
Na medida em que vamos caminhando pelo tempo, em que vamos atravessando fases, envelhecendo, deixando para trás o vigor e a força dos verdes anos, nossas capacidades físicas e mentais vão diminuindo, tão gradativamente que nem nos damos conta do que vai ocorrendo, e um dia esquecemos isto, no outro dia, aquilo, e vamo-nos adaptando as novas situações que a vida nos impõe.
Tantas décadas percorrendo meus caminhos, ora suaves, ternos, felizes, ora pedregosos, difíceis, tristes, foram marcando meu corpo, minha mente, e começam, como é muito natural a interferir em meus dias...
Porque estou falando isso, coisa tão desagradável de se constatar quanto de se viver? Primeiro, porque não dá para ignorar, ora!... Depois, porque temos que aprender a enfrentar o que nos vem pela vida, sem perder a alegria de viver, sem deixar passar um momento que possa ser feliz. E porque foi por um lapso de memória que deixei passar em branco o aniversário de uma pessoa querida, um primo que me chama “predileta”, que sempre é presença através de e-mails ou telefonemas em qualquer que seja o momento, bom ou ruím, de minha vida. Primo por afinidade, porque na verdade é primo do meu marido, Affonso vive em Belo Horizonte, ao lado de sua querida Laís, filhos, netos, numa doce, confortável e ativa aposentadoria, quase um patriarca, apoio e carinho de irmãos e sobrinhos.
Quando, hoje me dei conta da falta que cometera, apressei-me a enviar-lhe um pedido de desculpas, transmitindo votos meus e da Angélica, enfim, tentando justificar essa ausência em momento tão importante. E como não poderia deixar de ser, sempre cavalheiro, Affonso respondeu gentilmente, acrescentando, ainda, a frase de Paulo Autran. pessoa que foi luz, que deixou um rastro de luz pelos caminhos e palcos da vida, um pensamento lindo, verdadeiro, que gostaria de repassar para vocês, porque tocou a minha alma...
(Affonso Bracarense Costa, o Primo Affonso, é amigo e leitor assíduo do Prosa, o que me deixa toda prosa)




