floquinhos

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Enquanto a chuva cai sobre a cidade...


A chuva cai mansamente sobre o gramado, escorre pelas folhas das árvores, dá um ár mais romântico ao refletir a luz dos carros que correm sobre o asfalto das ruas... Os pássaros continuam calados, certamente encolhidos e escondidos entre as copas das árvores, os esquilos não andam a cata de alimento em volta da casa e a casa, em si, só tem seu silêncio cortado pela música de Michael Bublê que encanta minha alma e um ou outro miadinho da Baby, a gata negra como uma pantera, que anda reinando por aqui.
E num dia assim, a alma pede sossego, calma, romance... Romance? Claro, porque não? Mas a esta altura da vida? Essa alma inquieta não se enxerga, não? Ah, não!... Definitivamente não!... Então vamos lá dar um "romance" a ela. Vou agora mesmo até a biblioteca da casa procurar um livro bem cheio de momentos , de encontros e desencontros, para que ela o leia. Ou então vou reler Lya Luft, para que ela se reencontre.
E a chuva continua caindo mansamente lá fora e torrencialmente dentro de mim, em forma de lembranças, saudades, sonhos...

terça-feira, 13 de julho de 2010

O que te posso dar...


Canção na plenitude

Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

(Lya Luft)

domingo, 11 de julho de 2010

As Pedras do Meio do Caminho...

Drummond cantava em seus versos que...

"no meio do caminho tinha uma pedra,
tinha uma pedra no meio do caminho..."

E a pedra dos caminhos de Drummond eram os obstáculos, os problemas... Hoje, quando fui caminhar no bosque, também achei uma pedra no meio do caminho, mas... ô pedra benfazeja! Ao invés de obstáculo foi um santo lugarzinho para poder sentar e descansar um pouquinho ao meio da caminhada... Na verdade, essas pedras, que vocês veem na foto abaixo, assinalam exatamente a linha divisória entre as cidades de Winchester e Medford, por onde o bosque se estende.

E, além das pedras no cminho, trouxe para vocês verem também a beleza do céu e das árvores refletinas no espelho formado pelas calmas águas do Brooks Pond.


E trago ainda a beleza dos raios de sol que, ao se espalharem sobre as plantas rasteiras ainda molhadas pela chuva de ontem, refletem uma paisagem prateada, linda demais...

(para ampliar, basta clicar nas fotos)

sábado, 10 de julho de 2010

Uma conclusão...


"Meu coração se transforma a cada experiência. Mas ainda palpita, sobressalta e se assusta. Ainda é vulnerável como quando eu tinha dez anos."

(Lya Luft)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O Poeta de Meu Coração - 30 anos sem Vinícius.

Vinícius, com Toquinho, uma longa parceria...

Maria Teresa, do elegante blog "Ouvindo Meus Botões", numa excelente postagem, presta uma homenagem ao Vinícius de Moraes. Completam-se hoje trinta anos sem o nosso amado Poetinha, sem a sua poesia, sua música, sua alegria de viver e de amar... E sendo ele um dos mais queridos Poetas de Meu Coração, não poderia deixar de prestar também minha homenagem a quem tanta poesia colocou em meus caminhos, a quem tanta beleza espalhou pela minha vida a fora, com seus versos, sua sensibilidade, sua ternura.
Ah, quantas vezes usei palavras dele para expressar meus sentimentos, minhas dores, meus sonhos, meus sofreres!... Quantas vezes ele falou "por mim"...
Assim, minha homenagem e minha saudade ao nosso Vinicius e, como ele mesmo gostava de se despidir... Saravá, Vinícius!!!

E, para vocês, uma de suas poesias que vai lá no fundo de minha alma...

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

(Vinicius de Moraes)

Gibran Khalil Gibran - O amigo...

Para meus amigos, com carinho...

“Vosso amigo é a satisfação de vossas necessidades.
Ele é o campo que semeais com carinho e ceifais com agradecimento.
É vossa mesa e vossa lareira.
Pois ides a ele com vossa fome e o procurais em busca da paz.
Quando vosso amigo manifesta seu pensamento não temeis o “não” de vossa própria opinião, nem prendeis o sim.
E quando ele se cala, vosso coração continua a ouvir o seu coração.
Porque na amizade, todos os desejos, ideais, esperanças, nascem e são partilhadas sem palavras, numa alegria silenciosa..
Quando vos separais de vosso amigo, não vos aflijais.
Pois o que vós amais nele pode tornar-se mais claro na sua ausência, como para o alpinista a montanha aparece mais clara, vista da planície.
E que não haja outra finalidade na amizade a não ser o amadurecimento do espírito.
Pois o amor que procura outra coisa a não ser a revelação do seu próprio mistério não é amor, mas uma rede armada, e somente o inaproveitável é nela apanhado.

E que o melhor de vós próprio seja para vosso amigo.
Se ele deve conhecer o fluxo de vossa maré, que conheça também o seu refluxo.
Pois, que achais seja vosso amigo para que o procureis somente a fim de matar o tempo?
Procurai-o sempre com horas para viver.
Pois o papel do amigo é o de encher vossa necessidade e não vosso vazio.
E na doçura da amizade, que haja risos e o partilhar dos prazeres.
Pois no orvalho de pequenas coisas, o coração encontra sua manhã e se sente refrescado.”

(do livro; O PROFETA - Gibran Khalil Gibran)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A vida está...


"É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem saber ver."

(Gabriel Garcia Marques)