floquinhos

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A tarde se põe com poesia...


RECORDO AINDA

Recordo ainda... e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...

Estrada afora após segui... Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai!...
Que envelheceu, um dia, de repente!...


(Mario Quintana)

A nova moradora da casa...

Ela já escolheu seu canto favorito na casa e fica sentada entre o peitoril da janela e o baú.

Faz tempo que minha filha pensa em ter um gato e, no domingo passado, comentando o fato com amigos dela que são veterinários, soube que no hospital veterinário onde o casal trabalha havia uma gatinha que fora entregue para adoção, um animal muito dócil e, segundo eles, o ideal para a casa. Então ontem, depois do trabalho, minha filha resolveu que iria ver a bichana e lá fomos nóa rumo a Bedford, no vizinho Estado de New Hempshire, mais de uma hora rodando pelas auto-estradas do tio Sam, para preencher os papeis de adocão para, só depos, irmos ao Hospital Veterinário da cidade de Nashua (vizinha) retirar a gatinha. Mas valeu a pena... Baby é muito linda! Negra como a noite, o que realça o verde límpido de seus olhos. Delicada, carinhosa, dengosa, como cabe a uma gata, encantou logo a primeira vista. E quando chegamos em casa, solta na sala, fez o reconhecimento do local que seria daí para frente seu lar, andou, voltou, cheirou, e, finalmente, subiu para o peitoril da janela da sala de visitas e lá se deixou ficar, olhando a rua.
E agora, já se sentindo em casa, anda de um lado para o outro na maior calma, mas prefere mesmo é estar perto da gente. Os meninos ainda não a viram porque esta noite dormiram na casa do pai e de lá foram para a escola de verão, mas quando chegarem, logo mais a tardinha, já vão encontrar a "garota" acostumada a casa e muito mais disposta para as brincadeiras.
Assim, esta casa tem uma nova moradora...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Entender a vida?...


"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

(Clarice Lispector)

Cinco minutinhos relativísticos?...

(the kids in the After School)

Desde sempre, minha filha e eu passamos tempos enormes em bate-papos, trocas de idéias, conversando sobre tudo e sobre nada. O fato é que, quando iniciamos nosso bate-papo, ele sempre vai longe, estejamos cada uma de nós em um hemisfério (via Skype) ou fisicamente juntas, seja em Winchester, seja em Sampa.
Ontem a noite estávamos ambas em meu quarto quando Alexander, chegando-se para a mãe perguntou se ela queria que ele lesse para ela os poemas de um livro que haviam comprado na tarde anterior. Apesar da pouca idade (nove anos incompletos), ele fé muito bem e quando se trata de poesia, já dá a entonação e a musicalidade as palavras que o poema expressa. Um gosto ouvi-lo. Mas estávamos no meio de uma conversa e minha filha, dizendo que sim, mas que não queria interromper nossa conversa assim, do nada, pediu-lhe que aguardasse por ela em seu quarto por uns cinco minutinhos.
Dez minutos depois o pequeno reclamou da demora e ela pediu-lhe que aguardasse mais uns minutinhos e assim transcorreram mais de trinta minuto quando, impaciente, ele entrou de novo no meu quarto reclamando que ela dissera que seriam cinco minutinhos e que ela não ia nunca... Ao que Angélica respondeu: - Ah, meu filho, mas são cinco minutinhos “relativísticos...” O garoto olhou para a mãe, com carinha de zangado e protestando voltou para sua leitura. Passados mais uns minutinhos ele volta a reclamar e a mãe, rindo, brincando com ele citou Einstein e sua Teoria da Relatividade segundo a qual o tempo é relativo e, se ele estivesse próximo a um buraco negro, então, os cinco minutinhos tenderiam para o infinito... E foi desenvolvendo o tema em tom jocoso, divertida com a expressão do menino que, olhando para ela com ar de enfado apenas virou as costas e foi mergulhar de novo nos versos de Shel Silverstein (Where the Sidewalk Ends), não antes de pronunciar assim, como quem tem que se conformar: - “eu tinha que ter uma mãe cientista?...”
Caímos na risada e ela foi abraça-lo, dizendo que era só uma brincadeira e lá foram os dois em busca de poesia, na doce companhia de mãe e filho, na noite que se fez mágica em Winchester...

domingo, 27 de junho de 2010

Flores e poesia, como acalanto...

Cravos perfumados para vocês...

A tarde vai se pondo mansamente por sobre as árvores do bosque, neste nublado domingo de verão. Um dia cheio de atividades, passeios com os kids, sorvete na pracinha lateral a sorveteria do centro da cidade, compras de última hora no supermercado, tudo tão rotineiro e tudo feito com tanta alegria, com tanto prazer que parecia dia de festa.

Agora a casa está em calma, os meninos sentados no tapete aqui do meu quarto, jogam animadamente, enquanto minha filha vê um filme na TV e eu resolvo chegar aqui no meu cantinho, para estar um pouco com vocês. E venho para trazer-lhes a poesia de Cecília Meireles como um acalanto para esta noite de domingo, que já entra pela janela.

Soneto Antigo

Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.

Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.

Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.
(Cacilia Meireles)

O destino de algumas cartas...


EU ESCREVI UM POEMA TRISTE

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

(Mario Quintana)

sábado, 26 de junho de 2010

Se eu tivesse...


"Se tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando, falei muitas vezes como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria."

(Charles Chaplin)