floquinhos

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Niemeyer, um pioneiro...


A Nação se despede de seu mais ilustre arquiteto...

Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares, nome dos mais influentes na arquitetura moderna, pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do concreto armado, mundialmente famoso desde a década de quarenta, parte hoje para a Pátria Espiritual, deixando atrás de si um legado de arrojo, de inovações, invejável. 


Seu melhor cartão de visitas, sem dúvida, é Brasilia,

 mas não dá para não lembrar da Igreja de São Francisco, na Pampulha, em Belo Horizonte, 

do prédio do MAC em Niteroi, 

do Memorial da América Latina, em São Paulo, entre tantas outras magníficas obras arquitetônicas deixadas por ele.

Nossa homenagem e nossos agradecimentos a esse brasileiro que fez por onde honrar a sua terra e a sua gente.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Histórias de superação...

"Anjo de Natal" 
(Original pintado com a boca por Ruth Christensen)

Há tantas pessoas no mundo que, privilegiadas, vão traçando seus caminhos sem a menor dificuldade, embora sempre achando que é pouco o que têm, não dando valor ao que as cerca, sempre insatisfeitas, sempre reclamando de tudo e de todos. Há ainda pessoas que física e mentalmente perfeitas, encaram a vida com tanta indiferença, jogando fora as oportunidades, deixando tudo para lá, numa apatia que faz dó, achando que qualquer coisa é motivo para desistir, para não ir além de coisa alguma, escoradas pelas esquinas de vida, culpando a tudo e a todos pelos seus fracassos. Nem vou nem perder meu tempo, hoje, falando de gente assim

"Presentes de Natal" 
(Original pintado com a boca por Liu Jen-Long)

Hoje falo aos leitores e amigos do Prosa sobre pessoas excepcionais que vão superando, em seu dia a dia, todas as enormes dificuldades que a vida lhes deu, que vão rompendo em seus caminhos, realizando seus sonhos, buscando na arte a motivação de suas jornadas. Pessoas que tinham até um motivo para se encostarem em suas lamentações, tornarem-se dependentes do amor e da caridade alheia, mas que ao contrário disso, dão exemplos de superação e garra, deixando sua marca e seu exemplo de vida.

"Arranjo Natalino" 
(Original pintado com a boca por Claudette Corpo)

Hoje rendo minha homenagem e deixo aqui meu respeito aos bravos "Pintores com a boca e os pés", pessoas que, incapacitadas de usar suas mãos para pintar, fazem-no com a boca ou com os pés, criando um trabalho muito lindo... 

"A caminho de Nazaré" 
(Original pintado com a boca por Francis Camilleri)

Recebo em casa, todos os anos, um envelope com cartões de Natal, cartões de presentes e proposta de compra também de calendários, todos estampando trabalho desses maravilhosos pintores, numa forma de arrecadar um pouco mais de fundos para a associação que os congrega. Hoje, ao recebe-los e antes de efetuar o pagamento devido, achei por bem divulgar um pouco a arte e o trabalho tão valioso desses artistas.

"A Associação dos Pintores com a Boca e os Pés, fundada em 1956 por Erich Stegmann, tem providenciado, por mais de 50 anos, uma vida independente para artistas que não têm o uso de suas mãos. Todos os membros dessa sociedade internacional são incapacitados de pintar usando suas mãos, e todos são beneficiados com a satisfação em poder ganhar seu próprio sustento, independente de caridade."

Para saber mais a respeito, é só clicar no link abaixo.



(As imagens desta postagem são de alguns dos cartões de Natal deste ano.)

quarta-feira, 28 de março de 2012

Assim fica difícil !...



Em tão poucos dias, duas figuras insubstituíveis de nosso cenário artístico-cultural chegam a seu porto de destino, deixando atrás de si tristeza e agradecimento. Tristeza pela lacuna que deixaram aberta, escancarada, ao partirem, pela falta que farão, sempre; agradecimento pelo muito que nos ofertaram com seu trabalho, sua criatividade, sua sensibilidade, sua cultura, sua verve, seu jeito de ser. Ainda  não secamos nossas lágrimas derramadas com a partida de nosso Chico e lá se vai Millor...
Humorista, desenhista, jornalista, dramaturgo, poeta, Millor Fernandes deixa uma lacuna dificilmente preenchível na imprensa de nosso país. Ele leva consigo um pouco mais de nossa alegria, deixando ao partir nosso Brasil ainda mais pobre.

Millor Fernandes (1923-2012)

*****
'Viver é desenhar sem borracha'

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"Com muita sabedoria, pensando muito, procurando compreender tudo e todos, um homem consegue, depois de mais ou menos quarenta anos de vida, aprender a ficar calado."


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"A ocasião em que a inteligência do homem mais cresce, sua bondade alcança limites insuspeitados e seu caráter uma pureza inimaginável  é nas primeiras 24 horas depois de sua morte."


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"Basta um avião sacudir um pouquinho mais, e logo todos os passageiros ficam parecidos com a foto do passaporte."


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Dizem que quando o Criador criou o homem, os animais todos em volta não caíram na gargalhado apenas por uma questão de respeito"


(Millor Fernandes)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Saramago, hoje e sempre...


"Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo."

(José Saramagado - (16/11/1922 - 18/06/2010)

Um dos mais caros escritores de meu coração, Saramago faria hoje 89 anos. 
Meu respeito, minhas homenagens, minha gratidão pelas horas que passei (e passo) agradavelmente mergulhada em seus livros. 

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

E num sopro...


O mundo perde mais um homem que fez "a diferença"...

O Presidente Obama, falando sobre a grande perda que significa a morte de Steve Jobs disse: "Não haverá tributo maior ao sucesso de Steve do que o fato de que grande parte do mundo soube de sua morte por meio de um aparelho que ele inventou"...

Bill Gates, fundador da Windows, comentou: "O mundo raramente vê alguém que teve o impacto profundo que ele obteve e cujos efeitos ainda irão durar por muitas gerações..."

Larry Page, co-fundador da Google disse: "Steve foi um grande homem, com sucesso e brilho incríveis. Ele sempre foi capaz de dizer em poucas palavras o que você esta pensando antes de você pensar..."

Jobs cumpriu sua parte e agora descansa em sua ICloud. 

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Um dia para os heróis de guerra...

Celebra-se hoje, 11 de novembro, o "Veterans Day", relembrando combatentes e heróis americanos de cada uma de suas guerras. E este é um pais que teve (e tem) uma história de muitas guerras, por isso uma grande maioria das casas americanas ostenta hoje uma bandeira hasteada, como homenagem a alguém que se foi. As cidades tem seu memorial, com murais recobertos pelos nomes de seus filhos que morreram nessas guerras, entre jardins, em bem cuidadas praças. É um dia dedicado aos soldados que deram suas vidas pela pátria, ou pelo sonho americano, um dia consagrado aos soldados que lutaram nessas infindáveis batalhas e, dever cumprido, retornaram a seus lares, um feriado federal, um dia de paradas e homenagens em toda parte.

Depois de tanta chuva, o dia amanheceu azul, limpido, lindo...

Em Winchester. as homenagens aos seus heróis de guerra...

... assim como em Woburn.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

No Dia dos Professores, meu carinho...

(Uma de minhas primeiras professoras - Foto clássica nas escolas de "antigamente")

Comemora-se hoje, no Brasil, o Dia dos Professores.
Quem de nós não tem dentro de si uma imensa gratidão por seus mestres? Quem de nós não tem na memória a imagem de um professor predileto, de um professor que nos ajudou a escolher os caminhos que iríamos percorrer, com seus ensinamentos, com seus exemplos de dignidade, de sabedoria, de abnegação?
Por isso hoje o Prosa abre espaço para homenagear essa classe tão sofrida, mas sempre nobre, com um agradecimento enorme a cada um deles que faz de sua vida exemplo de luta e dignidade em prol da comunidade a que pertence.
Registrando a imensa saudade que sinto dos meus professores, mestres e exemplos de vida que foram, ao longo de minha caminhada, deixo meu abraço especial e meus parabéns a todos os professores que, sendo leitores e amigos do Prosa, sempre nos honram com sua presença, com sua amizade.

Parabéns, Professor(a), pelo seu dia.

E, "Lembrando minhas professoras", uma crônica escrita com o coração, há alguns anos:

Final de inverno, o sol brilha radioso por entre os prédios, dando á tarde que começa a cair um nostálgico tom de primavera e o som das crianças que deixam a escola após mais um dia de aulas enche o ar de alegria e musicalidade... Como pássaros que tivessem ficado retidos em gaiolas, ganham a rua como se ganhassem a liberdade dos ares sem fim, rindo, falando, gesticulando, algumas até se despicando, e vão passando por sob minha janela trazendo a meu coração lembranças de tardes iguais a estas onde, como elas, despreocupada, trazia em mim tantas esperanças no porvir...

Vejo as crianças de hoje com tantos afazeres, tantas opções de lazer, tantas escolhas, que não posso deixar de comparar os caminhos que se abrem diante de meus netos com o que tinha aberto diante de mim. Meu caminho não tinha atalhos nem muitas saídas. Crescendo num bairro operário, povoado por imigrantes que, devido às dificuldades da vida, nunca tiveram tempo nem chance para estudos, às crianças do Brás não era exigido mais do que uma nota mediana que as fizessem passar de ano; não tinham o privilégio de crescer entre livros nem de ouvir histórias da humanidade; Os pais mais “cultos” tinham por hábito a leitura de jornais (na maioria das vezes, esportivos), e assim, os pequenos sequer sabiam que com um pouco de esforço poderiam, talvez, chegar a estudar um outro idioma ou mesmo ter acesso a bibliotecas, exposições, museus, dando às suas almas o alimento indispensável para uma compreensão maior e melhor da vida.

Nossos horizontes eram tão limitados que o sonho maior de uma garotinha, quando o tivesse, era o de ser professora, porque sua professorinha era a pessoa mais importante que ela conhecia, não por ser quem lhe ensinasse as primeiras letras ou a tabuada, mas porque ninguém, aos olhos da criança que a comparava com as pessoas que a cercavam, sequer chegava aos pés daquela abnegada mulher que dedicava sua vida á formação dos pequenos seres que lhe eram confiados. Ser professora, naqueles tempos, era um privilégio, embora sua vida não fosse nada fácil, porque o salário era pequeno, o que a obrigava a viver modestamente, mas sempre com muita dignidade. Por isso, eram olhadas com admiração e respeito. Certamente ainda encontramos, nos dias de hoje, muitas e muitas professorinhas com o mesmo senso de responsabilidade, com o mesmo ideal de vida daquelas maravilhosas mulheres que ajudaram a formar caráter e a moldar o destino de várias gerações.

Tenho especial carinho por minha primeira professora, Dona Adelaide, uma senhorinha delicada que usava de muita autoridade e firmeza no trato com os alunos, sem perder a doçura da voz. Através das brumas do tempo, posso vê-la ainda, cabelos grisalhos, arrumados num coque preso à nuca, óculos que não conseguiam esconder a vivacidade de seus olhos e, não sei se realmente usava sempre roupas escuras mas é assim que me lembro dela, num vestido de seda azul marinho com florinhas brancas estampadas, mangas compridas, gola arredondada, presa por um camafeu. Mas o que me intrigava muito era o fato dela colocar outro par de óculos sobre os que sempre usava, para poder ler de perto. Aquilo para mim era surpreendente e a característica principal dela, pelo menos naquela época. Tive algumas outras professoras que também ficaram carinhosamente guardadas em minha memória, como Dona Mocinha, Dona Odete, que como Dona Adelaide eram também mestras do Grupo Escolar Romão Puiggari no final dos anos 40, início da década de 50. Depois fui para a Escola Industrial Carlos de Campos onde, além das matérias regulares, tínhamos também formação profissional e onde tive também professoras que marcaram minha vida, como as duas professoras responsáveis pelo curso de flores, e que eram o total oposto uma da outra. Enquanto uma era delicada, gentil, de fala mansa e olhar tranqüilo, a outra era extrovertida, bem falante, e parecia trazer um vulcão dentro do olhar. Claro que temperamentos tão diversos, só poderiam gerar conflitos que quase sempre eram diluídos mercê a mansidão de alma da primeira. Mas um dia, as coisas chegaram a um ponto sem volta e explodiu uma guerra de palavras trocadas entre lágrimas e sussurros de uma e gritos e gestos de outra que, não se conformando com as lágrimas que rolavam pelo rosto da opositora, que aos olhos das alunas poderia fazer dela uma vítima, saiu da classe vociferando:

- Lágrimas de crocodilo!... Agora se faz de vítima e derrama lágrimas de crocodilo!... Crocodilo? Não, crocodilo é muito pra você...

E buscando lá no fundo da alma suas raízes espanholas, encheu o peito e, mãos na cintura, bradou em alto e bom tom antes de virar as costas e sair desabaladamente em direção à porta da oficina de aula:

- Lagartija!... Lagartija!... Eres una lagartija...

Minhas queridas mestras! Saudades imensas de todas essas mulheres a quem devo grande parte de minha formação e que trago presentes em minhas lembranças... Como gostaria de poder abraçar cada uma delas e agradecer pela parte de meu caminho que lhes coube e que elas tão bem souberam aplainar para que meus passos fossem mais seguros em direção ao dia de hoje!...