Há dias em que a alma enrodilha-se lá dentro de nós, fecha-se para o sol que brilha lá fora depois de tanta chuva, encolhe-se para não ver a luz que entra pela janela enchendo a sala de cores quando bate nos cristais que estão sobre a mesinha de centro...
Há dias, como o de hoje, em que essa alma inquieta e travessa vira-nos as costas, não quer mesmo conversa. Quer apenas e tão somente estar consigo mesma, mergulhada em suas saudades, em sua doce melancolia...
E aí, tentando mudar-lhe o ânimo, venho passear pela blogosfera, pensando que talvez, em uma visita ou outra aos amigos tão queridos ela vá se enternecendo e vá finalmente aflorando para o sábado que já vai alto, mas...
Num determinado espaço, ao chegar aos pés de uma doce pitangueira, somos recebidas por uma música que nos paralisa, a ambas, tal a carga de recordações e saudades que carrega em cada uma de suas notas e o inevitável acontece: entre ela e eu deságua um rio de lágrimas... Deixamos que corram, essas benfazejas lágrimas, que lavem nossos rostos, que nos lavem por inteiras, que levem consigo nossas saudades, nossos sonhos perdidos, nossos momentos não vividos, para depois então, olhando-nos frente a frente, sorrirmos, e num abraço fazermos as pazes e lado a lado retomarmos nosso doce caminho pela vida.
Às vezes é preciso verter algumas lágrimas para que cheguemos ao doce sorriso. Porque, afinal, se há saudade é porque houve o doce momento que a gerou e se houve esse doce momento, houve vida, ternura, encantamento, sentimentos que sempre acolhem a alma e iluminam o coração.