floquinhos

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mais uma estrela que se apaga...

Tony Curtis encantava os olhos das meninas sonhadoras dos anos dourados

Ele povoava os sonhos de todas as meninas da época. Com seus olhos azuis, seu sorriso cativante, seus cabelos montados em topete, não havia adolescente que não o namorasse de longe, que não tivesse entre seus cadernos uma foto dele, que não deixasse tudo para ir ao cinema suspirar quando sua imagem enchia a tela de encantamento. Na parede de meu quarto de menina sonhadora havia prendido uma foto linda, quase igual a esta que ilustra este post e adormecia admirando seus lindos olhos azuis, garota tola que eu era... E porque os padrões de beleza masculina mudaram, ele hoje talvez nem encantasse, mas nos anos dourados ele realmente causava um rebuliço...
O tempo correu, décadas se passaram, e muito raramente ouvia-se falar do galã de outrora. Hoje deparo com a noticia de sua morte e não consigo espantar a tristeza, um certo pesar, pois é mais um retalho de minhas lembranças que se apaga, que se extingue... Pouco a pouco, são tantas as partidas, são tantas as ausências próximas, distantes, reais ou irreais... Tantas...
Tony Curtis, ídolo de minha adolescência, volta hoje a ser notícia porque partiu deste mundo, aos 85 bem vividos anos. A adolescente que um dia fui, lamenta saber de sua partida. A mulher madura que hoje sou, agradece a ele pelos lindos sonhos que despertou naquela menininha tímida que um dia foi.

Tony Curtis, em foto recente.

Pelos caminhos de minha cidade...


Pois é, meus amigos, quando fico muito tempo longe de minha cidade, volto numa corujice só, com olhos de primeira vez, encantada com pequenas coisas, com paisagens cotidianas e até sem graça. Mas é o jeito de matar saudades desta incompreendida Sampa que, como toda cidade, detém tantos e tão controversos sentimentos sobre ela. Há os que a amam, há os que a odeiam, há os que a invejam. Só não há quem a ignore. Uns amam com razão e com motivo, outros amam porque aqui nasceram, porque aqui é seu ninho. E são bem variados também os motivos de quem a odeia. Uns igualmente com razão, pela vida triste e miserável que aqui levam, outros porque não conseguem entende-la, e outros ainda, sem nem mesmo conhecê-la, apenas por ouvirem dizer, apenas por uma questão de antipatia pessoal, ou até mesmo por "bairrismo", esse bichinho que rói-rói até sem motivo ou sem razão. Exatamente como acontece com todas as grandes cidades do Brasil, do mundo.
Mas, seja como for, cheguei com saudades e resolvi dar uma voltinha por ela e levar comigo os amigos que queiram me acompanhar nesse passeio. Vamos lá...


Cidade de mil faces, com bairros típicos como o da Liberdade, que abriga a colônia japonesa, com suas lojas, restaurantes, vida cultural. Aqui o Tori, portal de entrada para o bairro.

Uma das ruas de comércio do bairro, cuja iluminação é feita com lanternas típicas, o que dá um ar diferente, muito bonito ao lugar.


E agora, uma passadinha pela Vila Madalena, bairro cultural, com seus estúdios, ateliés de arte, lojas e restaurantes... Tem nome mais bonitinho para uma rua do que "Purpurina"? Fica logo ali, bem pertinho aqui de casa.

Agora vamos para a região da Paulista. Vocês pensavam que Bombril era só nome de esponja de aço com mil e uma utilidades? Nada disso. É também cinema de arte, alías um dos preferidos de minha neta.

E já que falamos em Avenida Paulista, vamos encerrar este pequeno giro por Sampa com as cores do entardecer na mais elegante das avenidas. Obrigada pela companhia e fica já o convite para outros passeios pelos meus caminhos, pelos caminhos de minha cidade.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

As fases da vida...


Há dias em que você acorda criança, a alma brincando de roda, pulando amarelinha, sob um céu lindo e azul de Primavera... Há dias em que você acorda adolescente, só doces lembranças, imagens, sorrisos e olhares acalentando a alma e despertando saudades imensas... Há dias em que você acorda simplesmente mulher, alma cheia de desejos, projetos, sonhos... Há dias em que você acorda madura, serena, confiante no que lhe resta para caminhar. Mas há também dias em que você acorda vazia, só querendo que haja um canto onde você possa se enrodilhar, fechar os olhos, chorar.
São as fases que todas nós, mulheres, vivemos dentro de nós. Como apregoou Cecília Meireles, em um de seus lindos e doces poemas, "temos fases, como a lua..." Tantas e tão distintas fases... De alegria, de confiança, de medo, de paixão, de indiferença, de tristeza. Tantas são as nossas fases! É como se abrigássemos várias e tão diferentes mulheres dentro de nós, quando, na verdade, é a junção de todas essas fases que fazem de nós mulheres mais ou menos interessantes, mais ou menos aguerridas, mais ou menos preparadas para os embates da vida.
E como parece ser inevitável que passemos por elas, suponho que tudo o que possamos fazer seja simplesmente aprender a viver cada uma delas e de cada uma delas tirar sempre um ensinamento, um proveito que nos permita um melhor caminhar pela vida.
Vamos recordar as fases da sensível Cecília?

Lua Adversa (Cecília Meireles)

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Lembrar... Esquecer...


"Lembrar é fácil para quem tem memória. Esquecer é difícil para quem tem coração."

(William Shakespeare)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Um não se perder...


"Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca."

(Clarice Lispector)

domingo, 26 de setembro de 2010

E porque chove lá fora...


O dia amanheceu todo em cinza e parece querer desfazer-se em água, água que cai em forma de chuva densa, cadenciada, que dá ao corpo uma certa letargia, uma preguiça infinita, uma vontade de se deixar ficar... Que põe na alma um sentimento de nostalgia, de desencanto, uma certa tristeza... E neste momento caem tão bem os versos de Cecília...

Inscrição na Areia


O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!

Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?

O meu amor não tem
importância nenhuma.

(Cecília Meireles)

sábado, 25 de setembro de 2010

Entre o poeta e o leitor...

Leitura (Arcangelo Lanelli - Desenho a carvão - 1945)

O SILÊNCIO

Convivência entre o poeta e o leitor, só no silêncio da leitura a sós. A sós, os dois. Isto é, livro e leitor. Este não quer saber de terceiros, não quer que interpretem, que cantem, que dancem um poema. O verdadeiro amador de poemas ama em silêncio...

(Mario Quintana)