floquinhos

terça-feira, 10 de abril de 2012

Jardim de vasos


Hoje foi dia de jardinagem aqui em casa... Mas uma jardinagem feita em vasos, visto que não se tendo quintal em apartamentos, só nos restam os vasos para enfeitar os  terraços. Vasos de todos os tamanhos, que abrigam (por enquanto) uma jabuticabeira e um pé de romã, várias roseiras,  azaleias, e uma porção de temperos, desde o cheiroso alecrim até o perfumado manjericão, passando pelas prosaicas salsa e cebolinha, dando um espacinho para a pimenta, o orégano e o coentro, sem esquecer da hortelã.
E lá esta o "Seu Zezinho" afofando a terra, molhando, tirando folhinhas amareladas, e... conversando com todas as plantinhas como se falasse com um filho pequeno, cheio de carinho... Parece que as almas dos jardineiros tem um quê de poesia, de ternura; trabalham sorrindo, às vezes cantando, como se cuidar desses pequenos milagres da natureza lhes lavasse a alma. Quase todos os que conheci em minha vida eram assim, de bem com o mundo.
Abençoados sejam, pois, os jardineiros de alma lavada, que espargem perfumes em nossas vidas  com suas flores e com o aroma dos temperos que eles tão bem sabem cuidar.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Uma conclusão...


"O tempo é o melhor autor; sempre encontra um final perfeito."

(Charles Chaplin)

sexta-feira, 6 de abril de 2012

FELIZ PÁSCOA



De Sua Tristeza e de Seu sorriso
(Gibran Khalil Gibran "Jesus, o filho do homem")


Sua cabeça mantinha-se sempre erguida, e a chama de Deus estava em Seus olhos.
Estava frequentemente triste, mas Sua tristeza era ternura manifestada àqueles que sofriam e camaradagem dada aos solitários.
Quando sorria, Seu sorriso era como a fome daqueles que anseiam pelo desconhecido, e como a poeira das estrelas caindo sobre as pálpebras das crianças. E era como um pedaço de pão na garganta.
Ele era triste, mas de uma tristeza que subia aos lábios e tornava-se um sorriso.
Era como um véu dourado na floresta quando o outono está sobre o mundo. E algumas vezes parecia com o luar nas margens do lago.
Sorria como se Seus lábios cantassem numa festa de bodas.
Todavia era triste, com a tristeza do ente alado que não ultrapassa no voo seu camarada.


O Prosa deseja a seus leitores e amigos uma 

FELIZ PÁSCOA, 

e que o sorriso Dele - como a poeira das estrelas caindo sobre as pálpebras das crianças -  possa pairar em seus corações...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Acontece!...



Há mais de meia hora 
Que estou sentado à secretária
Com o único intuito
De olhar para ela.
(Estes versos estão fora do meu rítmo.)
Tinteiro grande à frente.
Canetas com aparos novos à frente.
Mais para cá papel muito limpo.
Ao lado esquerdo um volume da "Enciclopédia Britânica".
Ao lado direito - 
Ah, ao lado direito
A faca de papel com que ontem
Não tive paciência para abrir completamente
O livro que me interessava e não lerei.


Quem pudesse sincronizar tudo isto!


(Fernando Pessoa em "Ficções do Interlúdio - Poesias de Álvaro de Campos")

sexta-feira, 30 de março de 2012

Onde jaz a esperança?


"Já se disse que as grandes idéias vêm ao mundo mansamente, como pombas. Talvez, então, se ouvirmos com atenção, escutaremos, em meio ao estrépito de impérios e nações, um discreto bater de asas, o suave acordar da vida e da esperança. Alguns dirão que tal esperança, jaz numa nação, outros, num homem. Eu creio, ao contrário, que ela é despertada, revivificada, alimentada por milhões de indivíduos solitários, cujos atos e trabalho, diariamente, negam as fronteiras e as implicações mais cruas da história. Como resultado, brilha por um breve momento a verdade, sempre ameaçada, de que cada e todo homem, sobre a base de seus próprios sofrimentos e alegrias, constrói para todos."

(Albert Camus)

quarta-feira, 28 de março de 2012

Assim fica difícil !...



Em tão poucos dias, duas figuras insubstituíveis de nosso cenário artístico-cultural chegam a seu porto de destino, deixando atrás de si tristeza e agradecimento. Tristeza pela lacuna que deixaram aberta, escancarada, ao partirem, pela falta que farão, sempre; agradecimento pelo muito que nos ofertaram com seu trabalho, sua criatividade, sua sensibilidade, sua cultura, sua verve, seu jeito de ser. Ainda  não secamos nossas lágrimas derramadas com a partida de nosso Chico e lá se vai Millor...
Humorista, desenhista, jornalista, dramaturgo, poeta, Millor Fernandes deixa uma lacuna dificilmente preenchível na imprensa de nosso país. Ele leva consigo um pouco mais de nossa alegria, deixando ao partir nosso Brasil ainda mais pobre.

Millor Fernandes (1923-2012)

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'Viver é desenhar sem borracha'

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"Com muita sabedoria, pensando muito, procurando compreender tudo e todos, um homem consegue, depois de mais ou menos quarenta anos de vida, aprender a ficar calado."


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"A ocasião em que a inteligência do homem mais cresce, sua bondade alcança limites insuspeitados e seu caráter uma pureza inimaginável  é nas primeiras 24 horas depois de sua morte."


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"Basta um avião sacudir um pouquinho mais, e logo todos os passageiros ficam parecidos com a foto do passaporte."


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Dizem que quando o Criador criou o homem, os animais todos em volta não caíram na gargalhado apenas por uma questão de respeito"


(Millor Fernandes)

domingo, 25 de março de 2012

Pense bem...


"Aprenda que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido; o mundo não pára para que você o conserte. Aprenda que o tempo não é algo que possa voltar. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores."

(William Shakespeare)