
Quando minha filha me convidou para irmos jantar no Sakura, um restaurante japonês muito lindinho no centro da cidade, confesso que titubeei... Afinal, os termômetros marcavam sete grauzinhos centígrados abaixo de zero, as seis horas da tarde, isto é, da noite, noite cerrada desde as quatro e meia... Mas, com ou sem medo do frio, aceitei o convite, agasalhei-me até os dentes, e la fomos nós. A noite límpida, ostentando uma lua em quarto crescente, iluminada, tornava o convite ainda mais irresistível. Ao descer do carro, no estacionamento do restaurante, esperando sair para um freezer, surpreendi-me com a sensação de um frio muito menor do que esperava. O ar estava gelado, mas não cortante, porque não ventava.
O restaurante estava vazio, não sei se pela hora, se pelo frio, mas a comida estava ótima, o atendimento também, assim ficamos as duas conversando e apreciando o momento e o movimento da rua, sentadas numa mesa junto a janela. Num determinado momento fomos surpreendidas pela passagem de vários corredores em direção a cidade, numa disputa que me pareceu estranha, devido a hora. Passavam em pequenos grupos, parecendo nem se importarem com o frio da noite, e nem eram acompanhados por policiais para sua segurança, como costuma acontecer. Corriam junto a calçada e muitos deles traziam luzinhas coloridas presas a roupa e aos gorros de lã, para serem visiveis aos carros. Um pequeno espetáculo inesperado.
Terminado o jantar, voltamos para o aconchego da casa, não sem antes dar uma passadinha no Starbucks para um café quentinho. E no caminho de volta, aquela lua crescente, lá em cima, iluminando minha alma, minha noite, meus pensamentos...