floquinhos

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sob a magia de um arco-íris...


O dia amanheceu azul, de um azul suave, outonal, como um convite a vida, ao amor, a alegria de estar presente, ainda, neste caminhar...  Azul anunciado ontem ao entardecer, pela presença de um arco-íris cortando o céu, diáfano, fugidio... Tão fugidio que durou menos do que o tempo que levei para ir ao quarto buscar minha câmera para nela tentar eternizar o momento... Mas duradouro a ponto de despertar em mim lembranças do olhar embasbacado de uma menininha que, correndo descalça pela rua, após uma chuvarada de verão, ergueu os olhos para o céu onde, naquele momento exato, surgia um arco-íris, cuja visão a fez estancar e ali ficar, parada, esquecida do resto do mundo, e de como cavalgou nas cores que a encantavam, em busca do pote de ouro dos sonhos ainda ingênuos, pueris...  E das lembranças de como ficou decepcionada, tempos mais tarde,  ao saber que o arco-íris, pura magia, nada tinha de mágico, já que não passava de pura refração da luz - porque esses cientistas tinham sempre que atrapalhar a imaginação da gente, trazendo-nos uma realidade tão sem graça? E como se não bastasse isso, ainda acabariam com seu bom amigo Papai Noel, com as fadas e os duendes, e só não tinham acabado com o Coelhinho de Páscoa também porque ele ainda não existia (pelo menos para as crianças daquele bairro pobre). Depois dessas descobertas, um arco-íris nunca mais foi igual, embora nunca tenha perdido sua magia, como a lua que, transformada em simples satélite da terra, ainda assim, continuou mágica, amiga, confidente... A alma romântica e sonhadora daquela menininha, afinal, era imutável e os sonhos continuariam vida a fora, como lastro para uma vida mais terna... 
Sim, porque a menina que ainda mora em mim, ainda sente vontade de ficar descalça após um temporal e correr pela rua pisando nas poças d'agua deixadas pela chuva, ainda sonha diante da lua escancarada nos céus em noites de verão, em madrugadas de outono, ainda percebe lágrimas nos olhos ao ver um lindo arco-íris anunciando que o sol sempre volta a brilhar... 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Segunda-feira enfarruscada...


Ai está uma segunda-feira com cara de segunda-feira... Enfarruscada, molhada, toda cinza, cheia de preguiça, uma vontadinha de ficar "al dolce fare niente", encolhidinha num sofá muito fofo, ouvindo músicas do coração, olhos fechados, sentindo cada nota musical entrando pelos ouvidos como se entrasse pelos poros, por todo o corpo, ir envolvendo a alma... 
Mas sendo segunda-feira, mesmo distante de casa, é preciso acordar e ir cumprindo compromissos, pagando contas, organizando a vida. Então, vamos lá... Uma sacudidela da cabeça aos pés, como fazem os cãezinhos de estimação quando saem de seus perfumados banhos, para espantar dona preguiça, e o dia começa a se tornar útil com a leitura dos jornais e dos blogs amigos, antes de qualquer outra tarefa.
Nos jornais a noticia da morte de Bin Laden - faz uma década que o mundo esperava essa notícia - e com ela o receio de novos atentados, em represália, deixa meu coração apertado, afinal minha filha e meus netos e muitos amigos vivem lá pelas terras de Tio Sam... Nossa presidente está com pneumonia... A indústria do cigarro usou redutor de apetite em suas fórmulas... Estudos voltam a propor separação de crianças por sexo... João Paulo II beatificado... Pelo menos, parece, o assunto "casamento real" foi esgotado. Notícias pouco alentadoras, não? O jeito é deixar o jornal de lado e ir acalentar a alma nos blogs amigos, ir passeando por eles, compartilhando pensamentos, idéias, momentos... Com a devida licença de seus leitores, o Prosa abre suas janelas para que eu possa ir espiando o que se passa pela blogosfera nesta enfarruscada segunda-feira, quando nossa muito querida amiga Isa, toda feliz, comemora o terceiro aniversário de seu "Momentos Meus". Vou até lá levar-lhe meu abraço, partindo em seguida para outros espaços... Pronto!. ..  Finalmente a segunda-feira começa a se iluminar!

domingo, 1 de maio de 2011

É dia dedicado as mães no além mar...


Dia cheio de atividades, aqui em casa de meu filho, por isso nem me dei conta da importância da data. É que Portugal celebra hoje seu "Dia da Mãe"... Filha de mãe portuguesa que sou, não posso deixar de me emocionar com a data e, ainda em tempo. quero prestar minha homenagem a minha mãe, com saudades, e venho cumprimentar todas as mães portuguesas, em especial as leitoras e amigas do Prosa d'além mar, sempre presentes com sua amizade e gentileza em cada um de meus dias. Um beijo, meu abraço para todas vocês e um... 

Feliz Dia da Mãe!

sábado, 30 de abril de 2011

O que o vento não consegue levar?


No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar: um estribilho antigo,
um carinho no momento preciso, o folhear de um livro de poemas, o cheiro que tinha um dia o próprio vento...


(Mario Quintana)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

No dia dedicado a educação...


Abro os jornais e vejo que hoje é o "Dia da Educação". Coincidência!... Ainda ontem a noite, folheando uma revista, mais precisamente a Veja, minha atenção foi chamada para uma campanha que, desde já, o Prosa passa a encampar, campanha esta voltada para a  valorização dos bons professores. Já está mais do que na hora, porque todos sabemos que não há ensino de qualidade sem um bom professor. O lema da campanha é:


"Educação de qualidade, só com professores de qualidade" 


- Alunos, respeitem
- Pais, participem
- Governo, apoie
- Todos, valorizem.


<< todospelaeducacao.org.br  >>

(Lembrando dos maravilhosos professores que, com seu conhecimento e sua dedicação, ajudaram a abrir meus caminhos, e em homenagem a eles)


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Nas voltas que o mundo dá...

(No lugar da antiga fazenda, o Residencial...)

A família de meu pai veio da Ilha da Madeira para a região de Campinas, no começo do século passado, para trabalhar nas fazendas de café, Meus avós traziam os filhos ainda pequenos, que cedo começaram a ajudar no trabalho - me pai contava que aos sete anos já ia com o pai e o irmão mais velho para a roça. Aqui cresceram, dentro de uma educação rígida e voltada para o trabalho, um trabalho duro, insano, de sol a sol, até resolverem mudar para São Paulo e tentar uma vida menos dura, com mais chance de crescimento profissional  para os filhos. 
E com que emoção meu pai, muitos anos depois, nas nossas noites ao redor da enorme mesa da sala de jantar, lá no velho casarão, contava-nos histórias desses tempos na fazenda, das agruras e das alegrias daqueles dias passados entre o árduo trabalho no campo e os momentos de descontração dos bailes de sábado, o ponto alto das diversões dos rapazes e moças do lugar. Gostava de contar como andavam distâncias muito longas para irem a esses bailes que sempre aconteciam em fazendas diferentes; dançavam a noite toda e nem sentiam cansaço... Era só alegria, essa alegria tão própria da juventude. Contava também que a fazenda que ele mais gostava era a do Chapadão, onde os bailes eram os mais animados...
O mundo vai lá dando suas voltas, o tempo vai passando e eis-me aqui, na antiga Fazenda Chapadão, hoje transformada em um bairro bonito, bem cuidado, onde meu filho mais velho (coincidência) mora com a familia, num residencial que leva o nome da própria fazenda...  E ontem, embevecida, enquanto ouvia meu neto tocando Beatles  ao violão e fazendo dueto com meu filho em lindas canções, só pensava em meu pai, em como ele adoraria estar aqui, neste lugar que lhe era tão caro, desfrutando de um momento de paz, de harmonia, de familia, exatamente como ele tanto gostava... Imaginava-o sorrindo, meneando a cabeça em assentimento, olhos brilhando a dizer: "sim senhor!... quem diria?... olha eu aqui, de novo, no Chapadão, vivendo um momento de alegria..." 
E na estranha sensação que me envolvia, cheguei mesmo a pensar que ele bem que poderia estar sentadinho na poltrona ao lado...

terça-feira, 26 de abril de 2011

Vou tentando entender...


"Tento entender a vida, o mundo e o mistério e para isso escrevo. Não conseguirei jamais entender, mas tentar me dá uma enorme alegria. Além disso, sou uma mulher simples, em busca cada vez mais de mais simplicidade. Amo a vida, os amigos, os filhos, a arte, minha casa, o amanhecer..."

(Lya Luft)