minha alma viaja hoje no tempo e me conduz até a porta de entrada daquela igreja onde paro para ver entrar...


 "uma linda noiva em seu vestido de cetim rebordado em fios de seda, justo, emoldurando o corpo esbelto, carregando nas mãos um bouquet formado por lindos botões de rosa, um pequeno casquetinho a enfeitar-lhe os negros cabelos, ocultos, em parte, por um véu muito branco... Entra na igreja pelo braço de seu padrinho de casamento, olhos tímidos, cheios de amor e de esperança, colocados sobre a figura alta e morena do homem que a espera no altar. Caminho ao seu lado, passo a passo, sinto o estremecimento ao toque da mão dele ao amparar a dela, o som da marcha nupcial ecoando pela nave, toda a emoção de um momento que define o início de uma nova fase de sua vida, a formação de uma família linda, a vinda de filhos maravilhosos, de netos muito amados..."

E estou hoje tão emocionada como o estava há cinquenta e quatro anos, minha doce saudade... Foram quarenta e quatro anos ao seu lado... São dez anos sem você. E só a lembrança do que fomos me permite ser o que sou, continuar aparentemente inteira em meu solitário caminhar...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Fora de prumo...


Está ficando, a cada dia, mais difícil!... Parte bem grande da humanidade está sendo composta por criaturas anti-éticas, amorais, insensíveis, tresloucadas, que parecem terem vindo ao mundo para estraçalhar sentimentos, roubar, enganar, trair, matar impiedosamente e sem causa alguma. Abra seu jornal matinal, ligue sua TV e me diga se não tenho razão. 
O que leva um jovem aparentemente diferenciado, inteligente, tido como um dos mais brilhantes alunos de sua turma vestir-se de terror e invadir um cinema atirando contra tudo e contra todos? O que impele uma mulher a esquartejar seu marido, o pai de seu filho, sem sequer pensar nessa pobre criança que vai carregar na alma, para todo o sempre, a tragédia de sua criação? O que leva jovens aos vícios e aos atos selvagens pelas ruas da cidade? O que provoca tanto desamor, meu Deus? 
Hoje acordei assim, chorando com pena deste nosso mundo que anda virado de pernas para o ar, cabeça mergulhada no ódio, na inveja, na ganância, completamente perdido nas voltas que anda dando num universo em caos. 
Uma das causas de o Prosa andar assim "macambúzio" é o clima de dor, tragédia e sofrimento que anda invadindo os ares, cobrindo de sombras a esperança em dias melhores. Será que ainda temos salvação? Como viverão os netos de meus netos? Quem viver, verá!...

PS: Esta é a primeira vez, em quase quatro anos, que o Prosa se ocupa de assunto tão doloroso, mas não dá para fingir indiferença, esconder a cabeça na areia desse deserto insano, como se o que acontece não nos dissesse respeito, como se nos sentíssemos indiferentes diante dos passos incertos por onde caminha hoje a humanidade... Peço aos nossos amigos e leitores que me desculpem por este desabafo... Prosa amena e poesia voltarão em nossas próximas postagens...

sexta-feira, 16 de março de 2012

E por falar em Tempo...

No tempo, o desabrochar da rosa,  a quietude da alma...

O Tempo!... Ah, o tempo! Essa "entidade" implacável que nunca se detém ou se curva diante da vida, mestre da própria vida, senhor de todas as verdades.. Enquanto traz consigo esperança, sonhos, esquecimento, conforto que acalma a alma, paz que adormece um coração ferido, carrega em seu rastro  desesperanças, angústias, decepções,  mágoas, rancores infindáveis que atormentam a alma. E, a par e passo,  vai tudo amainando na medida em que vai passando, lentamente...
Sentada aqui, no alto das tantas décadas em que fui sendo carregada pelo tempo ou, como preferem alguns, em que o tempo foi passando por mim,  vislumbrando ainda a possibilidade de, talvez,  dar ao tempo um pouco mais de tempo antes da grande partida, e numa filosofia vã e inútil, perco-me entre as lembranças que o Sr. Tempo resolveu guardar em mim, 
O Tempo? Ora o  Tempo!...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O amor na maturidade...


Canção da Plenitude

Não tenho mais os olhos de menina, nem corpo adolescente, e a pele translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruíns. (Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia).

O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria, busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada.
Posso da-ter muito mais que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor, a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais, a dar-te regaço de amante e colo de amiga e sobretudo força que vem do aprendizado. 
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável cujas mares - mesmo se fogem - retornam, cujas correntes ocultas não levam destroços, mas o sonho interminável das sereias.

(Lya Luft)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Um abraço para Pitanga Doce e para Paloma...


Há momentos na vida em que ficamos sem palavras, diante da impotência que alguns acontecimentos  nos impõem. Há momentos em que gostaríamos de estar ao lado de alguém que sofre uma perda, para que ela se sinta menos só. Hoje estou me sentindo assim, por duas amigas muito queridas aqui da blogosfera que acabam de perder seu pai muito amado. Pitanga Doce e Paloma choram hoje a partida do Sr. Reis, "um português",  como Pitanga o chamou em sua postagem, com muito carinho e admiração. 

Às nossas queridas amigas só podemos dizer que oramos para que Deus o tenha em Suas mãos e para que Ele  derrame Suas bençãos sobre elas e sobre sua família, dando-lhes força e conforto neste momento tão difícil. 

Para Pitanga Doce e Paloma, meus mais sinceros sentimentos. 

Para os leitores e amigos do Prosa, um pedido: Envolvam estas duas irmãs em (ainda mais) amizade e carinho para que este momento possa ser um pouco menos duro para elas.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ao som de um tango...


A segunda-feira amanheceu linda, iluminada pelo sol do outono que vai frio, lembrando que em um mês estaremos no inverno. O tempo passa tão depressa!... E, pensando assim, abri meu computador direto no programa de "media player", tentando alegrar esta manhã que cheirava a saudade.  Num clique, uma voz clara encheu a sala, num tango... sim, um tango, daqueles que costumava ouvir em minha meninice, quando minha irmã e minha prima, nas noites de suas juventudes, costumavam cantar e dançar na sala lá do casarão. Arrastavam a mesa para um canto para que se fizesse espaço suficiente para os passos que iam dando, para as voltas e reviravoltas ao som de Gardel, Marianito Mores e tantos outros ícones daqueles anos. Jovens sonhadoras que eram, cumprindo o que lhes era cabido naquela época, sem poderem frequentar bailes ou clubes, só podiam mesmo fazer o que tanto gostavam - dançar- ali naquela sala, e faziam-no cheias de alegria e graça. tão felizes...
Fechei os olhos e me deixei levar pela saudade... Revi minha irmã tão linda, sorriso aberto, cabelos negros encaracolados a emoldurar-lhe o lindo rosto, um quê de malicia no olhar brejeiro... Aquela destemida adolescente que carregava tantos sonhos... Mas, numa das armadilhas da vida, viu-se presa a um casamento desastroso ainda muito, muito, jovem e lá se foram seus sonhos por água a baixo... Era tão bonita, tão cheia de vida, de uma vida que foi tão curta... 
O tango segue tocando, meu coração fica apertado de saudade... Sinto sua presença, ouço dentro de mim sua voz dizendo: "Ah, minha irmazinha, a vida é mesmo assim... De que adianta chorar, esmorecer? É preciso seguir em frente, nunca se esqueça disso... E viver cada momento com amor, com alegria, com esperança... Lembre-se que o sol sempre volta a brilhar, por pior que seja a tempestade." 
Você estava certíssima, minha irmã. E tenho tentado seguir sempre seu conselho, viu? E sabe que tem dado certo?...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Uma pausa por uma amiga...


O Prosa, hoje, abre espaço para um adeus. E eu me recolho à minha tristeza, à minha saudade...

O dia está lindo, de um azul intenso, o sol esparrama-se por sobre a cidade, e a vida parece correr em sua rotina. Mas, como disse Fernando Pessoa, "Ao diabo o bem estar que sentia / Desde ontem a cidade mudou". Mudou, ficou mais vazia, porque uma de minhas mais queridas amigas partiu, foi morar lá em sua nuvenzinha cor-de-rosa, deixando em todos nós que a amávamos, uma saudade imensa. Deixando atrás de si um rastro de luz, a falta de seu sorriso, de sua presença nos momentos mais difíceis, a sua palavra...
Ficamos aqui um pouco mais pobres, um pouco mais tristes, um pouco mais solitários. Fica aqui a minha gratidão por ela ter feito parte de minha vida, pelo muito que com ela aprendi.

Paz para seu espírito, Egloge, amiga de sempre.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Deixa-nos hoje um dos Escritores de Meu Coração


O mundo hoje ficou menor, com menos brilho e mais triste.
Pelo menos para mim, hoje é um dia triste. Leio, consternada, a notícia da morte de Saramago.
Poderia escrever páginas sobre ele, seus conceitos, sua obra, sua vida, mas... Não. Não o farei. Apenas vou curvar-me ante a verdade da morte e recolher-me nesta tristeza que sempre me envolve ao partir de uma pessoa que foi importante para meu entendimento da vida.
A José Saramago, minha mais sentida homenagem e meu muito obrigada pelos momentos que me ofertou através de seus livros, de sua vasta e magnífica obra.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dia de Camões, Dia de Portugal, Dia da Raça...

(Esta linda imagem foi tomada emprestada ao blog Pitanga Doce. Obrigada, Mila)

Minha querida amiga Mila, do encantador blog "Pitanga Doce" alerta-me para a data de hoje, 10 de junho: Dia Camões, Dia de Portugal e das Comunidades. E tem lá em seu espaço uma homenagem à data (vão lá ler, está linda), que termina dizendo do orgulho de ser portuguesa, ainda que por opção. Orgulho que carrego também dentro de mim, não só por opção ou por ser filha de portugueses, mas também, e principalmente, por ter, por inteiro, alma portuguesa.

Deixo aqui meu abraço aos meus queridos amigos d'aquem e d'além-mar que sintam vibrar em si um doce amor pelas terras portuguesas e por sua gente.

sábado, 5 de junho de 2010

Em sábado de chuva fina...


O dia amanheceu frio, chuvoso, meio triste. Um sábado para se ficar em casa, um bom livro, um filme, um momento de paz... Ainda mais que a cidade anda tranquila, vazia, porque em pleno feriadão. Olho pela janela e a beleza da chuva fina caindo sobre os telhados e os jardins das casas do outro lado da rua me encanta, enche minha alma de melancolia e a voz da Bethânia toca lá no fundo, despertando um romantismo incurável, um romantismo que tento manter sob controle nesta altura da vida mas que, mais forte que eu, às vezes quase me sufoca. Fecho meus olhos e viajo pelo tempo, pelo espaço, ares e mares, tudo se confundindo dentro de mim...
E este raio de sol teimoso e fugaz que resolve romper as nuvens cinzentas e chega até mim como um abraço, tentando aquecer-me a alma?... E como por encanto a chuva vai parando, o dia parece ficar mais claro, mas só parece, exatamente como minha alma que só parece andar em paz... só parece...
Volto as costas para um sol que não consegue aquecer, sento-me em minha poltrona preferida, abro um livro de Cacília e, coincidência?, o poema que leio é...

Quem tivesse um amor

Quem tivesse um amor, nesta noite de lua,
para pensar um belo pensamento
e pousá-lo no vento!
Quem tivesse um amor - longe, certo e impossível -
para se ver chorando, e gostar de chorar,
e adormecer de lágrimas e luar!
Quem tivesse um amor, e, entre o mar e as estrelas,
partisse por nuvens, dormentes e acordado,
levitando apenas, pelo amor levado...
Quem tivesse um amor, sem dúvida nem mácula,
sem antes nem depois: verdade e alegoria...
Ah! quem tivesse... (Mas, quem teve? quem teria?)

(Cecilia Meireles)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

De volta pro meu aconchego...

Cidade de Tiradentes, MG)

De volta ao ninho, ao meu cantinho, aos meus livros... De volta a Sampa.
Tarde meio fria, meio nublada, diferente do dia ensolarado e tépido que deixei lá por Campinas, mas estar em casa é bom demais. Passei dias maravilhosos entre meus amores de lá, sinto-me tão acarinhada quando estou com eles, mas voltar para casa sempre me deixa muito feliz. Sou bicho caseiro, gosto do meu canto, do meu convívio comigo mesma nas madrugadas insones, nas tardes que poderiam ser vazias mas que preencho com minhas músicas favoritas, com a companhia de meus escritores prediletos, dos poetas de meu coração, aconchegada na minha poltrona ou saboreando meu café no terraço, enquanto os beija-flores vêm beber o nectar especialmente preparado para eles, ouvindo ao longe o canto dos bem-te-vis, enfim, na minha rotina.

E para não dizer que hoje não lhes falei de poesia, deixo aqui uns deliciosos versos de Drummond... Vejam como tudo é relativo; enquanto para uns seria uma vida tranquila, para outros é nada mais, nada menos, do que uma pasmaceira sem fim...

CIDADEZINHA QUALQUER

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus.

(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 23 de maio de 2010

Lua, estrelas, sonho, pensamento...


O domingo amanheceu azul, todo primavera em pleno outono. O dia foi de familia, muito agradável e a noite chegou iluminada por um luar de tocar o coração, apesar de não ser lua cheia. As estrelas brilham e abrem-se a confidêndias para quem as queria fazer. Aqui, da janela do quarto que me abriga, tento contar-lhes meus anseios, sob o olhar complacente de Dona Lua que parece rir de mim. A alma encabulada pede-me que feche a janela e que me recolha, diz-me que alguns sonhos são tão desvairados que devem ficar trancados lá dentro do coração... Reconheço-lhe a verdade, tento explicar-lhe que sempre me abro em sonhos assim quando Dona Lua derrama sua magia sobre mim, mas não adianta. Alma é bicho teimoso e quando diz uma coisa, não volta atrás. Assim, melhor que apague a luz e mergulhe nos lençóis que certamente se umedecerão com alguma lágrima que tentará ocultar-se entre eles... E enquanto o sono não chega, fico com um pensamento...



"Lembrar é fácil para quem tem memória. Esquecer é difícil para quem tem coração."

(William Shakespeare)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O sonho de Letícia...

(Letícia, mãe, avó, bisavó... Ou, simplesmente, uma sonhadora mulher)

O domingo amanheceu radioso, ensolarado, o frio parecia ter ido embora, exatamente o ideal para uma festa de aniversário ao ar livre como a que estava me dirigindo ontem pela manhã. Era a comemoração do décimo-quarto aniversário de um querido sobrinho-neto, Luan - o neto mais velho do Walter, meu amado irmão, uma de minhas saudades...
Familia ligada a terra, com raízes sertanejas, morando ainda em uma chácara nas cercanias de Campinas, hospitaleiros como sabe bem ser a gente do interior, recebiam com um delicioso churrasco e muita alegria a quem chegasse. Para mim é sempre uma emoção voltar a casa que foi de meu irmão, casa onde cresceram meus sobrinhos, casa que nos abrigava (e abriga ainda) sempre com muito carinho. E sentada ali, ao lado da piscina, por mais de uma vez tive que segurar minhas lágrimas quando a lembrança de meu irmão vinha me envolver. Sempre que lá estou parece que o sinto por perto e ontem não poderia ser diferente.
Meu sobrinho havia contratado um dupla sertaneja para alegrar a festa. Repertório variado, ia desfilando sucessos do nosso "country", desde a música sertaneja de raiz até o chamado sertanejo universitário. Vozes bem casadas, afinadas, um show típico, complementando a alegria de todos...
Ao meu lado, Letícia, prima distante e sogra de meu irmão, uma pessoa sofrida, com problemas graves de saúde, fragilizada pela vida, mas sempre doce, cercada pelo carinho dos filhos, netos e bisnetos, esquecia as dores e o desconforto de quem se submete a hemodialises e parecia fascinada com a música, olhos brilhando, lágrimas escorrendo pelo rosto. Achando que talvez ela estivesse com dores, perguntei se poderia fazer alguma coisa para ajudar, mas ela virou-se para mim com um doce sorriso entre as lágrimas e disse" Estou emocionada, muito emocionada!... Nunca fui a um show... Sempre sonhei em ir e veja só, agora estou em um aqui na minha casa!... Nunca tinha visto um show antes. Estou tão feliz, tão emocionada..."
Vocês nem imaginam como me emocionei também, pois ver uma pessoa realizar um sonho sempre me emociona, apascenta minha alma. E era um sonho tão simples o que ela guardou escondido dentro de si por tantas décadas, um sonho que seria tão fácil de ser realizado se ela o tivesse contado aos filhos... Foi o seu momento mágico... E o que poderia ser apenas música para alegrar uma festa acabou sendo uma imensa alegria no coração de uma mulher... As vezes, pequenas coisas fazer a maior diferença...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Mais um blog em recesso... Que pena!


Ah, meus amigos, algumas coisas me deixam triste, como por exemplo a quantidade de amigos daqui da blogosfera que estão resolvendo fazer uma pausa em seus blogs, segundo eles, temporariamente. Amigos que costumo ler diariamente e que vão deixando uma lacuna a cada afastamento. Alguns se dizem decepcionados, outros alegam mudança nos rumos de suas vidas, mas, de qualquer forma, eles se vão e espero que retornem o mais breve possivel.
Uma das coisas negativas desta nossa querida internet é exatamente isso. Amizades que começam e terminam num piscar de olhos, pessoas que passam a fazer parte de nossa vida diária, que nos aquecem com seu carinho, com sua sensibilidade, com sua lucidez, amigos que trocam idéias através de e-mails ou de qualquer site de relacionamento, de repente, somem, ou simplesmente passam a uma indiferença que faz dó. Tão efêmeras amizades!...
Claro que nem sempre é assim. Cultivo algumas amigas de há muito tempo, amigas conhecidas através da internet e que passaram a ser reais e fieis amigas, como a Mara, lá de Michigan, que conheci faz quase uma década, numa sala de bate-papo (no tempo em que essas salas eram mesmo para bate-papo). Por ocasião do falecimento de meu marido, há mais de sete anos, e numa das minhas viagens aos Estados Unidos para estar com minha filha e com meus netos, fui até East Lansing para conhecê-la pessoalmente, onde fui recebida por ela e pelo Jim, seu marido, com extrema gentileza, fui acolhida como pessoa da família e, no momento difícil que enfrentava então, fez uma enorme diferença. São pessoas maravilhosas, acolhedoras, amigas, mesmo. Uma amizade feita através da internet mas que se consolidou, para minha alegria. E poderia ainda citar algumas outras pessoas que se tornaram amigas, como a Ruth, a Delza, a Dulce Scalla, por exemplo, todas elas muito queridas.
Mas a que vem tudo isso? Ao fato de ter lido hoje uma mensagem de despedida da Graça Lacerda, do lindo blog "Os Botões de Madrepérola" que entra em recesso... Uma pena!... Mas ela promete voltar. Ainda bem, e espero que seja breve.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Não tem jeito!... Mãe é chorona, mesmo...

O lindo sorriso de "minha menina"

A tarde vai se pondo sob um céu azul, com algumas nuvens douradas lá no horizonte e eu fico aqui, hoje, coração cheio de lembranças... Estava até bem poucos minutos conversando com minha filha através do Skype. Eu aqui no meu pequeno escritório e ela na sala de embarque do Aeroporto de Boston, enquanto aguardava a hora de seu voo para Paris e, após uma conexão, Tunísia!... Vai para um congresso de Astronomia/Astrofisica. Tão bonita, auto-suficiente, mulher forte, corajosa, vai vencendo seus medos e seus obstáculos, um a um. Quando de seu divórcio, há um ano, confesso que temi por ela. Mesmo conhecendo sua força, temi. Não foi fácil, mas passou, ela retomou sua vida, impulsionou sua carreira, em outra instituição, está feliz e os meninos estão muito bem.
Depois que desligamos o Skype, fiquei aqui, na sala que começa a ficar em penumbra, recordando os passos de minha menina, seus projetos, seus sonhos, sua trajetória. E, como toda e qualquer mãe, acabei derramando algumas lágrimas de emoção, de alegria, de saudade, já que minha filhotinha mora tão longe e só podemos estar juntas por dois ou três meses ao ano, quando vou para estar com ela e os kids. Mas, como toda e qualquer mãe, sinto-a feliz e fico feliz também, recompensada pela vida.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Quantos labirintos tem meu coração?...


O som que preenche este cantinho, inunda minha alma:


“Quantos labirintos tem meu coração

Pra eu me perder

E te encontrar?...

Quantas avenidas tem o seu olhar,

Pra eu te seguir

e me guiar?

Meu coração me leva

perto demais do seu...”


Não é lindo? Perco-me nos versos dessa canção, na doce voz da Elba e vou me embrenhando pelos labirintos da alma, mergulhando nos sonhos, criando uma realidade irreal, dando asas à imaginação, caminhos ao coração...

Ah, a magia que a música desperta em mim!... Tivesse eu cem anos e a música faria de mim uma menina, no despertar da vida, nos primeiros passos do sonho...


Fecho meus olhos e sigo cantarolando, acompanhando a canção, pelos labirintos do sonho...

, , ,

"Seu coração nem sabe porque

O meu amor, é tão igual ao seu..."


quinta-feira, 15 de abril de 2010

O que tenho para oferecer-te?


Canção na plenitude

Não tenho mais os olhos de menina nem corpo adolescente, e a pele translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins. (Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos. A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria, busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada. Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor, a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais, a dar-te regaço de amante e colo de amiga, e sobretudo força — que vem do aprendizado. Isso posso te dar: um mar antigo e confiável cujas marés — mesmo se fogem — retornam, cujas correntes ocultas não levam destroços mas o sonho interminável das sereias.

(Lya Luft)

domingo, 11 de abril de 2010

Hoje a alma acordou menina...


Neste domingo frio e ensolarado, a alma acorda menina...
Pois não é que esta quase vetusta senhora daqui deste lado da telinha. agorinha mesmo, em seu sonho, pulava amarelinha? Ah, os sonhos!... A que nos levam! Pois nesta manhã levaram-me às ruas de minha infância, trouxeram-me de volta as queridas amigas, as alegrias das tardes despreocupadas de tantas décadas atrás.
Eu era eu, assim como o sou hoje, mas misturava-me as meninas de outrora, era uma delas, tinha a leveza de meus dez anos e pulávamos amarelinha: Um... dois... pulava o três... chegava ao céu e voltava, equilibrada em uma perna só... e ríamos tanto, entre arrelias e muxoxos...
Lembrando Casimiro de Abreu, pego-me declamando:

"Oh. dias de minha infância,
Oh, meu céu de primavera.
Que doce a vida não era
Nessas risonhas manhãs..."

E assim, a alma acorda leve e menina... Uma menina travêssa que se nega a acreditar que o tempo tenha passado tão depressa, que tenham sido já tão longos os caminhos percorridos... Como pode ser isso? Bom, não dizem que a alma não envelhece? Pois então! Ela acreditou...