floquinhos

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Tulipas na manhã enfarruscada...


Esta segunda feira está mesmo "comme il faut"... Cinzenta, chuvosa, modorrenta, preguiçosa...
E minha alma acorda bem ao gosto da segunda feira, encolhida, enroscada neste cansaço que me envolve após um final de semana agitadíssimo, todo movimentado.
Escorrego da cama meio contra minha vontade e vou direto para o chuveiro, tentando espantar essa quebradeira que nem a noite de bom sono conseguiu resolver. Depois, enrolada num velho e aconchegante roupão, rumo para a cozinha em busca do café meu de todas as manhãs que, por culpa do dia enfarruscado, vai ser saboreado ali mesmo, na cozinha, já que o terraço está pouco convidativo, mas ao passar pela sala, meus olhos batem naquelas lindas flores e a alma começa a se acalmar... Ontem recebi tulipas!... Lindas, frágeis, elegantes, altivas tulipas vermelhas. Pego o cachepô que as acolhe e levo-o comigo. Coloco-o sobre a mesa da sala de almoço, preparo meu café e vou tomá-lo ali, ao lado das lindas flores que iluminam minha manhã. As flores têm esse poder sobre mim: acalmam-me, comovem-me. Agora a segunda feira já não está tão tristinha, ganhou até um ar de poesia, como se um sol começasse a se infiltrar através das nuvens. E este café quentinho, cheiroso, cai tão bem!
Agora sim, estou pronta para começar meu dia, minha semana...

A se pensar...

(O Outono refletido no lago)

"Um amor, uma carreira, uma revolução: outras tantas coisas que se começam sem saber como acabarão."

(Jean Paul Sartre)

domingo, 4 de abril de 2010

No amanhecer deste Domingo de Páscoa...


Seis horas da manhã deste Domingo de Páscoa que promete ser de chuva também. A casa ainda dorme e já me preparo para a azáfama que este dia promete. Filho amante da gastronomia significa cozinha em rebuliço o dia todo. Domingo Santificado significa que a fiel escudeira hoje não vem. E isso tudo significa que antes, durante e após o almoço vamos ter pilhas de louças, panelas, assadeiras, etc. e tal, para lavar... rs... E não é que a "bendita" da lavalouças cismou de quebrar logo nesta semana? Pois!... Mas, acreditem se quiser, apesar dessa perspectiva de colocar minha barriguinha diante de uma pia o tempo todo (sim, porque chef cozinha mas não limpa... rs...), ainda assim, estou muito feliz. Claro que estaria muito mais se pudesse ter os outros dois filhos , a nora e o restante dos netos por aqui, mas... C'est la vie...

Então... Lá vou eu envergar meu aventalzinho e pôr mãos a obra, que o dia começa já com o café da manhã da turminha... Mas antes disso, ainda na tranquilidade do sono da prole que vai se estender um pouco mais e antes que a agitação comece por aqui, vou me sentar ao terraço e, como gosto de fazer, saborear calmamente minha primeira xícara de café, vendo a cidade acordar... Quem me faz companhia?

Aos amigos e leitores do Em Prosa e Verso, meus votos de uma LINDA, DOCE E FELIZ PASCOA!

sábado, 3 de abril de 2010

Mario Quintana e sua Canção do Amor Imprevisto


CANÇÃO DO AMOR IMPREVISTO

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita...

A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.

(Mario Quintana)


sexta-feira, 2 de abril de 2010

Ainda Cecília Meireles...


Venturosa de sonhar-te

Venturosa de sonhar-te,
à minha sombra me deito.
(Teu rosto por toda parte,
mas amor, só no meu peito!)

- Barqueiro, que céu tão leve,
Barqueiro, que mar parado!
Barqueiro, que enigma breve,
o sonho de ter amado!

Em barca de nuvens, sigo:
e o que vou pagando ao vento
para levar-te comigo
é suspiro e pensamento.

Barqueiro, que doce instante!
Barqueiro, que instante imenso,
não do amado, nem do amante:
Mas de amar o amor que penso!

Cada palavra uma folha...


Cada palavra uma folha
no lugar certo.

Uma flor de vez em quando
no ramo aberto.

Um pássaro parecia
pousado e perto.

Mas não: que ia e vinha o verso
pelo universo.

(Cecília Meireles)


quinta-feira, 1 de abril de 2010

Para a Belinha, com afeto...


Uma prima muito amada, mais que prima, irmã do coração, aniversaria hoje. Cresci junto dela, já que morávamos na mesma casa, e sempre nos quisemos muito bem. Alguns anos mais velha que eu, regulava de idade com a Elza, minha irmã, que era com quem dançava nas noites lá do casarão, depois de arrastarem a mesa para um canto da sala, ao som de melodiosos tangos de Gardel e Marianito Mores e de românticos boleros. E eu, pirralha, ficava imaginando se um dia poderia dançar um bolero com um principe que encantaria meus sonhos - quando cheguei à idade de dançar, os bolores já não encantavam. As baladas de Elvis embalavam meus sonhos...
Minha prima sempre foi uma pessoa muito de bem com a vida, apesar das pedras que a vida insistiu em colocar em seus árduos caminhos. Sempre tem um sorriso para oferecer, sempre tem um abraço para me acolher quando nos encontramos, seja lá quando e onde for, tenha passado o tempo que for.
Pois é! Minha prima, a Belinha, nasceu num Dia da Mentira e isso sempre foi motivo de brincadeiras para com ela. E quando diziam em tom de graça - "mas como é que vou acreditar em alguém que nasceu no Dia da Mentira?" - ela fazia um muxoxo dizendo, como se estivesse magoada, qualquer coisa como "seu infeliz", para depois abrir-se numa cristalina gargalhada, como se ela mesma não se levasse muito a sério. Sempre foi uma pessoa muito linda.
Então, hoje, abro espaço para ela aqui no meu cantinho, com muito carinho e com este amor de irmã que nos une, esperando que seu dia seja lindo e que sua vida seja longa e feliz.