floquinhos

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Um imenso "muito obrigada!!...


50.000 visitas !... Wowwwwwwww...

Muito obrigada a vocês todos, leitores e amigos que são presença constante no Prosa, muito obrigada a você, visitante ocasional ou mesmo esporádico, muito obrigada também a você que passou por aqui meio que sem querer, mas marcando sua passagem com um pouco mais de alegria em meu coração pela presença. Obrigada a todos!... 
E tanto agradecimento tem uma razão de ser: O Prosa está todo prosa porque ultrapassou a marca dos 50.000 visitantes!!! E eu estou toda alegria! E em agradecimento, deixo aqui para cada um de vocês meu beijo e um selinho feito especialmente para esta data. É um mimo, de coração. 


E como já estou de malas prontas, deixo também meu até amanhã, quando volto a estar com vocês, após matar saudades da filhota e dos kids. Por ora, a tensão da viagem, da passagem pelos aeroportos do Tio Sam, as longas esperas nas salas de embarque, mas como dizia nosso amado Pessoa, "Tudo vale a pena se...".

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Apenas um sopro...



"Porque entre o sim e o não é só um sopro, entre o bom e o mau apenas um pensamento, entre a vida e a morte só um leve sacudir de panos - e a poeira do tempo, com todo o tempo que eu perdi, tudo recobre, tudo apaga, tudo torna simples e tão indiferente."

(Lya Luft)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Barreirinha, AM - Terra de um Poeta ilustre

Os leitores do Prosa sabem bem o quanto Thiago de Mello é querido ao meu coração. Um "homem da floresta", como ele mesmo gosta de se intitular, um dos poetas mais respeitados e influentes do país, um reconhecido ícone da literatura nacional. Seu poema mais conhecido é Os Estatutos do Homem, onde o poeta chama a atenção do leitor para os valores simples da natureza humana, que trazemos hoje para vocês, ao mesmo tempo em que o homenageamos no "Cidades", com um passeio a sua querida Barreirinhas, lá na imensa  Amazônia.

(Terra de Thiago de Mello, um dos poetas de meu coração...)


Os Estatutos do Homem  (Ato Institucional Permanente)



Artigo I 
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.


Artigo II 
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.


Artigo III 
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.


Artigo IV 
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.


Parágrafo único: 
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.


Artigo V 
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.


Artigo VI 
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.


Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.


Artigo VIII 
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.


Artigo IX 
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.


Artigo X 
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.


Artigo XI 
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.


Artigo XII 
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.


Parágrafo único: 
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.


Artigo XIII 
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.


Artigo Final. 
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.


(Santiago do Chile, abril de 1964 )

Cada segundo....



"Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre."

(Charles Chaplin)

domingo, 19 de junho de 2011

O que não conseguimos esquecer...


Uma alegria para sempre

As coisas que não conseguem ser olvidadas
continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo
nesse mundo do sempre
onde as datas não datam.
Só no mundo do nunca existem lápides...
Que importa se - depois de tudo - tenha "ela" partido
ou que quer que te haja feito, em suma?
Tiveste uma parte de sua vida que foi só tua e, esta,
ela jamais poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte de tua vida presente
e não do teu passado
e abrem-se no teu sorriso mesmo quando
deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto deves à ingrata
criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
- disse, há cento e muitos anos,
um poeta inglês que não conseguiu morrer.

(Mario Quintana)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Na manhã azul, um soneto envolvendo a alma...


Faltando menos de uma semana para minha viagem costumeira para passar o verão lá do hemisfério norte com minha filha e com os kids, ando em completa correria, principalmente porque o check-up de saúde anual que já deveria estar pronto, ainda está em andamento, de laboratório em laboratório, ou melhor de unidade em unidade, num tal de cardiologia, ultrassonografia, exames ginecológicos, etc, etc... Enfim, tudo o que se tem direito (e dever de fazer) depois que se dobra a famosa curva dos "enta". E põe "enta" nisso... rs...
Por isso peço desculpas por estar um tantinho afastada do Prosa e prometo que em pouco mais de uma semana, tudo volta ao normal por aqui. Até lá vou dando umas passadinhas, sempre que der, com a maior alegria.
O dia está lindo, azulzinho, temperatura agradável, pouco frio, a cidade parece iluminada. Ainda há pouco, na volta do laboratório, vinha lembrando de alguns sonetos de Florbela Espanca, dos quais gosto muito, e um deles, em especial, que sempre me causa encanto. ficou bailando em minha mente. E porque é lindo, vou dividí-lo com vocês...

Tarde Demais


Quando chegaste enfim, para te ver
Abriu-se a noite em mágico luar;
E para o som de teus passos conhecer
Pôs-se o silêncio em volta a escutar...


Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!
Viu-se nessa hora o que não pode ser:
Em plena noite, a noite iluminar
E as pedras do caminho florescer!


Beijando a areia d'oiro dos desertos
Procurara-te em vão, braços abertos,
Pés nus, olhos a rir, boca em flor!


E há cem anos que eu era nova e linda!...
E minha boca morta grita ainda:
Por que chegaste tarde, ó meu amor?


(Florbela Espanca)

terça-feira, 14 de junho de 2011

Há quem brinque graciosamente com as palavras...

Tomei emprestado de meu filho um texto muito curioso e divertido que ele havia publicado lá no seu "Veja Bem", texto, por sua vez, recebido por ele através de um e-mail. Como veio com autoria desconhecida, assim fica... Fazer o que?  O fato é que admiro muito as pessoas que conseguem brincar com as palavras e, exatamente como meu filho, expressões idiomáticas e ditos populares sempre me encantaram. No texto, o autor brinca com as palavras que compõem expressões usadas e abusadas ao longo de gerações. Veja lá e me digam o que acharam.




Divagações de um autor sobre a arte de escrever
“Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comprou gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem grandes sacadas e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa.
Não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas. Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.
É preciso tomar cuidado para não deixar o leite azedar, não passar do ponto ou encher linguiça demais. Deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para se poder vender o peixe. Afinal, não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos, e muito menos verão com uma andorinha apenas.
Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas, como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha. Revelam-se escritores de meia tigela, que trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão. Aqueles que são arroz de festa, embora estejam com a faca e o queijo nas mãos, perdem-se em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese), achando que beleza não põe mesa. Acabam pisando no tomate, enfiando o pé na jaca e, no fim, quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou. (Quem vê cara não vê coração!)
O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.
Mas, cuidado! Se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino será só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana. Sabe como é: pimenta nos olhos dos outros é refresco!
A carne é fraca, eu sei. Às vezes, dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca e depois, quando se junta a fome com a vontade de comer, as coisas mudam da água pro vinho. Se embananar de vez em quando é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. 
Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.”