Ah, a nossa memória!... Como é que fui me lembrar de um momento tão inexpressivo e tão distante? Aviões cruzam os céus de Winchester em grande número, principalmente pela manhã e ao entardecer... Porque esta lembrança agora? Sei lá. Na verdade, quando abri o blog, esta manhã, vinha com a intenção de aqui deixar mais um poema de Quintana, para adoçar o sábado dos leitores do Prosa, e acabei perdendo-me em recordações a um simples olhar pela janela, ao ouvir o costumeiro ronco de um avião que passa completamente alheio, lá longe, no horizonte... E, para não me perder do primeiro objetivo, ai está nosso doce Quintana... Um poema escolhido agora, porque nos lembra a passagem do tempo. Afinal, ontem foi dia de aniversário e o tempo já se faz sentir, já faz refletir sobre o que poderia ter sido e, simplesmente, não foi...
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente ...
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.


