floquinhos

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O Rio cobre-se de luto...


O Rio chora suas crianças e,  diante dessa dor, o Prosa  se cala e  reza. 
Pedimos aos nossos amigos e leitores que se juntem a nós em orações pelas crianças mortas, pelas crianças feridas, pelas familias desoladas...

Apenas Vinícius... Apenas?!!!


Ausência


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada. 



(Vinicius de Moraes)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Lembranças que a música traz...

    Dick Farney


Cyl Farney

É assim mesmo... Uma coisa leva a outra, e essa coisa, a outra, e assim leva-se a vida... 
Hoje cedo, procurando uma música para servir de fundo a blogagem do dia, buscava a voz doce de Maysa Monjardim interpretando Inútil Paisagem, que não encontrei, mas acabei descobrindo interpretações lindas de Caetano e Milton Nascimento para essa música, como encontrei também a voz de Dick Farney e, com ele,  lembranças de uma adolescência vivida nos anos dourados. quando os dias eram cheios de sonhos, quando o mundo era só esperanças. E envolta nessas doces lembranças, optei por deixar hoje o Dick cantando para vocês...
Para quem não se lembra, ou não conhece, para as gerações mais novas dos amigos do Prosa, vou relembrando aqui os irmãos Farney, Dick e Cyl, na verdade, Farnésio e Cilênio Dutra e Silva - não admira que tenham buscado nomes artístico, pois seria bem difícil atingir o estrelato nos anos 50 com nomes assim - pois, os irmãos Farney eram um encanto para os olhos e os ouvidos das meninas de então. Dick, num estilo americanizado, ao piano, cantando músicas dolentes, Cyl, nas telas de cinema, galã pra ninguém botar defeito, arrancando suspiro das moçoilas, dois homens bonitos, cheios de charme. Retalhos de uma era de romantismo, retratos em branco e preto de uma saudade.

Numa manhã azul...

As primaveras ainda enfeitam o terraço

O sol entrando pela janela espalha-se por sobre os cristais que enfeitam a mesinha de centro fazendo refletir as cores de um arco-iris. A primavera que cresce prisioneira em um vaso, a um canto do terraço ainda está florida e a lavanda começa a mostrar suas delicadas flores junto a porta da sala... O dia é todo harmonia, lindo, azul, mas dentro dela baila uma certa nostalgia, um desencanto, que não combinam com toda aquela luz. E como o sol que parece dançar entre os cristais, uma doce canção do Tom chega devagarinho, parecendo dançar em sua alma... E num rodopio mais forte, a alma deixa escapar os versos que mesmo sem querer ela vai cantarolando enquanto se dirige para cozinha, para o café da manhã, antes de iniciar mais um dia que sabe, de antemão, será longo, vazio...


"Mas pra que
Pra que tanto céu
Pra que tanto mar,
Pra que


De que serve esta onda que quebra
E o vento da tarde
De que serve a tarde
Inútil paisagem


Pode ser
Que não venhas mais
Que não voltes nunca mais
De que servem as flores que nascem
Pelo caminho
Se o meu caminho
Sozinho é nada

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Nós somos...


Willian  Shakespeare disse que...

"Nós somos do tecido de que são feitos os sonhos."



E é bem possível que ele tenha razão!... Acho até que é esse o motivo pelo qual, quando perdemos a capacidade de sonhar, perdemos a alegria de viver, passamos a olhar a vida e a nós mesmos de uma maneira tão sem graça...

domingo, 3 de abril de 2011

Num domingo enfarruscado...


Dan Stulbach - um maravilhoso ator

Domingo cinzento, sozinha em casa, resolvi dar uma olhadinha nos canais de filme da TV. Afinal, um bom filme sempre é um bom programa para uma manhã de domingo enfarruscada, e parei ao ver Dan Stulbach contracenando com Tony Ramos num cenário meio sombrio. O filme já ia pela metade, mas as primeiras cenas que vi me prenderam e, daí para a frente foi um encantamento a interpretação forte, marcante de dois excelentes atores, principalmente a de Stulbach... 
O filme era "Tempos de paz", sob a direção de Daniel Filho, e já  não é novo; foi lançado em  2009. A história mostra Segismundo (Tony Ramos), um ex-oficial da polícia política de Vargas que agora teme que suas vítimas resolvam se vingar. Ele trabalha como chefe da seção de imigração na Alfândega do Rio de Janeiro e sua função é a de evitar a entrada de nazistas no país. Numa averiguação habitual, interroga Clausewitx (Dan Stulbach), um ex-ator polonês que, por recitar Carlos Drummond de Andrade, fora-lhe enviado por um subalterno. Para convencer que não é nazista, e não ser deportado, Clausewitz vai precisar usar todo o seu talento de ator.
E interpretando Clausewitz, Stulbach esbanja talento e força de interpretação... Maravilhoso ator! Se os amigos e leitores do Prosa ainda não viram esse filme, eu recomendo, sem pestanejar... Eu, certamente, vou procurar ver de novo e, desta vez, desde o comecinho.


Tony Ramos e Dan Stulbach - Talento em dobro, força de interpretação...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Dê asas à sua imaginação...



"A imaginação oferece às pessoas consolação por aquilo que não podem ser e humor por aquilo que efectivamente são."

(Albert Camus)