A chuva chegou pela madrugada e foi caindo, caindo, molhando o bosque, os jardins, encharcando a cidade que, toda cinza, bota um certo ar de tristeza na alma... Lembranças de tantos domingos cinzentos como este vão se achegando e vão envolvendo a alma que hoje se sente só, despertando saudades, sentimentos... Bons e doces sentimentos, uns, tristes e melancólicos, outros, pois a vida é feita de momentos, bons e maus momentos, que acabam por definir nossos caminhos, nosso rumo. E sempre surgem inúteis questionamentos sobre como seriam esses caminhos se o rumo tivesse sido outro, diferente ou contrário.
E a chuva bate na vidraça, escorre pelos telhados, afugentando os pássaros que a esta hora costumam vir brincar junto a janela, chilrear a alegria de serem livres, de fazerem parte da natureza. A chuva continua caindo, prendendo em suas casas as crianças das casas vizinhas que poderiam estar andando de bicicleta, jogando bola nos gramados, curtindo o verão, cantando a vida...
Chove, chove, chove... E essa mesma chuva que tanto me encanta, hoje, inexplicavelmente, me entristece...



