floquinhos

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Basta-me um pequeno gesto...


Timidez

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

- mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...

- palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

- que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...

e um dia me acabarei.

(Cecília Meireles)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Uma sobremesa para quatro...

Ontem foi feriado por aqui (Labor Day), mas como o comercio funciona ainda com maior força nos feriados, fomos a loja da Appel, no Burlington Mall, onde minha filha ia comprar uns acessórios para seu computador. E, nesse mesmo mall há um restaurante, diria melhor, uma confeitaria, bem parecida com as tradicionais confeitarias dos anos dourados, tocha cheia de charme, a “Cheesecake Factory”. Um lugar lindo, sofisticado, que além dos maravilhosos cheeesecakes, ainda servem massas e saladas de dar água na boca, só de pensar, onde almoçamos depois da compra feita na Apple. Philip e eu nos deliciamos com um espaguete a carbonara (devo dizer que os pratos são generosos, assim dividimos o nosso e ainda sobrou macarrão), Angélica optou por uma massa com camarões, coração de alcachofras e cogumelos, enquanto que o Alexander, por ser mais “enjoado” para comer, escolheu uma prosaica pizza de queijo. Gosto é gosto, ora... que se há de fazer. Mas se ele foi pouco exigente na hora do prato principal, esbanjou criatividade na hora da sobremesa. Enquanto o Philip pediu um chessecake de abacaxi, minha filha e eu ficamos no “expresso”, o pequeno Alexander escolheu no menu uma sobremesa especial de sorvete de baunilha entre dois discos de torta doce, rodeados por morangos caramelizados e com uma pequena montanha de chantilly por cima. A garçonete, vento o tamanho do kid que pedira aquela sobremesa ainda avisou que era um prato gigante, mas ele insistiu e lá veio ela com o que vocês podem ver na foto... Maravilhosa sobremesa, deliciosa, mas... servia, no mínimo, dois adultos. Doce de mais para uma criança, principalmente como o meu pequeno Alexander que parece ter o estomago de um passarinho, sempre tão enjoado para comer.
Resultado? Foi uma festa,... Rimos muito da carinha dele e, claro, tivemos que “fazer o enorme sacrifício” de ajuda-lo a devorar sua “pequena” sobremesa...


Vejam o tamanho da sobremesa...



,,, que acabou sendo compartilhada por todos nós...

A vovó acabou provando também o cheesecake do Philip... Tudo tão bom!...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A semana começa com Drummond


NÃO SE MATE

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê,
pra quê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém, ninguém sabe nem saberá.

(Carlos Drummons de Andrade)

sábado, 4 de setembro de 2010

Cenas do fim de mais um verão...

Apesar das intensas chuvas que cairam em boa parte da noite, o sábado amanheceu ensolarado, com um céu todo azul e uma aragem fresca que agita as folhas das árvores e traz um certo frescor a este dia que promete ser bem quente, bem típico de um restinho deste verão que parecia estar terminendo, mas voltou com força total.


O sol atravessa a copa das árvores do bosque, pondo um rendilhado sobre as pedras, sobre seus troncos, esparramando-se por sobre o solo que já acolhe as folhas caídas que anunciam a chegada do outono...



Mas o jardim continua florido, embora as folhas já andem perdendo seu verde brilhante, que cede lugar a tons menos vivos. Pouco a pouco o cenário vai mudando, umas cores vem substituido outras...


E as rosas, já esmaecidas, ainda alegram a vista, com sua beleza, e os sentidos, com seu perfume delicado.



E as crianças... Ah, as crianças aproveitam o último final de semana antes do reinício das aulas, "bicicletando" e brincando pelas tranquilas ruas da cidade. Afinal, terminam as férias de verão...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O amor antigo...

(Mas dizem que o amor perfeito é aquele que nunca se realiza...)

O AMOR ANTIGO

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige, nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

(Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Como um rio...


O RIO

Ser como o rio que deflui
Silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas no céu, refleti-las
E se os céus se pejam de nuvens,
Como o rio as nuvens são água,
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranqüilas.

(Manuel Bandeira)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Lembro-me...


"Lembro-me do passado, não com melancolia ou saudade, mas com a sabedoria da maturidade que me faz projetar no presente aquilo que, sendo belo, não se perdeu."

(Lya Luft)